segunda-feira, 24 de agosto de 2015

amarelinha

a pedra no meio do caminho
é passa tempo
obstáculo é a solidão que me acompanha
pelo meu caminho inteiro

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Mercado editorial e autores...


Mercado editorial e autores, a árdua batalha da publicação.

Muito antes de ser um aprendiz de editor, sou escritor e conheço na pele a propriedade da batalha que é publicar um livro. Conheço a fundo a decepção dos "nãos" e o bater da porta de tantos editores e editoras. De ontem para hoje estive acompanhando algumas postagens se referindo justamente a esse tema aqui no Linkedin. O mercado editorial é o mais cruel entre todos as atividades empresariais, correm tantos riscos os editores, autores e também leitores pois diante da dificuldade que é publicar, tantas obras maravilhosas acabam sendo engavetas e esquecidas. O mercado foi humanizado e socializado com o surgimento do "on demand" ou "sob demanda" na tradução da nossa linda língua portuguesa. Falarei do "sob demanda" um pouco mais a frente.  

Creio que 85% de todos os livros negociados sejam em grandes redes ou consumidos por programas do governo são publicados por no máximo 5 editoras e distribuídos por 3 ou 4 grandes empresas da área. Nessa rede de publicação, distribuição e comercialização, o único a não correr os riscos são os distribuidores, no máximo a menor das despesas que é a entrega e o recolhimento  mas como já tem o compromisso das entregas dos livros ditos comerciais, os recém chegados ao mercado, autores e títulos, não agregam uma despesa considerável e são os menores entre os fardos. As grandes editoras consomem quase que a totalidade das verbas federais e outras, para aquisição de títulos e nessa batalha os lobistas (agenciadores) são fundamentais. As pequenas editoras salvo casos poucos, não conseguem vender. Livros não vendidos são prejuízos 100%. Todo o processo de editoração, gráfico, registros e pequenas taxas são assumidos pelas editoras. Um livro hoje numa "tiragem de risco" de 2.000 exemplares para pesquisa e apresentação no mercado, num bom trabalho gráfico pode chegar ao custo de R$12.000,00 apenas em sua produção, incluindo nesse valor custos com logística e divulgação. Valor consideravelmente alto, se uma editora perder em dez apostas em um ano, serão pelo menos R$100.000,00 reais perdidos. Uma fábula esse valor, perda que uma pequena editora não conseguirá absorver. 

O autor muitas vezes fica refém das editoras quando fazem esses contratos de 24 meses ou mais, com uma margem de lucros que pode chegar ou passar um pouco mais os 14% mas sempre na dúvida de; "será que vendi só esses 14 exemplares de fato ou estou sendo lesado?" Autores recém-ingressos nas publicações estarão sempre à margem dos riscos e das dúvidas. Fato. 

Meu primeiro livro publiquei de forma independente em setembro de 1998 depois de ouvir sonoros nãos de editoras, uma queria um contrato de 24 meses e com 11% de comissão, porém queria que eu alterasse algumas expressões do livro e que recusei pois é a minha identidade ali, aliada a minha proposta da oralidade e da plástica. Sou um poeta que passeio entre o beat, o marginal e o concreto, jamais aceitaria tal sugestão. Ainda sofremos essa batalha que é a imposição aos iniciantes por parte de alguns editores. Consegui recuperar com muito trabalho 80% do valor investido. Dos meus 04 títulos publicados, apenas um me trouxe uma razoável rentabilidade.  Um foi uma troca de seis por meia dúzia. Dois eu perdi pouco. Sou cauteloso com o sistema "sob demanda", mas ainda assim considero como uma ferramenta de humanização para a realização do autor. Publicar para mim é humanizar. Sempre oriento os autores que me procuram para publicar nesse formato a terem muita cautela e sempre pergunto, irá usar cartão de crédito ou possui o capital? Sempre oriento a NUNCA criarem gastos acreditando que irão recuperar o investimento através da venda de exemplares. Um risco enorme e a maior probabilidade é que não irá conseguir cobrir os custos com as vendagens boca a boca. Quem tem renda pouca e paga prestações como aluguel, consórcio e outros gastos, evitem esses riscos ou irão tirar da boca para cobrir os custos do seu livro caso não tenha uma reserva. Se o autor ainda assim deseja fazer o seu livro de forma independente e pensa em gastar algo em torno de R$5.000,00 eu sugiro a cautela e invista no máximo R$3.000,00 e faça uma poupança com o valor restante. Exceto para quem possui a certeza que irá vender muitos exemplares, certeza que eu nunca tenho em relação aos meus livros. Pensando em tiragem de 1.000 exemplares? Faça 500 exemplares e vendendo tudo, solicite uma reimpressão. Pensando em 500 exemplares? Faça 300. A cautela é a maior recomendação nesse mercado cruel e concentrado em poucas editoras e poucos autores.

