...e cai a ficha que não tenho mais vinte
e um anos. e cai a ficha que não tenho mais dona tereza ao meu lado. e cai a
ficha que meus filhos cresceram e que meu netos nasceram. e cai a ficha que a flor
ainda botão não verei desabrochar. e cai
a ficha que não tenho como reverter o fator tempo e corrigir os erros que até
então me eram de prazeres. não que deseje hoje deixar de ser torto, mas nessa
manhã em que o sol não apareceu, senti saudade das luzes que não colori. e cai
a ficha e sinto falta agora dos sorrisos que economizei. aquele beijo que lhe
neguei na praça da matriz me faz muita falta nessa noite... queria que tivessem
existidos esses instantes. debruçado no baú das minhas lembranças, vou olhando
ao longe lugares e pessoas onde não
cheguei. onde não vivi. onde não deixei marcas. não desenho uma frustração,
apenas um esboço para pensar no que perdi. cabe tudo numa mão em concha. as
realizações e o saldo. o meu sapato de bico quadrado quase virgem em ser feliz
deixou por essas avenidas tão pouco pó quantas tão poucas lembranças, deles.
cabe tudo numa mão em concha. apenas queria conseguir dormir sem precisar
deixar a tv ligada em alto volume. Cabe tudo em minhas mãos em concha.
terça-feira, 31 de maio de 2016
sábado, 28 de maio de 2016
RESILIÊNCIA PUNK
o
silêncio
assusta/incomoda
mais que
05 anos de cama
vazia
o silêncio me
assusta/incomo
da
mais que joelho dobrado
sobre caroços de milho
o silêncio me assus
ta/incomo
da
mais que o
tempo perdido
o silêncio me assusta/
incomoda mais
que carrapato no saco
o si
lêncio me assusta/in
comoda
mais que
beber água com o estômago
vazio
o silêncio
o silêncio
o silêncio
silencia o ânimo
a fé
o fogo
assusta/incomoda
mais que
05 anos de cama
vazia
o silêncio me
assusta/incomo
da
mais que joelho dobrado
sobre caroços de milho
o silêncio me assus
ta/incomo
da
mais que o
tempo perdido
o silêncio me assusta/
incomoda mais
que carrapato no saco
o si
lêncio me assusta/in
comoda
mais que
beber água com o estômago
vazio
o silêncio
o silêncio
o silêncio
silencia o ânimo
a fé
o fogo
quinta-feira, 26 de maio de 2016
domingo, 22 de maio de 2016
quarta-feira, 27 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
tristeza de hoje, luta para sempre
estou
triste. assumo minha tristeza profunda por saber que “o mal, a ignorância, a
subserviência, a calhordice, o nefasto, a escrotice e interesses pessoais
sujos” derrotaram os meus sonhos, os meus anseios e por hora, as minhas lutas.
triste por saber que familiares também foram massa desse bolo podre, que amigos também foram massa desse bolo podre. essa tristeza profunda por hora não irá me silenciar, me cegar ou me fazer desistir do que acredito e vivo. me conforto e me consolo nessa certeza, na certeza do meu caráter e dos meus anseios para mim e para a humanidade.
continuarei a caminhar rente ao que era o descente e divino para dona tereza, o amor ao próximo. continuarei caminhando e sempre aberto e desejoso de amigos que compartilham e comungam dessa luta coletiva que é o bem de todos e para que todo irmão tenha o prato cheio, a universidade aberta, uma moradia e a possibilidade de existir com dignidade. quero me cercar de amigos que comungam o amor, a vida e as lutas por todos, pois, essa é a minha concepção, conceito e genealogia que ramifica o que é família.
a
solidão que percorro nessa selva de pedra, pedras cimento e pedras homens, só
me fortalecem pela busca do colo forte, do olhar encorajador, da palavra
estimulante, da mão estendida para lutas e coração coletivo para que eu possa
chamar de par.
nessa noite de insônia certeira pouco terei o que fazer, me resta orar e pedir à deus que apascente minha angústia.
nessa noite de insônia certeira pouco terei o que fazer, me resta orar e pedir à deus que apascente minha angústia.
