sábado, 27 de abril de 2013

a poeta. a proposta


para o bem da humanidade e para o bem da poesia
espero que tão logo 
descubram a nada sutil diferença
entre a poeta e a poetisa.
poetisa é uma tremenda de uma siririca inacabada
mau tocada como suas letras e palavras
a poeta... ah poeta
Deus te fez para salvar a raça

quarta-feira, 17 de abril de 2013

andor-andarilho


meu andor-andarilho
brinca sempre com a caixa do correio
deixa a mesma mensagem rabiscada
“seja feliz e o desenho de um barquinho”
todo profeta
é lindo o meu andor-andarilho.
tem nome
não é joão não é josé
nunca tem um cachorro o acompanhando
incompleto o meu andor-andarilho
sorrir olhando pro chão
está sempre calçado com chinelos de couro
de tanto ir e vir
seus chinelos nos dizem tudo
ele nunca diz nada
apenas sorrir tão lindamente banguela

um outro sol

sexta-feira, 12 de abril de 2013

percussão para o dia D


macumba bate pino
é percussão em meu ouvido
herança da áfrica que ainda não fui
lembrança diferente do agora
é sinfonia da silenciosa e muda noite fria
lençóis limpos para ter algo limpo
sexta feira não é segunda-feira
medem-se a distância de 03 dias
léguas para sorrir.
fica uma flor adubada
com férteis fotos, livros, artigos de revistas,
e recortes de jornais.
beibe, deixo do lado da cama
o meu valente cavalo de plástico
valente todos os dias
e não apenas na segunda feira
valente adora a grama sempre fresca
ao redor da sua árvore no sapucaia.
bate beat bate pino
tão distante essas 72 horas

quinta-feira, 4 de abril de 2013

rapidinha


gosto desse dia frio de são paulo
de estranhas pessoas frias
a grande benção de são paulo
começa em minas e termina no nordeste
ô povo lindo esse
que além de progresso
trazem vida para este curral de concreto.
são paulo e seus nativos nos intervalos
ai como dói
ai como é bom

sábado, 23 de março de 2013

para karla celene campos


um discurso na ponta da língua
uma bala no dedo que aponta
é da espécie que caminha vertical
cheios deles e cênicos pelas ruas
natural é sentir medo
não são humanos, são homens
ensaios de demônios em terra santa de deus.
meus heróis morreram em vão
o meu sertão não virou mar
04 dedos e o seu curral
é  compadre daquele que não é parente
e em nada próximo, do águia de haia.
berra berra berra vaca
itaquerão é o futuro da nação
berra berra berra vaca
em 2015 acordaremos no primeiro mundo
poetas poetas poetas
a consciência é como um cu
nem todos fodidos
onde muitos nem com todo shampoo íntimo,
deixa de feder merda.

ó deus salve casa santa
ó deus salve casa santa
ó deus salve casa santa
deixai apenas os animais
oiá

terça-feira, 19 de março de 2013

o marginal


sou esse vagabo confesso
assumidamente dependente de beijos
e com olhos que descansam
em todos os sorrisos alheios
sou vagabo por completude
por completo é o meu amor
me agrada é calor de alma
não apenas de entranhas
sou tão mais feliz quando ouço sua voz
diferente, de quando estou em outras camas
sou vagabo por vontade divina
só Deus sabe, eu não sei porque
nasci assim,
banco de praça
dedo de prosa
causos de roça
cheiro de chuva
terra molhada
abraço amigo
comunhão de sonhos
café com pão
todos iguais
sou vagabo.
e sempre braços abertos

sábado, 9 de março de 2013

depois de amanhã


tristeza de fim de semana
não estou em montes claros
não estou na melo viana
minhas plantas ainda não brotaram
minha tulipa caiu as flores
sozinho entre 11 milhões de habitantes
48h para segunda feira.
quero ser é jurandir
vagabo de olhos caídos
que a tempos não espreitam
a lua a meia noite
e as negras pelos dias.
que fique bem claro
quero ser comido pelos relevos
não pela tinta da caneta
por ora
basta desta poesia com cheiro de mulher
quero é mulher com efeito de poesia

quinta-feira, 7 de março de 2013

conjugação


é suficiente o toque
para acordar o instante
é calor de pele.
o fogo das entranhas
no gozo das entrelinhas


