domingo, 21 de dezembro de 2014

são jurandir

valei-me santo da castidade
padroeiro dos punheteiros
das trepadas mal dadas
dos erros não arrependidos
e das tantas homenagens à estranhas.
tudo é possível/per-mi-tí-vel
quando é o comum acordo
meu deus, que benção essas pernas arreganhadas
aquele beijo aguardado até hoje
pode ficar para depois
esta noite sou só animal

domingo, 7 de dezembro de 2014

sagrado


sagrado seja o amor
até mesmo o amor não correspondido
sagrado seja aquele que não desistiu
sagrado sou pelo que acredito

sagrado é aquele que aguarda,
sagrado é a fé
sagrados não olham para trás
sagrada é a música que te faz lembrar
sagrado o lápis e o papel
que me permitem te desenhar

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

um beijo para manoel de barros


o manuel se foi,
menos um para somar
sobre a minha estante, distante um metro de mim

um dos seus livros que comprei a quase 6 meses
ainda não li
não lerei agora
lerei lá para setembro do ano que vem
manoel, meu vice-herói
foi se encontrar com o meu herói elthomar
numa dessas esquinas de nuvens brancas
um beijo Manoel
outro beijo para elthomar

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

ritual

preparando o meu corpo cansado e saudoso
numa caminhada rumo a minha cama
e se Deus me permitir
ter uma boa noite de sono, e no mais profundo
te aguardar em meus sonhos

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

assim,

não há muito mistério
ou mágica
para me fazer sorrir ou chorar
podem me falar de meus exs amores
comentarem sobre minhas derrotas
exaltarem os meus fracassos
ou elogiar os meus inimigos.
nada disso me toca, completamente indiferente.
para me fazer chorar é muito simples,
me fale de tereza
me pergunte por tereza
toda dor e saudade existirá em meus olhos
e nada, mas nada mesmo
conterão as minhas lágrimas.
para me fazer sorrir é também tão simples
basta me falar de tereza
me perguntar por tereza
e todo um sorriso nascerá em meus lábios
olhos, alma
e nesses exatos momentos
vivo

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

urgência;

não sei se é em decorrência da idade, ou depois de quase ter partido dessa pra pior...
mas ando com tanta sede em ser feliz.
um desenho simples mas distante da palma da mão.

assim;

é claro que sou feliz
mesmo dormindo e acordando vazio
não tenho tempo para sofrer
ou ser vitima da solidão,
sou abençoado
quem tem ou teve uma tereza
não viverá só, jamais.
a minha matéria prima,
sol forte, calor, lua alta, toá e cerrado
armaduras pra vida inteira
proteção e bênção de deus
para um filho torto e amado

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

começando o dia

hoje amanheci com uma vontade enorme de ser feliz
de ter alguém legal para cantar comigo
hoje amanheci tão breguinha e cafoninha
que até perdoaria a cafonice dos diminutivos sintéticos

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

teimosia

quem disse que eu desisti
daquele encontro na esquina
do beijo não dado
do amor não feito
sendo até hoje, tudo mal feito?
como desistir se os meus olhos
ainda não encontraram os seus olhos
meu sorriso não deparou-se com o seu
e feliz não fui nesses desencontros?
desistir não posso
minhas mãos te desenha nas curvas do vento
enquanto desço pela dona tiburtina
caminhando com todos os sonhos aqui dentro

segunda-feira, 14 de julho de 2014

termos do meu casamento sem data prevista

uma moça leve
negra ou branca, índia ou amarela
não precisa ser poeta
mas que saiba entender 01
não precisa ter curso superior
nem mesmo o primário
basta saber ler a minha alma.
que saiba e, naturalmente, goste de ser par
e não seja fria, uno ou umbigo.
que prefira as canções
que a vida alheia.
pode até ser vegetariana
mas que tenha apetite
para me devorar todas as noites
e depois dessas simplicidades
exijo apenas uma coisa
que seja o nosso casamento
em regime total
de comunhão de sonhos