domingo, 27 de março de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
terça-feira, 15 de março de 2016
sábado, 12 de março de 2016
interrogação
em
minhas esquinas
os vultos que antes surgiam vez ou outra
não mais me apetecem
o meu relógio não repete horas
ansiosos os meus olhos divergem
ora um ora outro
sem saber quem é aquela pessoa da esquina
que tinha pele negra, mãos macias
com quem me casei na igreja dos morrinhos
diante uma pequena flor amarela
os vultos que antes surgiam vez ou outra
não mais me apetecem
o meu relógio não repete horas
ansiosos os meus olhos divergem
ora um ora outro
sem saber quem é aquela pessoa da esquina
que tinha pele negra, mãos macias
com quem me casei na igreja dos morrinhos
diante uma pequena flor amarela
terça-feira, 8 de março de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
pra já
esse coração vazio
cabe tudo que não tive
cabe até a ousadia
de sentir a sua mão sobre a minha
não demora, vem depressa
porque a saudade é demais
mesmo porque eu nunca te vi
e essa demora só agonia
ansioso toda as noites e dias
é
muita vontade de ser feliz...
cabe tudo que não tive
cabe até a ousadia
de sentir a sua mão sobre a minha
não demora, vem depressa
porque a saudade é demais
mesmo porque eu nunca te vi
e essa demora só agonia
ansioso toda as noites e dias
é
muita vontade de ser feliz...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
diferença
dona
tereza não pesava + que 44 quilos...
dona
tereza sempre suportou os meus + de 85 quilos, sorrindodona tereza não chegava à 1,50cm de altura...
dona tereza sempre aninhou os meus quase 1,90cm
dona tereza nunca teve nenhuma estabilidade financeira...
dona tereza sempre lutou pelo pão, para que eu dormisse sorrindo
dona tereza nunca foi a escola...
dona tereza me iniciou no bê-á-bá aos 04 anos de idade...
dona tereza teve 03 amantes na vida...
dona tereza foi fiel, leal e sem igual, à mim, até o seu último suspiro...
dona tereza foi o meu poema etéreo
as outras, poemas com a duração de um gozo
dona tereza tinha os olhos pra mim
as outras, tinham olhos para o mundo
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
anseio
“nessas contagens de tempo
66 foram os meses
em que foram nulas
as chances de te encontrar.
aconteceu assim,
hoje eu acordei
lembrei que não te encontrei
na roseira amarela da esquina
e nem no bosque onde era certeiro
o canto do sabiá,
retorno
meus olhos ainda buscam”
66 foram os meses
em que foram nulas
as chances de te encontrar.
aconteceu assim,
hoje eu acordei
lembrei que não te encontrei
na roseira amarela da esquina
e nem no bosque onde era certeiro
o canto do sabiá,
retorno
meus olhos ainda buscam”
sábado, 26 de dezembro de 2015
saudade nº 07
o
silêncio no meu corpo
só não é maior que a saudade
daquela moça do sertão
que me deixou a quase 03 anos
eu que nunca guardei datas e,
andarilho que sempre fui
depois disso, sim, fiquei só
a dor que tenho no peito
é a dor de não ter para quem voltar
e ninguém para me receber
homem triste que era, mais fiquei
vivo de recordações
te aguardando em meus sonhos
sempre as 05h da manhã
só não é maior que a saudade
daquela moça do sertão
que me deixou a quase 03 anos
eu que nunca guardei datas e,
andarilho que sempre fui
depois disso, sim, fiquei só
a dor que tenho no peito
é a dor de não ter para quem voltar
e ninguém para me receber
homem triste que era, mais fiquei
vivo de recordações
te aguardando em meus sonhos
sempre as 05h da manhã
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
terça-feira, 17 de novembro de 2015
o oco (dos pés a cabeça)
sua
bolsa importada
seu sapato tal grife
sua cueca transada
sua lingerie tão sensual
sua camisa com um bordado jacaré
seu tailer com o corte perfeito
esse vestido chiquérrimo
o seu carro zero e completo
suas excursões para londres e paris
seus botox a cada cinco anos
esses seus vinhos tão caros
essas suas taças de cristais
esse perfume nada barato
esses cremes absurdamente caros
que nada lhe rejuvenesce
...esse
...essa
...tudo isso
nada preenche o conteúdo que lhe falta
seu sapato tal grife
sua cueca transada
sua lingerie tão sensual
sua camisa com um bordado jacaré
seu tailer com o corte perfeito
esse vestido chiquérrimo
o seu carro zero e completo
suas excursões para londres e paris
seus botox a cada cinco anos
esses seus vinhos tão caros
essas suas taças de cristais
