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segunda-feira, 13 de junho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
albina nº8
...então
albina, após atravessar todo o quintal em passos apressados para seus quase 80
anos, para diante mim e pergunta;
_ora
pois moço pueta bunito e triste, lembra-se de seu último surriso?
_ora pois albina que tanto parece uma mãe de santo nesse seu vestido branco, deve fazer muito tempo pois não me lembro dessa data mas ouve sim, muitos, seis quando nasceram os meus filhos, outros tantos com eles e outros tantos quando dona tereza me buscava na escola. _você não surri nem quando imbebeda, consegue ficá ainda mais longe e mais triste. meu finado marido quando bebia só ficava surrindo.
_seu eu tivesse tido a sorte do seu finado marido e um dia tivesse tido, uma única albina, sorriso seria o meu sobrenome
terça-feira, 7 de junho de 2016
eu te chamo tereza
(para luzinete)
dos beijos, dos gemidos, dos berros
de nenhum me recordo
não é uma opção
não é o instinto de defesa
em nenhum aconteceu a construção.
agora não, moça negra de olhos azuis embaçados
minha respiração é fruto da sua luta
a minha letra é fruto das suas lágrimas ao pé do leito
é claro que eu te amo
te amava também tereza
que lá de onde está, lá de cima ou ao meu lado
lhe é toda gratidão.
da entrada à saída
quando os médicos acreditavam que eu não sairia
dia e noite, você estava lá
meus pulmões parados, todo entubado
mas o coração sempre pulsava,
era a sua força ao meu lado
eu que sempre fui um poeta odioso das rimas
poeta das dores, dos anseios e das lutas
digo apenas
isso que bate em meu peito não se chama coração
se chama, amor e gratidão
que transcende toda a carne
mesmo quando fecho a porta
de
montes claros a são paulo
dos passados que deixei
recordação
nenhuma me acompanhoudos passados que deixei
dos beijos, dos gemidos, dos berros
de nenhum me recordo
não é uma opção
não é o instinto de defesa
em nenhum aconteceu a construção.
agora não, moça negra de olhos azuis embaçados
minha respiração é fruto da sua luta
a minha letra é fruto das suas lágrimas ao pé do leito
é claro que eu te amo
te amava também tereza
que lá de onde está, lá de cima ou ao meu lado
lhe é toda gratidão.
da entrada à saída
quando os médicos acreditavam que eu não sairia
dia e noite, você estava lá
meus pulmões parados, todo entubado
mas o coração sempre pulsava,
era a sua força ao meu lado
eu que sempre fui um poeta odioso das rimas
poeta das dores, dos anseios e das lutas
digo apenas
isso que bate em meu peito não se chama coração
se chama, amor e gratidão
que transcende toda a carne
mesmo quando fecho a porta
segunda-feira, 6 de junho de 2016
pedido nº 04
quando te encontrar
me ensine a não te perder
ainda guardo a rosa amarela
que resiste como os meus anseios,
o tempo não desidratou
me ensine a não te perder
ainda guardo a rosa amarela
que resiste como os meus anseios,
o tempo não desidratou
terça-feira, 31 de maio de 2016
cabe tudo numa mão em concha
...e cai a ficha que não tenho mais vinte
e um anos. e cai a ficha que não tenho mais dona tereza ao meu lado. e cai a
ficha que meus filhos cresceram e que meu netos nasceram. e cai a ficha que a flor
ainda botão não verei desabrochar. e cai
a ficha que não tenho como reverter o fator tempo e corrigir os erros que até
então me eram de prazeres. não que deseje hoje deixar de ser torto, mas nessa
manhã em que o sol não apareceu, senti saudade das luzes que não colori. e cai
a ficha e sinto falta agora dos sorrisos que economizei. aquele beijo que lhe
neguei na praça da matriz me faz muita falta nessa noite... queria que tivessem
existidos esses instantes. debruçado no baú das minhas lembranças, vou olhando
ao longe lugares e pessoas onde não
cheguei. onde não vivi. onde não deixei marcas. não desenho uma frustração,
apenas um esboço para pensar no que perdi. cabe tudo numa mão em concha. as
realizações e o saldo. o meu sapato de bico quadrado quase virgem em ser feliz
deixou por essas avenidas tão pouco pó quantas tão poucas lembranças, deles.
cabe tudo numa mão em concha. apenas queria conseguir dormir sem precisar
deixar a tv ligada em alto volume. Cabe tudo em minhas mãos em concha.
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