sábado, 8 de dezembro de 2012

ficção


o meu rádio quebrado amanheceu
com saudade das nossa canções de ontem
cd’s piratas que faziam seus cabelos anelados voarem
hoje não emocionam
nem aquele outro  fio largado no canto do lençol.
porque esse conservado em minha carteira
so me gera a dúvida;
deixa-lo ir com a enxurrada da chuva
ou deixar onde está
já que não incomoda ninguém.
so a mim


sábado, 1 de dezembro de 2012

meia noite para o cinema


estrada que segue
lua que vigia
assovios para fazer companhia
o jazzman na esquina
tereza no coração
montes claros no café da manhã
avenida paulista é uma negra linda
sem reencontro
com o cabelo anelado dos sonhos
um relógio e um canteiro
um isqueiro para aquecer
rivotril para sorrir entre os semáforos
e não desanimar nas faltas de placas
vire a esquerda,
diz o desenho na placa da esquina
nada maior que o tamanho desses passos


sábado, 24 de novembro de 2012

completude


tem gente que sonha em ser herói
eu, sonho em ser humano

feito

(para Eduardo Madureira e Fabio Neves)


você é feito de morro
de cascalho e toá
tem a benção da mão calejada
e corpo tombado para ajudar.
você é feito de sol
tem olhos de telhas trincadas ao luar
tem o longo feixe de luz
traz para perto o infinito.
você é feito de sertão
seu patuá é a sua pele rachada como o meu chão
veio sob o signo do catrumano
não se acaba na primeira estação

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

recado


meu amor além da ponte
amor além de agora
amor do tudo simples
com gosto de manhã ensolarada.
ainda chego
levo planos tortos
e fotos amareladas pelo tempo
de recente não levo nada
os sonhos são antigos
as roupas são puídas
mas chego inteiro
de corpo e alma

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

logo


vou voltar para Montes Claros
de onde eu nunca saí
onde meu amor maior me espera
cabeça de vento, sorriso banguela
volto logo, semana que vem.
vou voltar pra montes claros
onde cada esquina tem um João
de abraços Pereiras
de beijos Almeidas
da Tereza dos meus olhos.
dessas ruas, desse povo
como disse Graciliano em sua hora
montes claros, já sinto saudades 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

recordar

tem um cheiro em minha pele
não o do meu dia a dia
cheiro de pele negra
e um fio de cabelo encaracolado em meu peito.
tem uma moça negra em meus olhos
e na palma da mão a textura de ontem
enquanto a língua
guarda a última gota do gozo da manhã
tem uma moça negra no meu lado esquerdo do sonho

domingo, 4 de novembro de 2012

calhamaço


se o meu corpo aguentar
amanhã estarei à mesa com o olhar de hoje
cansado
e dos ontens.
deixo aberto sobre a mesa o livro sagrado
o álbum com retratos dos meus dias
pedras, pedras, pedras
sonhos de cavaleiro sobre cabo de vassoura
peão sem cavalo
solitário grafite sem papel.
coração de toá, terra rachada
sem alforria, confesso do anseio do colo
rebuscado no silêncio dos meus sonhos

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

o que tenho pra hoje


tem dia todo dia que é assim
acordo e vivo o passado
da esquina até a reta a sumir de vista
do início do seu beijo
até as pontas dos seus cabelos.
não que eu faça gosto disso
é o que tenho para ser feliz hoje

terça-feira, 18 de setembro de 2012

a vácuo


é uma vazio que toma
um não querer querer
subir escadas quando não quero nem chegar a porta
ontem que foi hoje e será amanhã
e ouvir que eu construo paredes
é a pior parte dos dias.
pontes sem serventias

sábado, 15 de setembro de 2012

biografia

nasci numa manhã de terça feira
a 10 metros da igreja dos morrinhos em montes claros
dia de são bartolomeu
tereza paria seu 9º em casa

enquanto juscelino era o centro do velório.
nasci torto
da coluna ao pau
olhos caídos de pobre pidão
tereza dos peitos murchos
com 6 meses foi feijão
assim forjado a ferro
do espírito aos colhões

mesmice

esse aperto no peito
não cabe na palma da mão
começa no vazio esquerdo da cama

se completa no silêncio dos anos.
um desenho de ontem, e hoje
no porta retrato de amanhã


regressão

nesses dias dos desencontros
resta lembrar
da flor amarela
frente à igreja dos morrinhos.
era um flor pequena, rasteira
suficiente para ser eterna