esse perfume nada barato
esses cremes absurdamente caros
que nada lhe rejuvenesce
...esse
...essa
...tudo isso
nada preenche o conteúdo que lhe falta
sábado, 7 de novembro de 2015
canção para tereza
quando eu te conheci
você já me conhecia
eu chegava, você sorria
não tinha tempo ruim
que te fazia desistir de mim
desistir de me fazer feliz,
você era assim
seu sorriso iluminava os meus dias
suas mãos aliviavam minhas dores
seu colo mantinha vivo os meus sonhos
seu carinho era o sentido da minha vida
quando os seus olhos se encontravam com os meus
era incondicional, verdadeiro e puro amor
a sua boca se privava do prato
para me ter corado e farto
é claro que eu choro todo dia
a saudade
a falta que você me faz é mais forte
bem mais forte que toda força que há em mim
você já me conhecia
eu chegava, você sorria
não tinha tempo ruim
que te fazia desistir de mim
desistir de me fazer feliz,
você era assim
seu sorriso iluminava os meus dias
suas mãos aliviavam minhas dores
seu colo mantinha vivo os meus sonhos
seu carinho era o sentido da minha vida
quando os seus olhos se encontravam com os meus
era incondicional, verdadeiro e puro amor
a sua boca se privava do prato
para me ter corado e farto
é claro que eu choro todo dia
a saudade
a falta que você me faz é mais forte
bem mais forte que toda força que há em mim
domingo, 20 de setembro de 2015
avenida são paulo
(para
Mara de Aquino)
se há experiência vazia
há folhas sempre em branco
tão quão o pensamento
que me remete angustiado
esperançoso
para essa segunda feira.
avenida são paulo é uma fase
mesmo que escravo alforro
fecha os olhos para a porta da senzala
aberta
mãe neguinha arrasta
mesmo estando distante, arrasta
dimensões não rompem o cordão
isauro clausurado a qualquer hora abre os olhos
Deus existe onde o sol não descansa
imaculado o chão
imaculado o chão
imaculado o chão
senhor de toda essa saudade.
avenida são paulo, teu rabo é sujo
avenida são paulo é fase
avenida são paulo é de fases
avenida são paulo já passou
avenida são paulo sempre cheia vai morrer sozinha
avenida são paulo não existe
avenida são paulo são pernas abertas,
onde todos entram e ninguém fica
avenida são paulo come todos
mas quem come não sente saudades.
ficam dois corações
um volta para o sol
arrebentado
nessa
resistência
em
não escrever poema de amorse há experiência vazia
há folhas sempre em branco
tão quão o pensamento
que me remete angustiado
esperançoso
para essa segunda feira.
avenida são paulo é uma fase
mesmo que escravo alforro
fecha os olhos para a porta da senzala
aberta
mãe neguinha arrasta
mesmo estando distante, arrasta
dimensões não rompem o cordão
isauro clausurado a qualquer hora abre os olhos
Deus existe onde o sol não descansa
imaculado o chão
imaculado o chão
imaculado o chão
senhor de toda essa saudade.
avenida são paulo, teu rabo é sujo
avenida são paulo é fase
avenida são paulo é de fases
avenida são paulo já passou
avenida são paulo sempre cheia vai morrer sozinha
avenida são paulo não existe
avenida são paulo são pernas abertas,
onde todos entram e ninguém fica
avenida são paulo come todos
mas quem come não sente saudades.
ficam dois corações
um volta para o sol
arrebentado
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
justificativa
eu sou desses que não acerta
que não conserta
que não tem conserto
se miro – erro
se não miro – erro do mesmo jeito
tiro no escuro é o certo tiro no pé.
não acredito em mitos
porra, nasci num mês de agosto
vai ser sortudo assim lá na bomfim
nasci do lado, parede com um puteiro
enquanto a maioria das crianças ouvia
“nana neném, que a cuca vai pegar...”
eu não, comigo era menos suave
“mais... mais... para não/para não... haaaaa”
como alguém pode esperar que eu seja santo?
nem num hospital tive o privilégio de nascer
dona tereza me pariu em casa
no último degrau de uma escada
que parecia não ter fim
minha vida seguiu assim, sem rima
ladeira para ir,
ladeira para vir
olha, desisto
é crueldade demais alguém ainda desejar
que eu seja normal
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
amarelinha
a pedra no meio do caminho
é passa tempo
obstáculo é a solidão que me acompanha
pelo meu caminho inteiro
é passa tempo
obstáculo é a solidão que me acompanha
pelo meu caminho inteiro
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Mercado editorial e autores...