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

estranhosidades


ainda a pouco vi um vulto
passou tão reto e não me percebeu
ao meu lado, quase me tocando
as luzes todas acesas
sumiu pela porta e não reconheci

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

werley somos amarelos

(para Werley Pirapora)

era o menino sentado na praça
olhar tão miúdo
de quem não queria nada.
era o menino ligeiro nos sonhos
nariz coçando e irritado
traçando planos
que nunca chegavam a lugar algum.
era o menino do interior
calado do sol ao luar
papel e caneta em sua mão esquerda
olha o bobo olha o bobo
ninguém a entender nada.
era só um menino invisível dos pés a cabeça
montado sobre um enorme cavalo de plástico
ouvindo belchior.
amarelo era a cor da sua calça
e das suas meias.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

recado para a falecida

saudade da minha pele se arrepiando
do meu respirar mais afoito

das minhas mãos ansiosas
dos meus lábios secos
do meu pau duro
saudade até do pigarro na garganta
efeitos que você causava quando se aproximava.
descanse em paz beibi
eu não cheguei nem aos 40

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

apoesia


na verdade
quero inventar ação, palavras são acasos
transformar ensaios
em concretização

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

quem sabe amanhã


não que eu seja afoito, apenas é urgente essa vontade de cantar. não que o meu rádio esteja quebrado, apenas a melancolia das mesmas músicas decoradas não me animam mais a liga-lo. não que eu perdi o gosto de cavalgar pela madrugada com o meu cavalo de plástico, é que o meu cavalo é sensível e se cansou das mesmas imagens. ainda penso que a poesia salva vidas mas cansa escrever por escrever tendo o vazio como mote. ter dentes sadios e não sorrir, para que serve? é mais belo um sorriso banguela. é verdadeiro.  é ver a noite chegar, a cama chamar, e nada para sonhar com o dia de hoje. doloroso não é o vazio. doloroso é a falta total de expectativas. amem.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

hoje


é claro que o meu dia é lindo
é claro que me reencontro na noite
é claro que não saltei do trem
é claro que não há estações
é claro que não cortei os pulsos
é claro que meu cavalo de plástico é manco
é claro que não fui ao meu velório
é claro que não nasci para ser herói
é claro que não nasci para andar só
é claro que não te encontrei
é claro que acho a vida linda
é claro que tereza será sempre a primeira
é claro que antes serão as 3 anas, maíni, ítalo e luã
é claro que antes serão marcos, jhou, camila e gracielly
é claro que antes vem o serginho
é claro que meu cordão umbilical não foi cortado
é claro que não nasci para ser doutor
é claro que não nasci para ter carro importado
é claro que nasci para barracão

so não sei onde me encontrar

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

carnaval


joaquim barbosa é a máscara mais vendida para o carnaval...
ninguém fala mais do mensalão...
ninguém fala mais do stf...
joaquim barbosa é a máscara mais vendida para o carnaval...
ricardo levandovisqui (isso é russo?) ninguém fala nada...
não choram mais pelas vitimas do batomuchi
não choram mais por chernobil
joaquim barbosa é a máscara mais vendida para o carnaval...
não choram mais a morte de isabela nardoni
ninguém mais chora a morte de madre teresa
exceto familiares, já não choram os mortos de santa maria/RS 
joaquim barbosa é a máscara mais vendida para o carnaval...
não lembram e não choram os 42 mortos do shopping de osasco
não choram mais os 199 mortos do avião da tam em congonhas
joaquim barbosa é a máscara mais vendida para o carnaval...
não lembram mais os mortos da cratera feita no metrô de são paulo
não lembram mais e nem choram as vitimas do maníaco do parque
joaquim barbosa é a máscara mais vendida para o carnaval...
não choram as vítimas inocentes mortas por policiais
não choram as vítimas mortas por bandidos
joaquim barbosa é a máscara mais vendida para o carnaval...