Se o seu livro não fala de vampiros, zumbis e não tenham muito sexo e futilidade, as possibilidades da sua obra ficar encalhada são enormes. Que fique claro, não escrevo com a intenção de desanimar e desmotivar as publicações independentes, sim, como autor compartilhar com as cautelas. Nicolas Bher, poeta genial de Brasília-DF conseguiu vender mais de 8.000 exemplares de um dos seus livros independentes assim como também o poeta Rogério Salgado, de Belo Horizonte-MG vem desenvolvendo um belo trabalho independente já por vários anos, mas a luta é dolorosa, exaustiva e que pede toda a dedicação.

Traz muito prazer, pede muita serenidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

desenho para Gino, poeta amigo

ALMA SIAMESA
 
quero registrar o amor
não numa folha de papel
quero registrar o amor na minha pele,
no meu beijo inteiro
 
 
essa uma alma siamesa nossa busca tão constante, procura interminável pelo desenhar dos caminhos já percorridos e dos beijos já trocados. cada dia parece mais distante por mais longe que nossos olhos cheguem e todos os horizontes observados. não perco a fé mas as vezes bate aquela desesperança. mais fácil arriar as calcas que encontrar um colo. mais fácil encontrar camas disponíveis e rolar sobre tantos lençóis, que compartilhar um por do sol na serra do sapucaia ou no parque ibirapuera. essa relação em regime de comunhão total de sonhos parece existir apenas entre nós e nossos escritos, entre nossas canetas e nossas folhas de papéis... trepar é fácil, difícil mesmo é sair de mãos dadas pelas ruas e vislumbrar o nascer do sol, acompanhados.
  
p.s: continuemos aguardando aquela trilha sonora
 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

hipocrética nº09

nunca gostei desses poemas de amor
de suas rimas artificiais
de suas lágrimas tão secas

mas as vezes cansa brindar esse vazio
o silêncio do lado
ainda mais sabendo que ninguém te espera
quando o dia amanhecer
já que a noite é um velho script decorado e repetido.
cansa celebrar esse vinho e esse vazio
tendo apenas a boca da garrada como companhia,
assim como cansa reler o poema
daquele poeta amigo que não conseguiu entender
um pedido numa noite fria
e nem mesmo sabe o porque
do poema que me enviou
isso aqui não é um poema
apenas um poeta vazio
do coração até o coração

quarta-feira, 24 de junho de 2015

para walber batinga pinheiro

sou desses homens nus
do instante em que acordo
ao decorrer de todo o dia

durante também o pouco sono
seja profundo ou raso
preciso ser nu
é um estado de completude,
consciência e paz
ser nu para namorar esses desenhos
que ensaiam numa moldura

um verdadeiro balé
ultrapassando essa tela
ser nu desenha o que sou

do bom dia do meu porteiro
ao sorriso gratuito
da senhorinha pedinte na esquina

ser nu é um estado/graça ou sei lá o que
de nunca estar sozinho


quinta-feira, 11 de junho de 2015

saudade nº17

prefiro rosas amarelas, ou laranjas
de preferência, que sejam de praças públicas,
canteiros ou jardins de amigos
também
as que se esparramam sobre muros vizinhos
posso sempre me presentear
sejam amarelas, ou laranjas

não que eu não goste das outras
é que amarelo me lembra o sol,
porque de onde venho

o ano inteiro é verão.
e o laranja, o laranja
o laranja me remete todo dia
de volta ao meu sertão

terça-feira, 19 de maio de 2015

desapego

nesse querer torto que existe em mim
cambaleiam os sonhos de vagabundo
do querer
do ir não ir, sair do lugar
não estando em lugar algum
esse corpo aí é só um corpo
claro que durmo maravilhosamente só

todas as noites
o outro extremo do meu cordão umbilical
que de fato era eu,  apenas eu
não me visita mais as 04h
solidão é isso
o resto é resto