Mercado editorial e autores, a árdua batalha da publicação.
Muito antes de ser um aprendiz de
editor, sou escritor e conheço na pele a propriedade da batalha que é publicar
um livro. Conheço a fundo a decepção dos "nãos" e o bater da porta de
tantos editores e editoras. De ontem para hoje estive acompanhando algumas
postagens se referindo justamente a esse tema aqui no Linkedin. O mercado
editorial é o mais cruel entre todos as atividades empresariais, correm tantos
riscos os editores, autores e também leitores pois diante da dificuldade que é
publicar, tantas obras maravilhosas acabam sendo engavetas e esquecidas. O mercado foi
humanizado e socializado com o surgimento do "on demand" ou "sob
demanda" na tradução da nossa linda língua portuguesa. Falarei do "sob
demanda" um pouco mais a frente.
Creio que 85% de todos os livros
negociados sejam em grandes redes ou consumidos por programas do governo são
publicados por no máximo 5 editoras e distribuídos por 3 ou 4 grandes empresas
da área. Nessa rede de publicação, distribuição e comercialização, o único a
não correr os riscos são os distribuidores, no máximo a menor das despesas que
é a entrega e o recolhimento mas como já tem o compromisso das entregas
dos livros ditos comerciais, os recém chegados ao mercado,
autores e títulos, não agregam uma despesa considerável e são os menores entre
os fardos. As grandes editoras consomem quase que a totalidade das verbas
federais e outras, para aquisição de títulos e nessa batalha os lobistas
(agenciadores) são fundamentais. As pequenas editoras salvo casos poucos, não
conseguem vender. Livros não vendidos são prejuízos 100%. Todo o processo de
editoração, gráfico, registros e pequenas taxas são assumidos pelas editoras.
Um livro hoje numa "tiragem de risco" de 2.000 exemplares
para pesquisa e apresentação no mercado, num bom trabalho gráfico pode chegar
ao custo de R$12.000,00 apenas em sua produção, incluindo nesse valor custos
com logística e divulgação. Valor consideravelmente alto, se uma editora perder
em dez apostas em um ano, serão pelo menos R$100.000,00 reais perdidos. Uma
fábula esse valor, perda que uma pequena editora não conseguirá absorver.
O autor muitas vezes fica refém
das editoras quando fazem esses contratos de 24 meses ou mais, com uma margem
de lucros que pode chegar ou passar um pouco mais os 14% mas sempre na dúvida
de; "será que vendi só esses 14 exemplares de fato ou estou sendo
lesado?" Autores recém-ingressos nas publicações estarão sempre à margem
dos riscos e das dúvidas. Fato.
Meu primeiro livro publiquei de
forma independente em setembro de 1998 depois de ouvir sonoros nãos de
editoras, uma queria um contrato de 24 meses e com 11% de comissão, porém queria
que eu alterasse algumas expressões do livro e que recusei pois é a minha
identidade ali, aliada a minha proposta da oralidade e da plástica. Sou um
poeta que passeio entre o beat, o marginal e o concreto, jamais aceitaria tal
sugestão. Ainda sofremos essa batalha que é a imposição aos iniciantes por
parte de alguns editores. Consegui recuperar com muito trabalho 80% do valor
investido. Dos meus 04 títulos publicados, apenas um me trouxe uma razoável
rentabilidade. Um foi uma troca de seis por meia
dúzia. Dois eu perdi
pouco. Sou cauteloso com o sistema "sob demanda", mas ainda assim
considero como uma ferramenta de humanização para a realização do autor. Publicar
para mim é humanizar. Sempre oriento os autores que me procuram para publicar
nesse formato a terem muita cautela e sempre pergunto, irá usar cartão de
crédito ou possui o capital? Sempre oriento a NUNCA criarem gastos acreditando
que irão recuperar o investimento através da venda de exemplares. Um risco
enorme e a maior probabilidade é que não irá conseguir cobrir os custos com as
vendagens boca a boca. Quem tem renda pouca e paga prestações como aluguel,
consórcio e outros gastos, evitem esses riscos ou irão tirar da boca para
cobrir os custos do seu livro caso não tenha uma reserva. Se o autor ainda
assim deseja fazer o seu livro de forma independente e pensa em gastar algo em
torno de R$5.000,00 eu sugiro a cautela e invista no máximo R$3.000,00 e faça
uma poupança com o valor restante. Exceto para quem possui a certeza que irá
vender muitos exemplares, certeza que eu nunca tenho em relação aos meus
livros. Pensando em tiragem de 1.000 exemplares? Faça 500 exemplares e vendendo
tudo, solicite uma reimpressão. Pensando em 500 exemplares? Faça 300. A cautela
é a maior recomendação nesse mercado cruel
e concentrado em poucas editoras e poucos autores.