03h:22m

saudade daquele beijo punk
nas mesmices dessas luas
recordar não é opção
não é escolha
são lembranças que surgem
na falta das motivações

sexta-feira, 11 de julho de 2014

são paulo meu amor

aqui a gente não dança
a gente rebola
aqui ninguém me ama, ninguém te ama
mas fingimos com toda maestria
aqui é fartura de transas, trepadas
e trepam o tempo todo
mas fazer amor é algo que não acontece
beijo na boca é,
lábios frios, língua sem vida
beijo numa garrafa pet
recém tirada do congelador
saudade
daquele beijo punk que dói até hoje
defunta,
não nasci para necrofilia

sábado, 5 de julho de 2014

passageiro

a vida é um caco
de telha
pedra roliça na beira da ribanceira
pedaço de horas
de um relógio quebrado
amanhã provavelmente não irá comigo
pro cosmos
o sol de agora que conta/consta
feto único sem cordão num céu de são paulo.
ninguém me esperando por lá
sozinho por cá
e agora josé?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

meu compadre meu herói

para Sivaldo Ribeiro


é claro que te amo
e nesses seus olhos tão profundos
me encontro esta manhã
não carrego em mim
nada que se compare a sua força e fé.
grita alto a saudade do seu abraço.
antigamente antigamente antigamente antigamente
eu era feliz meu herói
tereza me esperava todas as noites
e me abençoava todos os dias, bem cedinho.
montes claros não ficou para trás
retornar é doloroso
não existe fantasmas
não existe amanhã
existe é muita saudade
não estou em montes claros
não estou em são paulo
estou na íris dos seus olhos.
um beijo meu herói

segunda-feira, 17 de março de 2014

caso sério

Jovino Machado:
"_dinheiro de poesia se gasta na orgia!!!"

Jurandir Barbosa:
"_como sou poeta de nenhuma fama
sou dos que irão morrer na punheta
pois a poesia só me leva a pouca grana"

terça-feira, 4 de março de 2014

sua voz colorindo o meu silêncio, seu amor, aliviando minha dor

(para ana victória, minha filha)


te devoto em minhas loucuras
sanidades
te amo em meus erros
acertos
gratidão por suas mãos que me conduziram
quando o suicídio me convidava
você estava comigo meu amor
não me deixou sozinho
você completava 05 anos de idade.
apenas uma certeza
eu te amo todos os dias.
e uma outra certeza
a saudade todos os dias, de você

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

visão para sorri defuntos

para bel Mendes


salvem os meus heróis
eles vestem blusas amarelas
bermudas manchadas
e não cursaram letras e filosofia.
as vaginas de jamie mc cartney
me acordaram esta manhã
incondicionalmente e sem acordos
são paulo iés iés iés
não preciso dizer mais nada.
meus heróis foram para amsterdã 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

berro

para allen ginsberg


abençoado! abençoado! abençoado!
abençoado! abençoado!
abençoado! abençoado! abençoado! abençoado!
abençoado!
abençoado! o liberto do alheio
abençoado! o lavrador que mata a fome da selva de pedra
abençoado! o catrumano que todos os dias salva o presente
abençoado! abençoado! abençoado! abençoado!
o nortista e o nordestino que todos os dias constroem a nação
abençoado! o poeta que salva vidas todos os dias
abençoada! abençoada! abençoada! abençoada!
a mulher que pariu e não abortou
abençoada! santa tereza de calcutá
abençoada! santa tereza de montes claros
abençoados! abençoados! abençoados!
os barranqueiros que mantem vivo o velho chico
abençoadas! abençoadas! abençoadas!
as bandeiras do divino espírito santo,
de são benedito e de nossa senhora do rosário
abençoado! o nosso congado
abençoados! os nossos marujos e caboclinhos
abençoado! as violas que alimentam os sonhos
abençoados! abençoados! abençoados! os pequizeiros
abençoados! todos os sonhos tortos
pois fazem a vida ter sentido e rumos
abençoadas! abençoadas! abençoadas! abençoadas! abençoadas!
todas as ruas de montes claros
abençoado! o chão seco e fértil do sertão
abençoado! abençoado! abençoado! abençoado! abençoado!
o sertanejo que nunca perde a fé