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ave teresa

ave teresa que se lembrou
ave teresa que me ligou no dia seguinte e chorou
ave teresa que 36 anos antes
me levou 09 meses
no útero
no sorriso
nas dores
no seio
nos sonhos.
ave teresa que me abraçou quando falei do meu amor
ave teresa nas suas mãos sempre estendidas
nos seus lábios sempre me oferecidos
ave teresa do olhar acolhedor.
ave teresa quando me deixou ir
ave teresa que sempre me recebeu
ave teresa pelo prato suado
ave teresa que sempre me fez
mesmo com o corpo muito cansado.
ave teresa de aries, ranzinza e arisca
ave teresa do coração maior que as suas dores.
ave teresa de montes claros

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

para dizer que estou voltando

meu amor é de pedra
tem cheiro de concreto
e olhos de moça virgem
é branca, é negra
deixa a vizinhança toda ouriçada
quem nela entra, nela deseja ficar
meu amor tem nome e sobrenome
aí que saudades de Montes Claros

terça-feira, 29 de maio de 2012

porque é fato - os bons irem antes

ficamos orfãos muito jovens. não conheci renato russo pessoalmente, não dei um abraço no tim maia, não fui a nenhum show do queen, não tive um dedo de prosa com a cássia eller, não dancei com igor xavier, não fiz outra viagem com celinho ferreira, não deu tempo de transar com nenhuma das namoradas do gabriel cardoso, não fui entrevistado por reginauro silva, não produzi nada com aline luz...
elthomar santoro, me abandona não meu herói preferido.

ficamos orfãos muito jovens.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

registro

quero registrar o amor não numa folha de papel.
quero registrar o amor nos meus lábios
nas minhas mãos
em meus olhos
na minha pele
nas minhas narinas.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

so para relembrar

avenida francisco morato
é testemunha desse ensaio
não aponto dedos sem motivo
não guardo beijos por devoção
não estive em moçambique
não aprendi a te esquecer
continuo vadio
só não me fiz puta por dinheiro
nem por testamento
meus acordos são desacordos
a minha rima
rima com se foder
não me conformo/não vou pra casa
com um nó na garganta
a minha estrada não te cabe
pois não te cabe a minha lua
meu amor eu não sou louco
adjetivo sonhador
pedras na lagoa matam tubarões
brasília nada arranha
sou filho de tereza
e inimigo do capeta
estou longe de ser santo
punheteiro de mão cheia
o meu silêncio não tem preço
cortesia o meu escracho
nunca fui mal humorado
não fico sorrindo como um retardado
me prove que 1 + 1 é 2
e tudo fica em paz

domingo, 27 de novembro de 2011

não se esqueça das rosas amarelas

foi a sua mão em meu ombro
o suficiente
para me fazer esquecer o recinto
quando eu já queria ir.
elthomar o meu amor não tinha cantado
não vi quando terminou
minhas mãos tão ousadas
chegaram ao seu rosto
o que não premeditei 10 meses atrás
ontem foi 07
que foi 10
que não chegou a se cumpri a promessa
naquela noite de sábado sem padres e testemunhas
os seus cabelos ainda traçam mapas em minha sina
enquanto as linhas das minhas mãos
orientam a igreja da rosa amarela
jânio o meu herói foi jurandir
quando eu já não poderia chegar aí.
01 buquê de rosas amarelas no lixo

ação

sábado, 19 de novembro de 2011

cabe tudo numa mão em concha

e de repente descubro que não tenho mais vinte e um anos, que não tenho como reverter o quadro fator tempo e corrigir os erros que até então me eram de prazeres. não que deseje hoje deixar de ser torto, mas nessa manhã em que o sol não apareceu, senti saudade das luzes que não colori. não necessariamente precisava ter prismas, apenas queria que tivessem existidos esses instantes. debruçado sobre a janela do porão da minha cabeça, vou olhando ao longe  lugares e pessoas onde não cheguei, onde não vivi e onde não deixei marcas. não desenho uma frustração, apenas um esboço para pensar no que perdi. cabe tudo numa mão em concha. as realizações e o saldo. o meu sapato de bico quadrado quase virgem em ser feliz deixou por essas avenidas, tão pouco pó quantas tão poucas lembranças, deles. cabe tudo numa mão em concha. apenas queria conseguir dormir sem precisar deixar a tv ligada em alto volume.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