choro de telespectador e ouvintes, são lágrimas de crocodilos

joaquim barbosa é a máscara mais vendida para o carnaval...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

amanhã segunda feira


nasci para ser só
em terra de ninguém
rostos soltos pelas ruas
sem tempo para um tempo
ninguém olhando para os lados.
nasci para ser só
não por conveniência/ não por vontade própria
por falta de opção
dia curto/noite longa
brincar de criar personagens
fantasiar amanhãs.
nasci para ser só
amanhã será segunda feira.

domingo, 20 de janeiro de 2013

abstinência do viver...


nunca fui bom nisso, de pensar no amanhã. quase sempre o amanhã é tão longe e parece ficar ainda mais longe do que naturalmente é, depois de 14 meses sem rivotril. não desenrolei nenhum desses meus sonhos, não beijei mais aquele seu fio de cabelo anelado guardado em minha carteira e minha boca só entra em atividades durante as refeições. lábios nem assoviado tem. o silêncio impera até na palma da mão. o meu cavalo de plástico sorrir mais do que eu e come as gramas mais verdes do meu pasto seco. não que acho isso ruim, gosto de montar nesse cavalo forte, bem alimentado. é que eu tenho inveja, dele, mesmo.

sábado, 12 de janeiro de 2013

sertanejo


não descansam 
pegadas de tantas eras
terra seca e de esperançoso fértil
não desanima
nem quando debruçado sobre a janela
os olhos não avistam a nuvem.
pele tal qual o chão
traçada de rugas como a palma da mão
mãos cheia de relevos
relevos de lutas e enxadas
travadas debaixo do sol
não há ônibus que o leve
é feito de fé
riqueza maior do sertão

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

última imagem do meu amor

      para Maíni


ao pé da cama,
nem saúde, nem trabalho, nem dinheiro
sem pedido pelo amor que não veio
sem pedido de coragem para o suicídio
exercício de encher o saco de Deus.
oração para você voltar
que esteja em meu colo, no café da manhã
e canto pra você;

            sol dos meus olhos
            era meu sorriso matinal
            nada escuro com você do lado
            sem você tudo é saudade
            voz rouca e desafinada
            sal e saliva espessa é o resultado
            pelas lembranças, todos os dias
            de quando você disse papai
            vovó tereza e os primos dormiam
            só você, mamãe e papai acordados
            sorriu, falou, nunca mais repetiu
            pouco depois me deixou
            meu amor que saudade,
            que saudade do seu “papai”

sábado, 8 de dezembro de 2012

ficção


o meu rádio quebrado amanheceu
com saudade das nossa canções de ontem
cd’s piratas que faziam seus cabelos anelados voarem
hoje não emocionam
nem aquele outro  fio largado no canto do lençol.
porque esse conservado em minha carteira
so me gera a dúvida;
deixa-lo ir com a enxurrada da chuva
ou deixar onde está
já que não incomoda ninguém.
so a mim


sábado, 1 de dezembro de 2012

meia noite para o cinema


estrada que segue
lua que vigia
assovios para fazer companhia
o jazzman na esquina
tereza no coração
montes claros no café da manhã
avenida paulista é uma negra linda
sem reencontro
com o cabelo anelado dos sonhos
um relógio e um canteiro
um isqueiro para aquecer
rivotril para sorrir entre os semáforos
e não desanimar nas faltas de placas
vire a esquerda,
diz o desenho na placa da esquina
nada maior que o tamanho desses passos


sábado, 24 de novembro de 2012

completude


tem gente que sonha em ser herói
eu, sonho em ser humano

feito

(para Eduardo Madureira e Fabio Neves)


você é feito de morro
de cascalho e toá
tem a benção da mão calejada
e corpo tombado para ajudar.
você é feito de sol
tem olhos de telhas trincadas ao luar
tem o longo feixe de luz
traz para perto o infinito.
você é feito de sertão
seu patuá é a sua pele rachada como o meu chão
veio sob o signo do catrumano
não se acaba na primeira estação