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

ponto P

na curva do poema
existe um outro poema sem explicação
descompassos de respirações
fôlego tropeçando sobre letras
dois tombados, felizes
ela no poema do “A”
ele no poema do “01”
repetidamente

três anos depois
ainda não entendi aquela performance
apenas sei que foi poesia

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

ciclo

do passado só recordações
nada sobre a pele
futuro é a certeza do pó
vago e em branco o banco do cinema
o meu cavalo de plástico não cavalga mais
nas manhãs de segunda feira.
14 abelhas e 02 pequenas borboletas amarelas
em carnaval no meu jardim
na cena que me fez sorrir esta manhã.
cheguei a me sentir deus

domingo, 24 de novembro de 2013

dó}mingo

meu coração solitário
em par com a minha alma solidária
formam um lindo triângulo amoroso
com minha carne voluntária

na violência da solidão
não sei qual é mais puto

terça-feira, 12 de novembro de 2013

buffet tabaco

celebro o meu cansaço neste café frio
expectativas das promessas não feitas
interrompem o silêncio que não desejei
segunda feira muda quando o sol nasceu
na herança de dona penha,
descansa a última letra sem melodia
música que não decorei
01 violão que nunca aprendi tocar
endorfina que não veio
era o meio beijo o beijo inteiro
descobertas não descobertas
no seu corpo afro-catrumano.
retorno ao poema inacabado
na areia branca

01 poema aos seus cabelos encaracolados

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

fia

o que mais me alegrava mesmo
era está no brilho dos seus olhos
sempre que eu chegava aos sábados
as 06h da manhã
e te pegava deitada na cama
assistindo primeiramente,
aquele sorriso enorme de contentamento
eu sempre chegando silencioso
silêncio rompido com,
_é você jurandir?
hoje eu cheguei mãe
sábado, 05 de outubro
o silêncio descoberto não é mais o meu
um corpo de 40 quilos
deixou vazio esses 06 cômodos
só menos vazio que esse 1.90
(...)
linda senhora de cabelos brancos
as 06h estarei no mais profundo do sono
será mais fácil para me visitar

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

ingenuidade

eu sou quase assim,
romântico
só um pouco mais vagabundo
quero estar escrito no seu olhar
inserido em sua pele negra
e criança sem infância que sou
de nulas lembranças
brincar  nestas curvas e vulva
percurso de 1.60
hoje, seus cabelos me conduzem

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

por ora

te deixo ir, tereza
não por opção ou por fraqueza
fica a consciência da saudade contínua
te deixo ir para que descanse e seja feliz
mesmo sabendo que não me fará feliz
essa escolha contrariada.
te liberto dessa minha tirania
da minha fraqueza em assumir que te faço mal.
continuarei com o meu chinelo de couro
com os olhos de pidão
torcendo para que existam muitas esquinas
e serão suas desde sempre
todas as flores amarelas.
se já era pouco ser poeta torto, pagão
agora de vindas sem sentido
a caneta pede um tempo
a folha em branco pede férias
as mangueiras carregadas
prometem farta safra e todas as recordações

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

para imaginar os seus cabelos

(para Ana Flor)



nasci para ser par
mesmo que um raio me parta
mineiro teimoso de beira de barranco
branco só a minha pele
menino ocre por dentro
feito de toá e não de concreto
vez ou outra, a minha poesia apenas.
sou caipira e não um pirado
bitolado no bom do sertão
sem vocação para ser maria-vai-com-as-outras
sonhando ser a xita numa selva sem árvores
nem me comem por prestação
deixo ir
fico e fico inteiro pro ano que vem.
esta noite tomo um café
imaginando como estará os seus cabelos

intervalo


num breve intervalo da saudade
ontem deu aquela saudade de namorar
de fazer amor, não
deitar, abraçar e beijar na boca
ficar assim até cansar e cair em sono profundo.
o silêncio dura três anos

