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sábado, 11 de junho de 2016

albina nº8


...então albina, após atravessar todo o quintal em passos apressados para seus quase 80 anos, para diante mim e pergunta;

_ora pois moço pueta bunito e triste, lembra-se de seu último surriso?

_ora pois albina que tanto parece uma mãe de santo nesse seu vestido branco, deve fazer muito tempo pois não me lembro dessa data mas ouve sim, muitos, seis quando nasceram os meus filhos, outros tantos com eles e outros tantos quando dona tereza me buscava na escola. _você não surri nem quando imbebeda, consegue ficá ainda mais longe e mais triste. meu finado marido quando bebia só ficava surrindo.

_seu eu tivesse tido a sorte do seu finado marido e um dia tivesse tido, uma única albina, sorriso seria o meu sobrenome

terça-feira, 7 de junho de 2016

eu te chamo tereza

(para luzinete)

de montes claros a são paulo
dos passados que deixei
recordação nenhuma me acompanhou
dos beijos, dos gemidos, dos berros
de nenhum me recordo
não é uma opção
não é o instinto de defesa
em nenhum aconteceu a construção.
agora não, moça negra de olhos azuis embaçados

minha respiração é fruto da sua luta
a minha letra é fruto das suas lágrimas ao pé do leito

é claro que eu te amo
te amava também tereza
que lá de onde está, lá de cima ou ao meu lado
lhe é toda gratidão.
da entrada à saída
quando os médicos acreditavam que eu não sairia
dia e noite, você estava lá
meus pulmões parados, todo entubado
mas o coração sempre pulsava,

era a sua força ao meu lado
eu que sempre fui um poeta odioso das rimas

poeta das dores, dos anseios e das lutas
digo apenas
isso que bate em meu peito não se chama coração

se chama, amor e gratidão
que transcende toda a carne
mesmo quando fecho a porta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

 

 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

pedido nº 04

quando te encontrar
me ensine a não te perder
ainda guardo a rosa amarela
que resiste como os meus anseios,
o tempo não desidratou

terça-feira, 31 de maio de 2016

cabe tudo numa mão em concha


...e cai a ficha que não tenho mais vinte e um anos. e cai a ficha que não tenho mais dona tereza ao meu lado. e cai a ficha que meus filhos cresceram e que meu netos nasceram. e cai a ficha que a flor ainda botão não verei desabrochar.  e cai a ficha que não tenho como reverter o fator tempo e corrigir os erros que até então me eram de prazeres. não que deseje hoje deixar de ser torto, mas nessa manhã em que o sol não apareceu, senti saudade das luzes que não colori. e cai a ficha e sinto falta agora dos sorrisos que economizei. aquele beijo que lhe neguei na praça da matriz me faz muita falta nessa noite... queria que tivessem existidos esses instantes. debruçado no baú das minhas lembranças, vou olhando ao longe  lugares e pessoas onde não cheguei. onde não vivi. onde não deixei marcas. não desenho uma frustração, apenas um esboço para pensar no que perdi. cabe tudo numa mão em concha. as realizações e o saldo. o meu sapato de bico quadrado quase virgem em ser feliz deixou por essas avenidas tão pouco pó quantas tão poucas lembranças, deles. cabe tudo numa mão em concha. apenas queria conseguir dormir sem precisar deixar a tv ligada em alto volume. Cabe tudo em minhas mãos em concha.