segunda-feira, 13 de abril de 2015

plenitude


o que me deixa feliz em ser torto é que, nenhuma opinião alheia sobre o que uso, visto, calço ou consumo me atenta. eu sou chiqui é de natureza, é da minha essência e do meu estado de espírito ser chiqui. a marca da calça que uso e que nunca custa mais que R$40,00 não me faz mais ou menos bonito. eu nasci lindo por completude. as camisas que compro e nunca me custam mais que R$30,00 ficam tão lindas em mim quanto as de R$100, R$200,00 ou até mais cara, que tantos se prendem em consumir por achar que serão mais observados. quando eu nasci dona tereza disse "como é lindo esse meu cabelo de algodão" e porque me atentaria as opiniões adversas que quase nunca traz o real valor do que sou? adoro me olhar no espelho, perceber essa minha beleza que imperceptível para alguns, incomoda muito esses mesmos alguns. o meu perfume de R$15,00 é só um detalhe porque a minha fragrância natural de tão maravilhosa que é, não se encontra nessas lojas e revistas. dona tereza me beijava todos os dias e dizia; "a sua pele macia". então porque pagarei mais que R$20,00 num creme corporal? adoro me olhar no espelho. não sinto falta da moto que tive que vender para pagar dívidas e nem tão pouco do carro, me faz falta mesmo são aqueles beijos inteiros não dados. eu não dependo de outros para existir, o meu travesseiro me conforta todas as noites e durmo, mesmo que por poucas horas, tão confortavelmente. o único bem que me interessa é ser lembrado bem pelos amigos quando eu partir. e nada mais. não necessito de terapias e tão pouco crio personagens de autoafirmação para mim. é simples. sei quem sou, o que sou e para onde quero ir.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

"Outras Pelejas" - nosso novo livro

queridos amigos, nosso novo livro já está a venda.

"outras pelejas"
80 páginas
Editora Catrumano
ISBN: 975.85.64471.32.0


pedidos: 
catrumano@catrumano.com.br
poetajurandir@gmail.com

 
R$20,00 (frete incluso)



terça-feira, 31 de março de 2015

Homenagem - Placa Cândido Canela


eu não sei dizer, só sei sentir...


Ainda sob o efeito anestésico que foi receber a “Placa Mérito Cultural Cândido Canela”, celebração compartilhada com tantos amigos e familiares, quero neste momento agradecer a todos os presentes. Amigos e vereadores. Todos sabendo o quanto sou tímido, no momento da minha fala, que já havia tentado fazer um ensaio e tentado decorar um texto de agradecimento, me deu um branco total. É assim, sou assim, se me apontam uma câmera e um microfone, fico completamente travado e mais tímido ainda. Queria ser o João Aroldo nesta hora, o vagabo fala bem demais, numa dicção perfeita e senhor de toda uma calmaria. Eu não, sou tenso e as palavras me somem. E quase sempre choro!
Quero neste momento agradecer aos amigos, muitos, que não vejo a 10, 20 ou 30 anos, mas que foram responsáveis pela construção do que sou hoje. Primeiramente agradeço a Dona Tereza que me deu a vida e daria sua vida por mim. Agradeço ao Ronaldo, filho de Dona Raimunda que morava ao lado do hospital Clemente Faria e onde é hoje a Drogaria Minas Brasil. Ronaldo me presenteou com mais de 30 livros entre os meus 05 e 07 anos de idade. Perdi o contato e nenhum notícia tenho à 30 anos dele e de sua família. Agradeço ao parceiro Wagner Black da Kazza do Livro que conheci no fim dos anos 80 e, eu garoto sem nenhum troco no bolso, diariamente me emprestava os livros do seu sebo (o sakana me emprestava todos os livros mas não me deixava folear as revistas pornôs). Agradeço as minhas professoras Tia Solange (primário), Tia Graça (1ª série), Tia Pretinha (2ª e 3ª série) e Tia Adeir (4ª série), que verdadeiramente me ensinaram, todas na Escola Estadual Zinha Prates. Pedindo a Deus que elas estejam bem. Agradeço a Afrânio Botelho que me conhecendo tímido, me empurrou para o cenário literário. Agradeço a Dulce Veloso pelo carinho e paciência na tentativa de me fazer ator de teatro mas que me facilitou para a poesia. Agradeço a nossa saudosa poeta Carlita Guimarães que virou estrela. Carlita foi a primeira incentivadora e quem primeiramente lia os meus poemas quando garoto. Agradeço ao Eduardo Brasil e ao Artur Jr. pois ambos contribuíram para o meu tesão pela arte. Agradeço os amigos Augusto Gonzaga, Eustáquio e Wandaick Santos, amigos e funcionários do Centro Cultural Hermes de Paula, em Montes Claros, que tanto me ajudaram. Quanto ao João Aroldo Pereira creio que nem preciso cita-lo pois é sabido por todos o meu carinho e paixão por ele, companheiro de todas as primeiras horas. Quero agradecer aos amigos que partiram para o cosmo; Gabriel Cardoso, Igor Xavier, Celio Ferreira, Cori Gonzaga, Tiãozinho (nosso palhaço Piruá), Penninha, José Belem Filho... Amigos de quem absorvi muita coisa boa e me proporcionaram tantos bons momentos.
Agradeço os meus filhos Ana Clara, Maíni, Ana Victória, Ana Flor, Ítalo e Luã por me fazerem imortal. A minha irmã Lidia que mesmo entre tapas é beijo, é a minha família. A minha gratidão ao saudoso Peré (jornalista), que sempre estava pronto e solícito para divulgar nossos trabalhos entre os anos 1990 e 2010. Agradeço ao amigo querido e irmão de fé, Werley Pirapora, ser humano lindo e querido. Agradeço a poeta amiga Marlene Bandeira que tornou-se o meu útero e minha segunda morada, após a morte de Dona Tereza. Agradeço os amigos que estiveram presente na cerimônia e entrega da Placa, abrindo mão de parte de suas obrigações do cotidiano para estarem comigo e celebrarem comigo o momento. Por último, não porque ela seja a última mas, sendo a última terei mais oportunidade de acentuar sua importância, valor e luz sobre mim, Luzinete Sousa, companheira de estrada, sonhos, luas e lutas, obrigado por me fazer tão bem e por tão bem cuidar de mim mesmo sendo eu esse cara chato e nada paciente pra tudo e pra vida.