à francesa

era você saindo e não percebi
não ouvi o bater da porta
na lama do quintal de ontem
nem pegadas ficaram pela manhã
mais sutil que a sua chegada
foi a sua saída
moça, não sabia que é francesa
não sei se foi bom o ruim
o bilhete que você não deixou
caído pelo chão
por sorte não tenho portas ao fundo
por sorte não tenho muros também
apenas mãos abertas
e um jardim que não tem fim.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

coisinhas de ontem

para renato russo

a era dos galhos
sorrisos
a era das folhas
olhares
a era da sombra da copa
o vulto
a era da grama
os corpos.
na pele do tronco
o entalhe da promessa
no silêncio da noite
o beijo
nas folhas do caderno
as iniciais
na canção de pensar no outro
tim maia
por debaixo da porta
a carta
...
e era para ser para sempre
mas o sempre sempre acaba.

sábado, 29 de outubro de 2011

oração para os novos dias

para lorena ely pereira barbosa  


do meu degrau de todas as tardes
olhos além de fronteiras
onde não á muros, a vida
cantamos então para quebrar os muros.
o meu pé esquerdo sonha com a esquina

o direito apenas sorri
bendita a loucura
so essa para salvar o mundo.
deixe a sua voz equilibrar o meu eixo.

Se encontrarão todos os homens no céu?
se depender de asas não irei
pois não me cabem como pecador
não entendo o porque de anjo não ter sexo
se numa cama é tão divino, imagina nas nuvens?
quero mesmo é ser um anjo vagabundo
a desencaminhar anjas com nuvens pubianas.
do outro lado da rua

uma gestante
sem perceber motiva os meus dias
desce tão linda e não conheço.

vem lorena, sente-se aqui
maiakovski te chama

cante uma canção pra mim.

sábado, 22 de outubro de 2011

Província da selva de pedra


06h
o amante pula o muro da casa vizinha
07h
Geme a porta da casa vizinha
08h
Um salto alto se despede da casa vizinha
09h
Um carro estaciona na casa vizinha
10h
O telefone toca na casa vizinha
11h
Risadas ecoam na casa vizinha
12h
os malditos falam em voz baixa

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

esboço para sonhar grande

a flor – no barranco
o sorriso – no tranco
o convite – no banco

o olhar – no bolso
a mão – na carteira
o encanto – na grife
nãonosjoguedaponte
a lua – que nos come
uma canção – o gozo
um esbarrão – eternidade
o vinho – uma chance
para sempre – o hibisco
meu amor – nos encontramos na esquina.
levando um dedo de prosa com Deus...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

23h59m

                                          para SamPri

há 01 gosto de blues
na saliva do teu beijo
todos os desejos
no infinito dos meus olhos
há 01 canto que te chama...
batepulsagrita

sábado, 10 de setembro de 2011

01 segundo

não rezo as cartilhas
não dou pilhas
não dou bola
não caminho em linhas retas
não sou daqui
sou de lá
não sou assim não sou assado
sou cru
relógio para decorar o pulso
ou a parede.
ana tic
ítalo tac
luã tic
ana tac
ana tic
maíni tic tac tic tac tic tac tic tac...
não há carnaval maior que o silêncio
dos inteligentes
não há temas no meu enredo
e sim uma moça nua.
não tenho nada de santo
nem alado sou
saudade das fechaduras de antigamente.
nasci para desatino
sem parafuso na cabeça
não há giros no moinho
nem herói na currutela.
eu'sentado'na'beirada

sábado, 27 de agosto de 2011

tereza não se lembrou

as datas que nunca me prenderam
nunca me pegaram
essa noite me venceram.
35 agostos com gosto 34.
hoje 35
com carinho o beijo e o abraço
de tantos os amigos
coloridos
brancos, afros
tereza não ligou.
tereza não se deu conta
desse 24 de agosto
de leminski, de felix, de senne
de jurandir
tereza não se lembrou.
pela 1ª vez tereza não se lembrou.
tereza criança não ligou
não beijou
não deu colo esse dia.
tereza não se lembrou.
alzaimer (alzaimer)
tereza não se lembrou.
24 de agosto e tereza não se lembrou.
maldito alzaimer
maldito alzaimer
tereza não se lembrou.
pergunto sobre o dia
tereza sorrir banguela tão linda
não sabe dizer
mas pergunta porque.
so para dizer que te amo tereza.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

dentro de mim, nós!