Se o seu livro não fala de
vampiros, zumbis e não tenham muito sexo e futilidade, as possibilidades da sua
obra ficar encalhada são enormes. Que fique claro, não escrevo com a intenção
de desanimar e desmotivar as publicações independentes, sim, como autor
compartilhar com as cautelas. Nicolas Bher, poeta genial de Brasília-DF
conseguiu vender mais de 8.000 exemplares de um dos seus livros independentes
assim como também o poeta Rogério Salgado, de Belo Horizonte-MG vem
desenvolvendo um belo trabalho independente já por vários anos, mas a luta é
dolorosa, exaustiva e que pede toda a dedicação.
Traz muito prazer, pede muita
serenidade.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
desenho para Gino, poeta amigo
ALMA SIAMESA
quero
registrar o amor
não
numa folha de papel
quero
registrar o amor na minha pele,
no
meu beijo inteiro
essa
uma alma siamesa nossa busca tão constante, procura interminável pelo desenhar
dos caminhos já percorridos e dos beijos já trocados. cada dia parece mais
distante por mais longe que nossos olhos cheguem e todos os horizontes
observados. não perco a fé mas as vezes bate aquela desesperança. mais fácil
arriar as calcas que encontrar um colo. mais fácil encontrar camas disponíveis
e rolar sobre tantos lençóis, que compartilhar um por do sol na serra do
sapucaia ou no parque ibirapuera. essa relação em regime de comunhão total de
sonhos parece existir apenas entre nós e nossos escritos, entre nossas canetas
e nossas folhas de papéis... trepar é fácil, difícil mesmo é sair de mãos dadas
pelas ruas e vislumbrar o nascer do sol, acompanhados.
p.s:
continuemos aguardando aquela trilha sonora
sexta-feira, 17 de julho de 2015
hipocrética nº09
nunca
gostei desses poemas de amor
de suas rimas artificiais
de suas lágrimas tão secas
mas as vezes cansa brindar esse vazio
o silêncio do lado
ainda mais sabendo que ninguém te espera
quando o dia amanhecer
já que a noite é um velho script decorado e repetido.
cansa celebrar esse vinho e esse vazio
tendo apenas a boca da garrada como companhia,
assim como cansa reler o poema
daquele poeta amigo que não conseguiu entender
um pedido numa noite fria
e nem mesmo sabe o porque
do poema que me enviou
isso aqui não é um poema
apenas um poeta vazio
do coração até o coração
de suas rimas artificiais
de suas lágrimas tão secas
mas as vezes cansa brindar esse vazio
o silêncio do lado
ainda mais sabendo que ninguém te espera
quando o dia amanhecer
já que a noite é um velho script decorado e repetido.
cansa celebrar esse vinho e esse vazio
tendo apenas a boca da garrada como companhia,
assim como cansa reler o poema
daquele poeta amigo que não conseguiu entender
um pedido numa noite fria
e nem mesmo sabe o porque
do poema que me enviou
isso aqui não é um poema
apenas um poeta vazio
do coração até o coração
quarta-feira, 1 de julho de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
quarta-feira, 24 de junho de 2015
para walber batinga pinheiro
sou
desses homens nus
do instante em que acordo
ao decorrer de todo o dia
durante também o pouco sono
seja profundo ou raso
preciso ser nu
é um estado de completude,
consciência e paz
ser nu para namorar esses desenhos
que ensaiam numa moldura
um verdadeiro balé
ultrapassando essa tela
ser nu desenha o que sou
do bom dia do meu porteiro
ao sorriso gratuito
da senhorinha pedinte na esquina
ser nu é um estado/graça ou sei lá o que
de nunca estar sozinho
do instante em que acordo
ao decorrer de todo o dia
durante também o pouco sono
seja profundo ou raso
preciso ser nu
é um estado de completude,
consciência e paz
ser nu para namorar esses desenhos
que ensaiam numa moldura
um verdadeiro balé
ultrapassando essa tela
ser nu desenha o que sou
do bom dia do meu porteiro
ao sorriso gratuito
da senhorinha pedinte na esquina
ser nu é um estado/graça ou sei lá o que
de nunca estar sozinho
quinta-feira, 11 de junho de 2015
saudade nº17
prefiro
rosas amarelas, ou laranjas
de preferência, que sejam de praças públicas,
canteiros ou jardins de amigos
também
as que se esparramam sobre muros vizinhos
posso sempre me presentear
sejam amarelas, ou laranjas
não que eu não goste das outras
é que amarelo me lembra o sol,
porque de onde venho
o ano inteiro é verão.
