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quinta-feira, 30 de junho de 2016

albina nº14

...albina continua com suas indagações que sempre acabam em um grande momento filosófico e convidativo para uma reflexão. com seus olhos recém-saídos dos meus, olha agora mais longe do que antes e diz;

_não mudamos por pessoas pueta, mudamos por nós. as pessoas mudam por elas. mudamos para o nosso conforto e consciência, qualquer que seja a relação, social ou familiar... o triste pueta é o apego ao imediato que nunca constrói pontes. raramente pensamos nos janeiros á frente mesmo tendo tantos janeiros passados, ruins, como exemplo.

nada mais me resta além de soltar um meio sorriso diante essa faca afiada que cabe tão bem em mim.

terça-feira, 7 de junho de 2016

eu te chamo tereza

(para luzinete)

de montes claros a são paulo
dos passados que deixei
recordação nenhuma me acompanhou
dos beijos, dos gemidos, dos berros
de nenhum me recordo
não é uma opção
não é o instinto de defesa
em nenhum aconteceu a construção.
agora não, moça negra de olhos azuis embaçados

minha respiração é fruto da sua luta
a minha letra é fruto das suas lágrimas ao pé do leito

é claro que eu te amo
te amava também tereza
que lá de onde está, lá de cima ou ao meu lado
lhe é toda gratidão.
da entrada à saída
quando os médicos acreditavam que eu não sairia
dia e noite, você estava lá
meus pulmões parados, todo entubado
mas o coração sempre pulsava,

era a sua força ao meu lado
eu que sempre fui um poeta odioso das rimas

poeta das dores, dos anseios e das lutas
digo apenas
isso que bate em meu peito não se chama coração

se chama, amor e gratidão
que transcende toda a carne
mesmo quando fecho a porta