dentro de mim
cabem ainda
todos os dias que não vivemos juntos
e minhas narinas
guardam o cheiro da sua intimidade
dando sentido aos meus dias.
dentro dos meus lábios
cabem ainda todos os beijos não dados
assim como em meus olhos
cabem apenas o seu retrato.
dentro das minhas mãos estendidas
cabem todo o destino que quero dividir contigo
sem olhar para trás.
no meu corpo de 1.90
cabe tão perfeitamente o seu 1.60
que nem de salto você precisa
para ficar do meu tamanho.

domingo, 7 de agosto de 2011

+ que antropofágico

(para paloma brunet)

há 01 vinho
por essas avenidas de são paulo
que ainda não tomei
nem me perdi na beira de um abismo
dentro do seu corpo pela ribanceira.
não sou poste
não sou placa
não trago nenhuma informação
que contenha o tamanho do meu tesão
enquanto desvendo
a minha direção.
não sou poste
não sou placa
nenhum sinal retratando o meu tesão.
avenida 09 de julho e nenhum vinho
na cabeça
nas cabeças
apenas um desejo
além de antropofágico
de te encontrar na ribanceira.
rola beibi sobre mim
keroauc cantarola quintana em meu ouvido esquerdo
no direito geme sem pudor menina.
há 01 vinho na margem do abismo.

sábado, 9 de julho de 2011

manhã de terça feira


os dias
não são senhores de mim
me  envelhecem a carne
não me cansam a alma.
os dias são de terror
para quem tem medo da vida
e não é feliz por ser quem é.
envelhecer não me aterroriza
medo tenho mas bem poucos,
me perder dos olhos de tereza
não existir para os meus filhos
e os meus lábios se esquecerem
do calor do seu beijo
naquela manhã de terça feira.
maíni,
aquele beijo foi numa manhã
de terça feira.

domingo, 26 de junho de 2011

esse tempo para escrever

nas noites em que não estou contigo
nos dias em que não lhe tenho
ainda assim continuo a escrever
quando muitos já teriam desistido.
qualquer papel em branco traz a mim
todo o seu perfume
e sem me dar conta, algum poema surge.
vazio apenas quando a caneta ou o lapis
não se encontram em minha mão.
e quando escrevo sinto o meu nariz e lábios
entre o teu seio
e seus mamilos a me roçar pela face.
avistar uma caneta e papel qualquer
é a oportunidade de fazer amor, de novo,
contigo.
é a oportunidade de ter o seu sexo devorando o meu.
quando e enquanto escrevo
não estou só
não sinto frio
e a saudade cede lugar para a sua presença.
egoísta sim e tranquilo pois,
é quando escrevo que tenho você para mim, so para mim,
de novo.
enquanto escrevo vem-me o retrato da sua cara feliz e assustada
com esse poeta tarado. e por você. e apenas por você.
enquanto escrevo, desenho os momentos que vivemos
os momentos que não tivemos
e desenho você pela eternidade ao meu lado.
enquanto a caneta é o par do papel
não sou o seu herói
somos o par
entre o divino e o profano.
meu amor,
é por isso que escrevo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

quando o vício da mentira domina

ora ou outra fico observando alguns mentirosos, não me assustam, não me irritam e nem me entristecem. acho até engraçado. pior. quase sempre ruins atores. ruins atrizes. o mentiroso tem o péssimo hábito de subjugar a inteligência dos outros. contam suas sugestas (lorotas) e que não convencem. minha vizinha pula a cerca. não tenho nada com isso e acho engraçado as desculpas pro marido. a síndica do meu prédio é mãe de muitas sugestas e chega a pensar que vamos acreditar. oras bolas...gosto de observar. calado e rindo. é de fato o comportamento do vício. assim como os viciados em drogas tem as suas necessidades, mentem. ninguém acredita. nem eles. mas precisam mentir.

terça-feira, 31 de maio de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

salvação

as vezes eu queria ser zé-povinho
ouvir funk, pagode e axé
gostar de falar da vida alheia
assistir big brother
achar lindo e usar a cueca acima da calça
e os cabelos do saco todo a mostra
com a bunda de fora.
mas quis o destino que nem bunda eu tivesse.
ou seja
nasci pra ser mala.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Atrito

Amigos, o nosso livro ATRITO.
Adquira o seu exemplar.