Meu carinho, gratidão e respeito a todos.

sábado, 21 de março de 2015

para paulo sérgio

não serei o seu herói
assim como não fui herói de ninguém
aliás,
nunca fui porra nenhuma
o desenho que caminha, e me deixa triste
esse adeus que teima em se  aproximar.

é claro que te amo
só assim
consigo viver nesse curral de concreto
existo nesse seu beijo
onde me acabo

sempre que retorno a montes claros
um neto torto

um avô completamente torto
poeta sem salvação.
apenas lembre-se,
poderá me encontrar, sempre
nas linhas tortas e nas palavras perdidas

terça-feira, 10 de março de 2015

porto, colo e bandeira

para marlene porto bandeira


cavalo manco
que só funciona no tranco
perdido até no compasso da respiração
sem ritmo para os bailes da vida
um poste sambando em plena avenida
girassóis sobre a estante
decorando a derrota,
criança resistindo a teimosia

agarrado em recordações
das cenas de montes claros
da amiga de montes claros

que foi porto no adeus da maior
é claro que te amo
na mesma intensidade que o cheiro
do arroz com pequi que me serve
em sua cozinha tão pequena
nesses seus pratos tão grandes e rasos
é claro que te amo tão completamente
que a dor que deveras sinto em meu peito

se alivia com a sua presença
até mesmo quando choro, aos prantos
com você me abraçando.
sei que tereza lá de cima, se emociona
se encanta e te agradece
por tão bem fazer a mim

quarta-feira, 4 de março de 2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

para jack kerouac



poesia é a luta
poesia é o pão
poesia é o suor
poesia é o dia
poesia é a noite
poesia é viver
poesia é o parto
poesia é o luto
poesia é o mote
poesia é a morte
poesia é a carne
poesia é o sangue
poesia é o gozo
poesia é a saliva
poesia é a privada
poesia é o existir
poesia é o sorriso
poesia é o gemido
poesia é a punheta
poesia é a siririca
poesia é o beijo
poesia é o abraço
poesia é o olhar
poesia é o silêncio
poesia é o berro
poesia poesia poesia
poesiar

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

josé geraldo mendonça júnior

para peninha
 

quero dizer que te amo
não na força da carne
te amo na essência ingênua que traz
em seus olhos
na poesia universal que te domina.
você brinca
você sorri
e a poesia sempre ali
presente no homem-menino
você é poeta
eu sou poeta
e invejo a sua criação e obra
fala muito solto e sem timidez
dos temas amores, sorrindo
talvez seja esse o segredo
ser menino na poesia