24h para 30 dias


subir pela cula mangabeira é um retrato triste
circular pela vilha guilhermina tão doloroso
avistar os morrinhos são as primeiras lembranças
de eu criança te vendo sair
o seu tamanco de madeira som tão recente
nestes quase 40 anos
como os últimos beijos no quarto vermelho
a 29 dias e você não me correspondia
lábios quentes sem respostas.
não fui o seu herói
mas ontem usei aquele terno
pensando nos seus sonhos que não realizei
e para ter certeza que era eu mesmo ali dentro
usava meias que não combinavam em nada

roupa tão bonitinha decorando o triste
meu amor, vem sorrir para mim

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

orfiúvo

dizem que quando morrem as mães, os filhos ficam órfãos
o que vivo é bem além disso
me sinto amputado 
viúvo
rejeitado, 
com esse desafio de Deus 
de me fazer provar enterrar mãe e filha.
quem conhece dessa dor
solta é gargalhadas
das outras desgraças da vida.

e gente chorando porque foi abandonado pela esposa, marido, amigo, 
até pela amante que nunca foi só dele.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

a busca


ainda a pouco tomei café
naquele seu velho copo de plástico
os seus lábios não estavam lá

verdade 14


perder tereza não significa apenas perder tereza
está muito além disso
é estar sem alguém no mundo
é estar sozinho em toda a tradução de "estar" sozinho
é viver sem perspectiva
de ter alguém, de verdade, do lado
é acordar todo os dias e não ter ninguém
numa tribo de quase 8 bilhões de iguais.
perder tereza não é falar da morte de tereza
é ver morrer quem me amou por completo
quem jamais me traiu
quem dividia comigo o pingo do i
e o farelo do pão.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

diálogo com quintana


sou desses poemas sem destino
com um pires na mão
perdido nessa imensidão de gente
despercebida
despercebido
que não se iludam os que atravancam o caminho
porque ainda pulsa
esse coração de passarinho


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

matemática da ingratidão, nem poesia nem prosa

tereza que pariu 9 vezes
avó 34
04 vezes bisavó
mais feliz teria sido
se trocado tivesse feito
09 cagadas demoradas
por essas 09 trepadas amaldiçoadas
juarez, euclides, maria
eustáquio, beatriz, zezinho
aqui, bosta tem nome
jurandir, lídia, eliane
se apertarem, vão no mesmo pacote.

tereza, me diz qual a sua sina?

tereza está lá no quarto vermelho
não fala, não abre os olhos, não briga mais
aguarda apenas o sorriso de deus

            tereza de telhado tão lindo
            qual mesmo é a sua sina?

deus, sorri não
as mangueiras estão florindo
logo iremos chupar mangas

domingo, 11 de agosto de 2013

feliz dia dos pais, mãe


(para dona tereza)

meu pai tem seios murchos
caídos pela fome que me saciou
meu pai retirou seu útero
depois de ter me parido
e me levava para a escola todos os dias
que ficava a trinta metros da minha casa
meu pai não tinha nem eira, nem beira
nem um barranco para se escorar
mas me fazia dormir tranquilamente e sem medo
todas as noites ao seu lado
meu pai nunca curtiu usar batom ou brincos
mas tinha uns tamancos que me assustavam
meu pai sempre foi bem franzininha
mas ficava enorme se alguém me assustava
meu pai sempre foi uma grande mulher
mãe, parabéns pelo seu dia!


terça-feira, 30 de julho de 2013

olhando uma linda mulher dormindo


(para minha filha ana clara)

não escrevo para falar dos seus olhos azuis
nem dizer dos seus cabelos loiros cacheados
como também não escrevo
para falar da seu pele alva
pois a sua beleza
é o que menos me encanta em você
e o que menos lhe faz justiça quanto ser.
sou verdadeiramente imortal é nessa sua voz rouca
sou completo é nesses seus olhos grandes
e nessa sua timidez tão profunda
onde se esconde a minha carga genética.
eu te amo não pela biologia
mas por conseguir todas as manhãs
me surpreender tão feliz por ser tão humana,
pelos seus beijos
sempre tão gratuitos quando nos encontramos
e essas suas juras de amor,
me Deus, como me faz bem isso,
como me destrói tão gostosamente.
escrevo não para exaltar sua beleza
escrevo para te exaltar como filha
dorme meu amor,
sonhe com os seus encantos de mulher adolescente
e ao acordar pela manhã
 lembre-se que eu te amo