e o laranja, o laranja
o laranja me remete todo dia
de volta ao meu sertão
de preferência, que sejam de praças públicas,
canteiros ou jardins de amigos
também
as que se esparramam sobre muros vizinhos
posso sempre me presentear
sejam amarelas, ou laranjas
não que eu não goste das outras
é que amarelo me lembra o sol,
porque de onde venho
o ano inteiro é verão.
e o laranja, o laranja
o laranja me remete todo dia
de volta ao meu sertão
terça-feira, 19 de maio de 2015
desapego
nesse
querer torto que existe em mim
esse corpo aí é só um corpo
claro que durmo maravilhosamente só
todas as noites
o outro extremo do meu cordão umbilical
que de fato era eu, apenas eu
não me visita mais as 04h
solidão é isso
o resto é resto
cambaleiam
os sonhos de vagabundo
do
querer
do
ir não ir, sair do lugar
não
estando em lugar algumesse corpo aí é só um corpo
claro que durmo maravilhosamente só
todas as noites
o outro extremo do meu cordão umbilical
que de fato era eu, apenas eu
não me visita mais as 04h
solidão é isso
o resto é resto
segunda-feira, 13 de abril de 2015
plenitude
o que me deixa
feliz em ser torto é que, nenhuma opinião alheia sobre o que uso, visto, calço
ou consumo me atenta. eu sou chiqui é de natureza, é da minha essência e do meu
estado de espírito ser chiqui. a marca da calça que uso e que nunca custa mais
que R$40,00 não me faz mais ou menos bonito. eu nasci lindo por completude. as
camisas que compro e nunca me custam mais que R$30,00 ficam tão lindas em mim
quanto as de R$100, R$200,00 ou até mais cara, que tantos se prendem em
consumir por achar que serão mais observados. quando eu nasci dona tereza disse
"como é lindo esse meu cabelo de algodão" e porque me atentaria as
opiniões adversas que quase nunca traz o real valor do que sou? adoro me olhar
no espelho, perceber essa minha beleza que imperceptível para alguns, incomoda
muito esses mesmos alguns. o meu perfume de R$15,00 é só um detalhe porque a
minha fragrância natural de tão maravilhosa que é, não se encontra nessas lojas
e revistas. dona tereza me beijava todos os dias e dizia; "a sua pele macia".
então porque pagarei mais que R$20,00 num creme corporal? adoro me olhar no
espelho. não sinto falta da moto que tive que vender para pagar dívidas e nem
tão pouco do carro, me faz falta mesmo são aqueles beijos inteiros não dados.
eu não dependo de outros para existir, o meu travesseiro me conforta todas as
noites e durmo, mesmo que por poucas horas, tão confortavelmente. o único bem
que me interessa é ser lembrado bem pelos amigos quando eu partir. e nada mais.
não necessito de terapias e tão pouco crio personagens de autoafirmação para
mim. é simples. sei quem sou, o que sou e para onde quero ir.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
"Outras Pelejas" - nosso novo livro
queridos amigos, nosso novo livro já está a venda.
"outras pelejas"
80 páginas
Editora Catrumano
ISBN: 975.85.64471.32.0
pedidos:
catrumano@catrumano.com.br
poetajurandir@gmail.com
R$20,00 (frete incluso)
"outras pelejas"
80 páginas
Editora Catrumano
ISBN: 975.85.64471.32.0
pedidos:
catrumano@catrumano.com.br
poetajurandir@gmail.com
R$20,00 (frete incluso)
terça-feira, 31 de março de 2015
Homenagem - Placa Cândido Canela
eu não sei dizer, só
sei sentir...