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

recado


meu amor além da ponte
amor além de agora
amor do tudo simples
com gosto de manhã ensolarada.
ainda chego
levo planos tortos
e fotos amareladas pelo tempo
de recente não levo nada
os sonhos são antigos
as roupas são puídas
mas chego inteiro
de corpo e alma

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

logo


vou voltar para Montes Claros
de onde eu nunca saí
onde meu amor maior me espera
cabeça de vento, sorriso banguela
volto logo, semana que vem.
vou voltar pra montes claros
onde cada esquina tem um João
de abraços Pereiras
de beijos Almeidas
da Tereza dos meus olhos.
dessas ruas, desse povo
como disse Graciliano em sua hora
montes claros, já sinto saudades 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

recordar

tem um cheiro em minha pele
não o do meu dia a dia
cheiro de pele negra
e um fio de cabelo encaracolado em meu peito.
tem uma moça negra em meus olhos
e na palma da mão a textura de ontem
enquanto a língua
guarda a última gota do gozo da manhã
tem uma moça negra no meu lado esquerdo do sonho

domingo, 4 de novembro de 2012

calhamaço


se o meu corpo aguentar
amanhã estarei à mesa com o olhar de hoje
cansado
e dos ontens.
deixo aberto sobre a mesa o livro sagrado
o álbum com retratos dos meus dias
pedras, pedras, pedras
sonhos de cavaleiro sobre cabo de vassoura
peão sem cavalo
solitário grafite sem papel.
coração de toá, terra rachada
sem alforria, confesso do anseio do colo
rebuscado no silêncio dos meus sonhos

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

o que tenho pra hoje


tem dia todo dia que é assim
acordo e vivo o passado
da esquina até a reta a sumir de vista
do início do seu beijo
até as pontas dos seus cabelos.
não que eu faça gosto disso
é o que tenho para ser feliz hoje

terça-feira, 18 de setembro de 2012

a vácuo


é uma vazio que toma
um não querer querer
subir escadas quando não quero nem chegar a porta
ontem que foi hoje e será amanhã
e ouvir que eu construo paredes
é a pior parte dos dias.
pontes sem serventias

sábado, 15 de setembro de 2012

biografia

nasci numa manhã de terça feira
a 10 metros da igreja dos morrinhos em montes claros
dia de são bartolomeu
tereza paria seu 9º em casa

enquanto juscelino era o centro do velório.
nasci torto
da coluna ao pau
olhos caídos de pobre pidão
tereza dos peitos murchos
com 6 meses foi feijão
assim forjado a ferro
do espírito aos colhões

mesmice

esse aperto no peito
não cabe na palma da mão
começa no vazio esquerdo da cama

se completa no silêncio dos anos.
um desenho de ontem, e hoje
no porta retrato de amanhã


regressão

nesses dias dos desencontros
resta lembrar
da flor amarela
frente à igreja dos morrinhos.
era um flor pequena, rasteira
suficiente para ser eterna

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ave teresa

ave teresa que se lembrou
ave teresa que me ligou no dia seguinte e chorou
ave teresa que 36 anos antes
me levou 09 meses
no útero
no sorriso
nas dores
no seio
nos sonhos.
ave teresa que me abraçou quando falei do meu amor
ave teresa nas suas mãos sempre estendidas
nos seus lábios sempre me oferecidos
ave teresa do olhar acolhedor.
ave teresa quando me deixou ir
ave teresa que sempre me recebeu
ave teresa pelo prato suado
ave teresa que sempre me fez
mesmo com o corpo muito cansado.
ave teresa de aries, ranzinza e arisca
ave teresa do coração maior que as suas dores.
ave teresa de montes claros

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

para dizer que estou voltando

meu amor é de pedra
tem cheiro de concreto
e olhos de moça virgem
é branca, é negra
deixa a vizinhança toda ouriçada
quem nela entra, nela deseja ficar
meu amor tem nome e sobrenome
aí que saudades de Montes Claros

terça-feira, 29 de maio de 2012

porque é fato - os bons irem antes

ficamos orfãos muito jovens. não conheci renato russo pessoalmente, não dei um abraço no tim maia, não fui a nenhum show do queen, não tive um dedo de prosa com a cássia eller, não dancei com igor xavier, não fiz outra viagem com celinho ferreira, não deu tempo de transar com nenhuma das namoradas do gabriel cardoso, não fui entrevistado por reginauro silva, não produzi nada com aline luz...
elthomar santoro, me abandona não meu herói preferido.