sexta-feira, 19 de julho de 2013

filme em preto e branco, e vermelho


nesta manhã desbotada jeans azul
traçado pelas traças como a linha da palma
puído nasce o dia cor-rompendo a noite
sol meio-posto em meio aos montes.
sem lastro para um filme
nem para cara de pau nasce o vagabundo
cara vermelha como o saldo
inspirado na marca do batom
na gola da frente
crime na manga da transeunte ao lado

sábado, 6 de julho de 2013

se chamava herói


quero um pedaço dos teus passos
um compasso dos seus tropeços
joelhos que não se curvaram
céu estrelado de todas as noites
esse cavalo não tinha marcha ré
não trotava sobre flores
sua trilha se chamava vandré
corajoso cavalo de fronte sem fronteiras
ia sempre a frente
era o meu cavalo de plástico preferido
morreu sem medo
salvou 01 mundo

sexta-feira, 5 de julho de 2013

contr(a)mau


contr(a) regra
contr(a) passo
contr(a) fluxo
contr(a) tino
contr(a) tempo
contr(a) acordo
contr(a) marca
contr(a) mão
contr(a) limitação
contr(a) ócio
contr(a) love
contr(a) intimidação
contr(a) cópia
contr(a) rendição
contr(a) (c)ontra

manifesto


(para Maria Maia E Almeida)


entre montes claros e são paulo
existe a dimensão entre um parto
e um óbito,
remoer
(re)morrer
nesses músculos faciais mortos
que caminham contrários
enquanto sigo pela avenida paulista.
 (re)vivendo consolação abaixo
helena elis em meus ouvidos
manifesto natural que estou vivo
(re)escrevendo os seus olhos
na palma da minha mão


domingo, 23 de junho de 2013

eu amo Jurandir


eu acredito nesses olhos caídos
nessas mãos inquietas
nesse jeito torto de andar
e ser
confio nesses passos largos
nesse caminhar apressado
nesses pés 42 comportando 1,88
de muita mansidão. quase sempre
acho lindo essa timidez do sertão
procurando sempre algo pelo chão
mesmo que não tenha perdido nada
nem queira encontrar nada
gosto dessa fé que alimenta
em você
no próximo
em tudo que existe e pulsa
mesmo quando perde o próprio caminho de casa

segunda-feira, 27 de maio de 2013

salve-me ana cristina cesar


eu gosto é disso
de letras pequenas
frases curtas e sem rimas
tendem a escrever longo tudo o que não presta.
escrever longo é para poucos, bem poucos
pouquíssimos
e fim de papo.
fico puto quando me pedi
para ler e criticar as suas molezas
se digo a verdade
pronto, lá vem você fazendo greve de sexo
pernas cruzadas, lábios cerrados
só me resta é ser falso
para não ficar mais 20 dias na punheta
poetisa poetisa
antes de te mandar pra puta que pariu
vai ler ana cristina cesar e ser alguém na poesia


quarta-feira, 22 de maio de 2013

fugindo do seu imediatismo


turvos são os sonhos de esquinas
límpida e sadia é a água do meu vaso
nenhum dente à mostra
nesse sorriso indecente
no convite para os gozos
velar palavras mortas e mal enterradas
mercado em promoções
alfaces em leilões para companhias
não há nada a fazer
para salvar o girassol

sábado, 18 de maio de 2013

hino 19


eu poeta feito de margens
de erros
acertos
mas sem dar margem aos medos
é o lado bom de ser torto
confuso/bi-polar/toc/diabo-a-quatro e o escambau.
salvação é busca para miseráveis
salvo de nascença é sina do gerais