Ainda sob o efeito anestésico que foi receber a “Placa Mérito Cultural Cândido Canela”, celebração compartilhada com tantos amigos e familiares, quero neste momento agradecer a todos os presentes. Amigos e vereadores. Todos sabendo o quanto sou tímido, no momento da minha fala, que já havia tentado fazer um ensaio e tentado decorar um texto de agradecimento, me deu um branco total. É assim, sou assim, se me apontam uma câmera e um microfone, fico completamente travado e mais tímido ainda. Queria ser o João Aroldo nesta hora, o vagabo fala bem demais, numa dicção perfeita e senhor de toda uma calmaria. Eu não, sou tenso e as palavras me somem. E quase sempre choro!
Quero neste momento
agradecer aos amigos, muitos, que não vejo a 10, 20 ou 30 anos, mas que foram responsáveis
pela construção do que sou hoje. Primeiramente agradeço a Dona Tereza que me
deu a vida e daria sua vida por mim. Agradeço ao Ronaldo, filho de Dona Raimunda
que morava ao lado do hospital Clemente Faria e onde é hoje a Drogaria Minas
Brasil. Ronaldo me presenteou com mais de 30 livros entre os meus 05 e 07 anos
de idade. Perdi o contato e nenhum notícia tenho à 30 anos dele e de sua
família. Agradeço ao parceiro Wagner Black da Kazza do Livro que conheci no fim
dos anos 80 e, eu garoto sem nenhum troco no bolso, diariamente me emprestava
os livros do seu sebo (o sakana me emprestava todos os livros mas não me
deixava folear as revistas pornôs). Agradeço as minhas professoras Tia Solange
(primário), Tia Graça (1ª série), Tia Pretinha (2ª e 3ª série) e Tia Adeir (4ª
série), que verdadeiramente me ensinaram, todas na Escola Estadual Zinha
Prates. Pedindo a Deus que elas estejam bem. Agradeço a Afrânio Botelho que me
conhecendo tímido, me empurrou para o cenário literário. Agradeço a Dulce
Veloso pelo carinho e paciência na tentativa de me fazer ator de teatro mas que
me facilitou para a poesia. Agradeço a nossa saudosa poeta Carlita Guimarães
que virou estrela. Carlita foi a primeira incentivadora e quem primeiramente
lia os meus poemas quando garoto. Agradeço ao Eduardo Brasil e ao Artur Jr. pois
ambos contribuíram para o meu tesão pela arte. Agradeço os amigos Augusto
Gonzaga, Eustáquio e Wandaick Santos, amigos e funcionários do Centro Cultural
Hermes de Paula, em Montes Claros, que tanto me ajudaram. Quanto ao João Aroldo
Pereira creio que nem preciso cita-lo pois é sabido por todos o meu carinho e
paixão por ele, companheiro de todas as primeiras horas. Quero agradecer aos
amigos que partiram para o cosmo; Gabriel Cardoso, Igor Xavier, Celio Ferreira,
Cori Gonzaga, Tiãozinho (nosso palhaço Piruá), Penninha, José Belem Filho...
Amigos de quem absorvi muita coisa boa e me proporcionaram tantos bons momentos.
Agradeço os meus filhos Ana Clara, Maíni, Ana Victória, Ana Flor, Ítalo e Luã por me fazerem imortal. A minha irmã Lidia que mesmo entre tapas é beijo, é a minha família. A minha gratidão ao saudoso Peré (jornalista), que sempre estava pronto e solícito para divulgar nossos trabalhos entre os anos 1990 e 2010. Agradeço ao amigo querido e irmão de fé, Werley Pirapora, ser humano lindo e querido. Agradeço a poeta amiga Marlene Bandeira que tornou-se o meu útero e minha segunda morada, após a morte de Dona Tereza. Agradeço os amigos que estiveram presente na cerimônia e entrega da Placa, abrindo mão de parte de suas obrigações do cotidiano para estarem comigo e celebrarem comigo o momento. Por último, não porque ela seja a última mas, sendo a última terei mais oportunidade de acentuar sua importância, valor e luz sobre mim, Luzinete Sousa, companheira de estrada, sonhos, luas e lutas, obrigado por me fazer tão bem e por tão bem cuidar de mim mesmo sendo eu esse cara chato e nada paciente pra tudo e pra vida.