ISBN: 978-85-64471-01-6
96 páginas
Editora Catrumano
R$ 20,00 (frete grátis)

terça-feira, 15 de março de 2011

bilhete para vencer o suicídio

face
faca
a ponta nos olhos
hematoma na lâmina.
há faca entre dentes
há uma rosa amarela na mão
entre cerrados e serrotes
trincheiras
e anunciações
não pare antes
nem depois
da ponte.

harmoniosamente
a canção da paz.
_vai rolar bundalele lá no meu apê.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

acordos

as putas
negociam as bucetas.
os putos
negociam a nação.
Deus, dê vida longas as putas
e, transforme brasília em sal.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

dia a dia

               para marcus viana

a caneta largada
o corpo tombado
cedem ao cansaço da alma
num labirinto de bandeiras.
há chinelos gastos
couro abatido
cerzido
porque não se remenda sonhos.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

o alma nua

[a igor xavier, eterna presença em minha essência]


enquanto la fora
as buzinas ditam os ritmos dos passos e,
nenhuma flor sob o asfalto é observada
fico aqui
contemplado com as cores do amor
e sua deliciosa alma nua.




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

vagabundamente

                                     para ju rodrigues


sem muita pressa
nessa avenida de descompassos
zig-zag em calçadas tão largas
tantas cores e todos fuscos
há um velório em cada rosto.
adereços e adornos
vitrine na pele
e
discursos vazios
de gente bamba
por isso sou gauche.
vagabundamente imortal.
distante dos alvos. e das culpas.
o que me prende
são apenas as moças de vestidos floridos
estampados como diz dona tereza.
não há números não há cifras
o que me apetece
são os sorrisos
e vagabundamente os gozos.
sou torto
sem chances
assim como desentortar o meu pau
não há chances.
caminhando pela avenida paulista
lá vai o vagabundo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

remendos

essa linha invisível
costurando o meu corpo
tentativa vã
de fazer cicatrizar
as feridas do coração.
invisível na carne
latente na alma.

gemidos contidos no silêncio
soluços parceiros da poesia.
overdose de caos
a lâmina me chama.

sábado, 15 de janeiro de 2011

espera

a insônia é o grito da alma
quando há solidão.

travesseiro

                               [para lobão]

há 01 poeta
construindo versos
buscando o seu amor.
há 01 poeta
jogando pedras
quebrando vidraças.
há 01 poeta
desatando nós
construindo pontes.
há 01 poeta
errante
em direção ao sol.
há 01 poeta
em algum canto
procurando o seu canto.
há 01 poeta
entre a ira e o pranto
buscando o encontro.
há 01 poeta
puto
triste
que não se encontra.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

por ora, solteiro. oras. bolas

sem susto
e nenhum medo punk
balanço a mão
num desses cruzamentos de são paulo
chamando sua atenção.
ora meu amor
como te encontar se você nem está aqui?
volto para minas.
minas está mais perto de mim.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

meu grito para você ficar

                                                 [música]


olha eu aqui
te pedindo para ficar – não vai
não me deixe pra traz
não se deixe enganar
nossa história é uma canção
que não se acaba aqui
desarrume a mala
desarme a alma
meus braços abertos - me abrace
a nossa estrada é uma só
o caminho que liga os nossos corações...
mais que lençóis amassados
mais que os desejos da carne
temos as flores em nós
somos as cores de Deus
e não acredito ter sido
em vão esse encontro.
fica - não vai
deixe o destino sorrir
não há motivos para você desistir
tão claro quanto as nuvens de minas
é o nosso amor que não se acabou
fica – não vai
se você for – eu vou
fica ou me leva – amor...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

encontro

[a lucia c. c. barbosa]

quem disse que
não?
eis-me aqui
                     pulso
                     tentação.
lavoura.
e fico
e vou
estou.
                     é primavera.

domingo, 12 de dezembro de 2010

tim maia e roupa nova na vitrola

das saudades que sinto
as que mais machucam
são as dos beijos que não dei.
os beijos dados - ainda sentidos.
os beijos negados - lábios em remorso.