hino 18


meu chão é feito de homens
e é dessas mulheres
todas as glórias do meu sertão.
passarinho canta arretado
tem no silvo o sotaque nordestino
foi esse povo que construiu
cada metro desse chão brasileiro
minas gerais minha amante linda
ensina o que é ser gente
a este povo geladeira

terça-feira, 7 de maio de 2013

tereza de montes claros


posso facilmente desenhar tereza
usando a palma da mão
as pontas dos dedos
os lábios mordidos pelas tensões dos dias
até mesmo os meus olhos caídos
facilmente desenham tereza.
tereza é amor que não se cansa
(que nunca se cansa)
seja qual for o momento
tereza é assim
prova que cabeça e coração andam em contramão
cabelo de nuvens
memória de vento
alzaimer esquece tudo
coração de tereza não esquece
aquece tudo. e todos


sábado, 4 de maio de 2013

morrinhos, meu dna


não nasci numa capital
ufa paulistano não nasci
geraizeiro benção de meu Deus
e por provocação de Deus
quase que parede e meia com uma igreja
no cume do morrinhos.
meio certo
torto e meio
filho de cantador com lavadeira
por um lado escada sem fim
por outro lado ribanceira traiçoeira
festa era todo sábado quando tereza ia ao mercado
hoje festa
só segunda feira linda

sábado, 27 de abril de 2013

a poeta. a proposta


para o bem da humanidade e para o bem da poesia
espero que tão logo 
descubram a nada sutil diferença
entre a poeta e a poetisa.
poetisa é uma tremenda de uma siririca inacabada
mau tocada como suas letras e palavras
a poeta... ah poeta
Deus te fez para salvar a raça

quarta-feira, 17 de abril de 2013

andor-andarilho


meu andor-andarilho
brinca sempre com a caixa do correio
deixa a mesma mensagem rabiscada
seja feliz e o desenho de um barquinho
todo profeta
é lindo o meu andor-andarilho.
tem nome
não é joão não é josé
nunca tem um cachorro o acompanhando
incompleto o meu andor-andarilho
sorrir olhando pro chão
está sempre calçado com chinelos de couro
de tanto ir e vir
seus chinelos nos dizem tudo
ele nunca diz nada
apenas sorrir tão lindamente banguela

um outro sol

sexta-feira, 12 de abril de 2013

percussão para o dia D


macumba bate pino
é percussão em meu ouvido
herança da áfrica que ainda não fui
lembrança diferente do agora
é sinfonia da silenciosa e muda noite fria
lençóis limpos para ter algo limpo
sexta feira não é segunda-feira
medem-se a distância de 03 dias
léguas para sorrir.
fica uma flor adubada
com férteis fotos, livros, artigos de revistas,
e recortes de jornais.
beibe, deixo do lado da cama
o meu valente cavalo de plástico
valente todos os dias
e não apenas na segunda feira
valente adora a grama sempre fresca
ao redor da sua árvore no sapucaia.
bate beat bate pino
tão distante essas 72 horas

quinta-feira, 4 de abril de 2013

rapidinha


gosto desse dia frio de são paulo
de estranhas pessoas frias
a grande benção de são paulo
começa em minas e termina no nordeste
ô povo lindo esse
que além de progresso
trazem vida para este curral de concreto.
são paulo e seus nativos nos intervalos
ai como dói
ai como é bom

sábado, 23 de março de 2013

para karla celene campos


um discurso na ponta da língua
uma bala no dedo que aponta
é da espécie que caminha vertical
cheios deles e cênicos pelas ruas
natural é sentir medo
não são humanos, são homens
ensaios de demônios em terra santa de deus.
meus heróis morreram em vão
o meu sertão não virou mar
04 dedos e o seu curral
é  compadre daquele que não é parente
e em nada próximo, do águia de haia.
berra berra berra vaca
itaquerão é o futuro da nação
berra berra berra vaca
em 2015 acordaremos no primeiro mundo
poetas poetas poetas
a consciência é como um cu
nem todos fodidos
onde muitos nem com todo shampoo íntimo,
deixa de feder merda.

ó deus salve casa santa
ó deus salve casa santa
ó deus salve casa santa
deixai apenas os animais
oiá