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

elevação

a vagina nua,

sem nenhuma grama em seu jardim
senti no ar
todo o calor de um pau ansioso.

lábios carnudos de quem conhece
tão bem

e tão à fundo a vida.

a fome eleva a textura da pele
pupilas dilatadas denunciam tudo
a respiração
a pressão sanguínea
a boca seca
aquele pigarro na garganta
denunciam o que vem a seguir.
hora de tomar banho

domingo, 21 de dezembro de 2014

são jurandir

valei-me santo da castidade
padroeiro dos punheteiros
das trepadas mal dadas
dos erros não arrependidos
e das tantas homenagens à estranhas.
tudo é possível/per-mi-tí-vel
quando é o comum acordo
meu deus, que benção essas pernas arreganhadas
aquele beijo aguardado até hoje
pode ficar para depois
esta noite sou só animal

domingo, 7 de dezembro de 2014

sagrado


sagrado seja o amor
até mesmo o amor não correspondido
sagrado seja aquele que não desistiu
sagrado sou pelo que acredito

sagrado é aquele que aguarda,
sagrado é a fé
sagrados não olham para trás
sagrada é a música que te faz lembrar
sagrado o lápis e o papel
que me permitem te desenhar

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

um beijo para manoel de barros


o manuel se foi,
menos um para somar
sobre a minha estante, distante um metro de mim

um dos seus livros que comprei a quase 6 meses
ainda não li
não lerei agora
lerei lá para setembro do ano que vem
manoel, meu vice-herói
foi se encontrar com o meu herói elthomar
numa dessas esquinas de nuvens brancas
um beijo Manoel
outro beijo para elthomar

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

ritual

preparando o meu corpo cansado e saudoso
numa caminhada rumo a minha cama
e se Deus me permitir
ter uma boa noite de sono, e no mais profundo
te aguardar em meus sonhos

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

assim,

não há muito mistério
ou mágica
para me fazer sorrir ou chorar
podem me falar de meus exs amores
comentarem sobre minhas derrotas
exaltarem os meus fracassos
ou elogiar os meus inimigos.
nada disso me toca, completamente indiferente.
para me fazer chorar é muito simples,
me fale de tereza
me pergunte por tereza
toda dor e saudade existirá em meus olhos
e nada, mas nada mesmo
conterão as minhas lágrimas.
para me fazer sorrir é também tão simples
basta me falar de tereza
me perguntar por tereza
e todo um sorriso nascerá em meus lábios
olhos, alma
e nesses exatos momentos
vivo

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

urgência;

não sei se é em decorrência da idade, ou depois de quase ter partido dessa pra pior...
mas ando com tanta sede em ser feliz.
um desenho simples mas distante da palma da mão.

assim;

é claro que sou feliz
mesmo dormindo e acordando vazio
não tenho tempo para sofrer
ou ser vitima da solidão,
sou abençoado
quem tem ou teve uma tereza
não viverá só, jamais.
a minha matéria prima,
sol forte, calor, lua alta, toá e cerrado
armaduras pra vida inteira
proteção e bênção de deus
para um filho torto e amado

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

começando o dia

hoje amanheci com uma vontade enorme de ser feliz
de ter alguém legal para cantar comigo
hoje amanheci tão breguinha e cafoninha
que até perdoaria a cafonice dos diminutivos sintéticos

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

teimosia

quem disse que eu desisti
daquele encontro na esquina
do beijo não dado
do amor não feito
sendo até hoje, tudo mal feito?
como desistir se os meus olhos
ainda não encontraram os seus olhos
meu sorriso não deparou-se com o seu
e feliz não fui nesses desencontros?
desistir não posso
minhas mãos te desenha nas curvas do vento
enquanto desço pela dona tiburtina
caminhando com todos os sonhos aqui dentro

segunda-feira, 14 de julho de 2014

termos do meu casamento sem data prevista

uma moça leve
negra ou branca, índia ou amarela
não precisa ser poeta
mas que saiba entender 01
não precisa ter curso superior
nem mesmo o primário
basta saber ler a minha alma.
que saiba e, naturalmente, goste de ser par
e não seja fria, uno ou umbigo.
que prefira as canções
que a vida alheia.
pode até ser vegetariana
mas que tenha apetite
para me devorar todas as noites
e depois dessas simplicidades
exijo apenas uma coisa
que seja o nosso casamento
em regime total
de comunhão de sonhos