Agradeço os meus filhos Ana Clara, Maíni, Ana Victória, Ana Flor, Ítalo e Luã por me fazerem imortal. A minha irmã Lidia que mesmo entre tapas é beijo, é a minha família. A minha gratidão ao saudoso Peré (jornalista), que sempre estava pronto e solícito para divulgar nossos trabalhos entre os anos 1990 e 2010. Agradeço ao amigo querido e irmão de fé, Werley Pirapora, ser humano lindo e querido. Agradeço a poeta amiga Marlene Bandeira que tornou-se o meu útero e minha segunda morada, após a morte de Dona Tereza. Agradeço os amigos que estiveram presente na cerimônia e entrega da Placa, abrindo mão de parte de suas obrigações do cotidiano para estarem comigo e celebrarem comigo o momento. Por último, não porque ela seja a última mas, sendo a última terei mais oportunidade de acentuar sua importância, valor e luz sobre mim, Luzinete Sousa, companheira de estrada, sonhos, luas e lutas, obrigado por me fazer tão bem e por tão bem cuidar de mim mesmo sendo eu esse cara chato e nada paciente pra tudo e pra vida.
Meu carinho, gratidão e respeito a todos.
sábado, 21 de março de 2015
para paulo sérgio
não serei o seu herói
assim como não fui herói de ninguém
aliás,
nunca fui porra nenhuma
o desenho que caminha, e me deixa triste
esse adeus que teima em se aproximar.
é claro que te amo
só assim
consigo viver nesse curral de concreto
existo nesse seu beijo
onde me acabo
sempre que retorno a montes claros
um neto torto
um avô completamente torto
poeta sem salvação.
apenas lembre-se,
poderá me encontrar, sempre
nas linhas tortas e nas palavras perdidas
assim como não fui herói de ninguém
aliás,
nunca fui porra nenhuma
o desenho que caminha, e me deixa triste
esse adeus que teima em se aproximar.
é claro que te amo
só assim
consigo viver nesse curral de concreto
existo nesse seu beijo
onde me acabo
sempre que retorno a montes claros
um neto torto
um avô completamente torto
poeta sem salvação.
apenas lembre-se,
poderá me encontrar, sempre
nas linhas tortas e nas palavras perdidas
terça-feira, 10 de março de 2015
porto, colo e bandeira
para marlene porto bandeira
cavalo manco
que só funciona no tranco
perdido até no compasso da respiração
sem ritmo para os bailes da vida
um poste sambando em plena avenida
girassóis sobre a estante
decorando a derrota,
criança resistindo a teimosia
agarrado em recordações
das cenas de montes claros
da amiga de montes claros
que foi porto no adeus da maior
é claro que te amo
na mesma intensidade que o cheiro
do arroz com pequi que me serve
em sua cozinha tão pequena
nesses seus pratos tão grandes e rasos
é claro que te amo tão completamente
que a dor que deveras sinto em meu peito
se alivia com a sua presença
até mesmo quando choro, aos prantos
com você me abraçando.
sei que tereza lá de cima, se emociona
se encanta e te agradece
por tão bem fazer a mim
cavalo manco
que só funciona no tranco
perdido até no compasso da respiração
sem ritmo para os bailes da vida
um poste sambando em plena avenida
girassóis sobre a estante
decorando a derrota,
criança resistindo a teimosia
agarrado em recordações
das cenas de montes claros
da amiga de montes claros
que foi porto no adeus da maior
é claro que te amo
na mesma intensidade que o cheiro
do arroz com pequi que me serve
em sua cozinha tão pequena
nesses seus pratos tão grandes e rasos
é claro que te amo tão completamente
que a dor que deveras sinto em meu peito
se alivia com a sua presença
até mesmo quando choro, aos prantos
com você me abraçando.
sei que tereza lá de cima, se emociona
se encanta e te agradece
por tão bem fazer a mim
quarta-feira, 4 de março de 2015
biografia II
(para Georgino Jorge Souza Neto - Gino)
sou pedaço do chão vermellho
do norte de minha Minas Gerais
catrumano composto de sonhos
nascido no alto de um morro
concebido no mais lindo sertão
sou pedaço do chão vermellho
do norte de minha Minas Gerais
catrumano composto de sonhos
nascido no alto de um morro
concebido no mais lindo sertão
Assinar:
Postagens (Atom)