ficamos orfãos muito jovens.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

registro

quero registrar o amor não numa folha de papel.
quero registrar o amor nos meus lábios
nas minhas mãos
em meus olhos
na minha pele
nas minhas narinas.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

so para relembrar

avenida francisco morato
é testemunha desse ensaio
não aponto dedos sem motivo
não guardo beijos por devoção
não estive em moçambique
não aprendi a te esquecer
continuo vadio
só não me fiz puta por dinheiro
nem por testamento
meus acordos são desacordos
a minha rima
rima com se foder
não me conformo/não vou pra casa
com um nó na garganta
a minha estrada não te cabe
pois não te cabe a minha lua
meu amor eu não sou louco
adjetivo sonhador
pedras na lagoa matam tubarões
brasília nada arranha
sou filho de tereza
e inimigo do capeta
estou longe de ser santo
punheteiro de mão cheia
o meu silêncio não tem preço
cortesia o meu escracho
nunca fui mal humorado
não fico sorrindo como um retardado
me prove que 1 + 1 é 2
e tudo fica em paz

domingo, 27 de novembro de 2011

não se esqueça das rosas amarelas

foi a sua mão em meu ombro
o suficiente
para me fazer esquecer o recinto
quando eu já queria ir.
elthomar o meu amor não tinha cantado
não vi quando terminou
minhas mãos tão ousadas
chegaram ao seu rosto
o que não premeditei 10 meses atrás
ontem foi 07
que foi 10
que não chegou a se cumpri a promessa
naquela noite de sábado sem padres e testemunhas
os seus cabelos ainda traçam mapas em minha sina
enquanto as linhas das minhas mãos
orientam a igreja da rosa amarela
jânio o meu herói foi jurandir
quando eu já não poderia chegar aí.
01 buquê de rosas amarelas no lixo

ação

sábado, 19 de novembro de 2011

cabe tudo numa mão em concha

e de repente descubro que não tenho mais vinte e um anos, que não tenho como reverter o quadro fator tempo e corrigir os erros que até então me eram de prazeres. não que deseje hoje deixar de ser torto, mas nessa manhã em que o sol não apareceu, senti saudade das luzes que não colori. não necessariamente precisava ter prismas, apenas queria que tivessem existidos esses instantes. debruçado sobre a janela do porão da minha cabeça, vou olhando ao longe  lugares e pessoas onde não cheguei, onde não vivi e onde não deixei marcas. não desenho uma frustração, apenas um esboço para pensar no que perdi. cabe tudo numa mão em concha. as realizações e o saldo. o meu sapato de bico quadrado quase virgem em ser feliz deixou por essas avenidas, tão pouco pó quantas tão poucas lembranças, deles. cabe tudo numa mão em concha. apenas queria conseguir dormir sem precisar deixar a tv ligada em alto volume.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

à francesa

era você saindo e não percebi
não ouvi o bater da porta
na lama do quintal de ontem
nem pegadas ficaram pela manhã
mais sutil que a sua chegada
foi a sua saída
moça, não sabia que é francesa
não sei se foi bom o ruim
o bilhete que você não deixou
caído pelo chão
por sorte não tenho portas ao fundo
por sorte não tenho muros também
apenas mãos abertas
e um jardim que não tem fim.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

coisinhas de ontem

para renato russo

a era dos galhos
sorrisos
a era das folhas
olhares
a era da sombra da copa
o vulto
a era da grama
os corpos.
na pele do tronco
o entalhe da promessa
no silêncio da noite
o beijo
nas folhas do caderno
as iniciais
na canção de pensar no outro
tim maia
por debaixo da porta
a carta
...
e era para ser para sempre
mas o sempre sempre acaba.