03h:22m

saudade daquele beijo punk
nas mesmices dessas luas
recordar não é opção
não é escolha
são lembranças que surgem
na falta das motivações

sexta-feira, 11 de julho de 2014

são paulo meu amor

aqui a gente não dança
a gente rebola
aqui ninguém me ama, ninguém te ama
mas fingimos com toda maestria
aqui é fartura de transas, trepadas
e trepam o tempo todo
mas fazer amor é algo que não acontece
beijo na boca é,
lábios frios, língua sem vida
beijo numa garrafa pet
recém tirada do congelador
saudade
daquele beijo punk que dói até hoje
defunta,
não nasci para necrofilia

sábado, 5 de julho de 2014

passageiro

a vida é um caco
de telha
pedra roliça na beira da ribanceira
pedaço de horas
de um relógio quebrado
amanhã provavelmente não irá comigo
pro cosmos
o sol de agora que conta/consta
feto único sem cordão num céu de são paulo.
ninguém me esperando por lá
sozinho por cá
e agora josé?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

meu compadre meu herói

para Sivaldo Ribeiro


é claro que te amo
e nesses seus olhos tão profundos
me encontro esta manhã
não carrego em mim
nada que se compare a sua força e fé.
grita alto a saudade do seu abraço.
antigamente antigamente antigamente antigamente
eu era feliz meu herói
tereza me esperava todas as noites
e me abençoava todos os dias, bem cedinho.
montes claros não ficou para trás
retornar é doloroso
não existe fantasmas
não existe amanhã
existe é muita saudade
não estou em montes claros
não estou em são paulo
estou na íris dos seus olhos.
um beijo meu herói

segunda-feira, 17 de março de 2014

caso sério

Jovino Machado:
"_dinheiro de poesia se gasta na orgia!!!"

Jurandir Barbosa:
"_como sou poeta de nenhuma fama
sou dos que irão morrer na punheta
pois a poesia só me leva a pouca grana"

terça-feira, 4 de março de 2014

sua voz colorindo o meu silêncio, seu amor, aliviando minha dor

(para ana victória, minha filha)


te devoto em minhas loucuras
sanidades
te amo em meus erros
acertos
gratidão por suas mãos que me conduziram
quando o suicídio me convidava
você estava comigo meu amor
não me deixou sozinho
você completava 05 anos de idade.
apenas uma certeza
eu te amo todos os dias.
e uma outra certeza
a saudade todos os dias, de você

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

visão para sorri defuntos

para bel Mendes


salvem os meus heróis
eles vestem blusas amarelas
bermudas manchadas
e não cursaram letras e filosofia.
as vaginas de jamie mc cartney
me acordaram esta manhã
incondicionalmente e sem acordos
são paulo iés iés iés
não preciso dizer mais nada.
meus heróis foram para amsterdã 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

berro

para allen ginsberg


abençoado! abençoado! abençoado!
abençoado! abençoado!
abençoado! abençoado! abençoado! abençoado!
abençoado!
abençoado! o liberto do alheio
abençoado! o lavrador que mata a fome da selva de pedra
abençoado! o catrumano que todos os dias salva o presente
abençoado! abençoado! abençoado! abençoado!
o nortista e o nordestino que todos os dias constroem a nação
abençoado! o poeta que salva vidas todos os dias
abençoada! abençoada! abençoada! abençoada!
a mulher que pariu e não abortou
abençoada! santa tereza de calcutá
abençoada! santa tereza de montes claros
abençoados! abençoados! abençoados!
os barranqueiros que mantem vivo o velho chico
abençoadas! abençoadas! abençoadas!
as bandeiras do divino espírito santo,
de são benedito e de nossa senhora do rosário
abençoado! o nosso congado
abençoados! os nossos marujos e caboclinhos
abençoado! as violas que alimentam os sonhos
abençoados! abençoados! abençoados! os pequizeiros
abençoados! todos os sonhos tortos
pois fazem a vida ter sentido e rumos
abençoadas! abençoadas! abençoadas! abençoadas! abençoadas!
todas as ruas de montes claros
abençoado! o chão seco e fértil do sertão
abençoado! abençoado! abençoado! abençoado! abençoado!
o sertanejo que nunca perde a fé

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

ponto P

na curva do poema
existe um outro poema sem explicação
descompassos de respirações
fôlego tropeçando sobre letras
dois tombados, felizes
ela no poema do “A”
ele no poema do “01”
repetidamente

três anos depois
ainda não entendi aquela performance
apenas sei que foi poesia