companheiro

tenho
ao alcance da mão
ferramentas de transformação
lápis
papel.
por ora
meu lápis não traz borboletas
e no meu papel
nenhuma rosa vermelha.
in-sa-tis-fei-to
apenas pedras
camufladas em palavras.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

uma sessão de cinema e alguns caos

[a marli froes]

o ontem que se foi
me deixou poucas alternativas para hoje
que já nasce curto
nessas 16 horas
para o amanhã que já vai chegar.
a luta travada
a curva quadrada
o vazio na tv e na cama
tudo levando ao fim
o branco absoluto do papel.
so há rimas quando não há rumos.
nem prumos
nem próximos.
o som mais colorido
é o elevador que não para
mesmo não subindo com boas notícias.
deveria ser pintado de verde
todos os elevadores.
a minha vista panorâmica
mostra o belo de são paulo
e os primatas na paulista.
há duas garrafas vazias de vinho. 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

porque eu não sei

me assusto
quando quero te assustar
me revelando quem sou
e você apenas sorri.
te chamo pra briga
você me chama para fazer amor.
olho para o teto
sua mão aperta o meu queixo
e sem nenhum receio escorrega
ao meu peito.
balbucio temas para um dilema
você me vence com o silêncio do beijo.
rogo praga a sua discoteca tão pobre
de canções tão miseráveis
e ainda assim me toma no colo.
quando penso que te levo pra cama
você ja me levou para o seio.
não sei o que é, não sei o que sou
seria esse o meu faz de conta
o tal do amor?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

joguinho de rimas

minha mão
rima com as suas coxas.
minha outra mão
rima com suas mamas.
meu corpo
rima sobre o corpo seu
também rima debaixo do corpo seu.
minha boca
rima com sugar você todinha.
sua boca
rima me descobrir das cabeças aos pés.
minha língua
rima com o seu umbigo
e também com os seus pelos e mistérios.
sua língua
rima com o meu rijo pecado.
so não quero saber de rimar
sexo com gozo solitário.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

blues pela rua bocaiúva

                                   [a sholmes souto]

jurandir barbosa desce a bocaiuva
uns trocos no bolso esquerdo
uns sonhos na palma da mão
a mão no bolso direito esconde o tesão.
caminhos sem direção
a minha trilha sonora
rola sholmes souto solto num blues
numa gaita
punk.
numa gaita
azul.
numa gaita
elevação.
numa gaita
re-ve-la-ção.
fotografias em mosaicos
da mocinha de guarulhos
das árvores de goiânia
da caatinga de montes claros
da catinga de são paulo.

vago

01 poeta cru
sem cartas na manga
sem esqueminhas para depois do expediente
apenas um olhar caído em direção ao cerrado
e a moça de rosa amarela na mão.

a procura

sem pausa e paradas
sem tempo para o café
o asfalto é longo
em algum ponto ela me espera.
desconheço a sua cor
ou a cor de seus olhos
há uma pintura em meus olhos
de seus valores resistentes.
resistindo
aos tempos do modismo
e não uma "dessa" vai com as outras.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

rivotril

nesse pequeno comprimido branco
existe o paraíso
existe o capeta.
tem uma risca
para que se possa partir ao meio
em qual meio existe o paraíso?
em qual meio existe o capeta?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

as cores de antonia

[a maria luzinete]

me tenha longe do armário
pois assim
quando partirmos
teremos existidos sem máscaras
e textos decorados.
eu partindo primeiro
deixo em você o meu grito
_da fé que não perdi,
_do beijo que não desisti,
_da moça com a rosa amarela na mão
com quem não me casei na igreja dos morrinhos.
deixo em você o meu tesão
_que não se rendeu pelos desencontros.
deixo em você os meus olhos
_que não se cansaram de te buscar ao longe.
deixo em você todos os meus medos
_mas com a paz de nunca ter ferido alguém.
deixo em você as minhas lágrimas
_das bandeiras perdidas mas levantadas.
deixo em você os meus dias
_neles construí as minhas pontes.
deixo em você as minhas noites
_nelas construí a minha eternidade.
mas em especial
deixo em você o meu sorriso
não porque ele seja mais puro que outros
e sim,
porque foi com você
que ele aprendeu a existir.