(para gonzaga medeiros)
se solidão virasse capim
eu seria um pasto sem fim
domingo, 25 de junho de 2017
sábado, 22 de abril de 2017
solidânsia
eu
não tenho preconceito com rivotril como a maioria das pessoas. eu tenho asco é
de gente hipócrita, vulgar, promíscua, oca e sem escrúpulos. com rivotril eu
tenho uma grande sensação de paz mesmo que por tempo determinado. a minha
tristeza dá um tempo, a minha solidão descansa por algum tempo e até esqueço
que vivo sozinho numa cidade com mais de 11 milhões de habitantes. quando eu
tomo rivotril, aquela moça vem preencher o lado vazio da cama. quando não tomo
rivotril, e não tomo à muito tempo, o que existe em mim é só solidão...
sexta-feira, 14 de abril de 2017
revoada
entre
a massa
sem massa
cinzentas nuvens agouram o sol
enquanto o poema vence o cinismo
vil contracheque
tão ou mais sujo
que as varas dos chiqueiros
enquanto o poema vence as escrotices
passado, presente e futuro;
no poema não tem ratos
dissimula o lamaçal
enquanto o poema é maior que todos os males
dissimula o lamaçal
enquanto o poema é maior que todos os males
sem massa
cinzentas nuvens agouram o sol
enquanto o poema vence o cinismo
vil contracheque
tão ou mais sujo
que as varas dos chiqueiros
enquanto o poema vence as escrotices
passado, presente e futuro;
no poema não tem ratos
dissimula o lamaçal
enquanto o poema é maior que todos os males
dissimula o lamaçal
enquanto o poema é maior que todos os males
sexta-feira, 3 de março de 2017
aperto
a tristeza que há em mim
não é pelo que perdi,
nem tão pouco por aquela pele negra
que me fazia tão bem,
minha tristeza é acordar
todos os dias
sozinho
e tão distante dos amigos
que estão lá em minas
não é pelo que perdi,
nem tão pouco por aquela pele negra
que me fazia tão bem,
minha tristeza é acordar
todos os dias
sozinho
e tão distante dos amigos
que estão lá em minas
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
psicosehall
é
tão confuso ser eu porque eu simplesmente não sou eu. sou nós. o meu cérebro
são três seres. em comum só temos a paixão pela cor laranja e o encanto pelas
gordinhas e também mulatas, fora isso, somos completamente distintos. eu sou o
mais paranoico dos três e o mais punk de tudo, ouvir deles, conselhos. eu sou
montesclarense, outro sertanopolense e outro, goiano. eu sou branco e os dois,
negros. se alguma garota me liga e um deles, atende, fico puto de ciúmes. eu
sou boca suja e os dois, só me reprimem. musicalmente eu sou raízes, agreste e
led zeppelin e eles, tim maia e zeca baleiro. se estou feliz, eles comemoram
mais do que eu. se estou deprê, me olham com aquelas caras de bunda tipo; vai
ficar nessa até quando? a coisa é tão confusa que quando eles me dão uma folga
eu sinto falta deles e nessas horas eu faço mais merda ainda. um é apaixonado
por manuel bandeira, outro por fernando pessoa e eu, pra variar, não cheguei a
conclusão se amo mais quintana ou kerouac. eu sou agnóstico teísta, um é
candomblé e filho de obá e o outro, martinho lutero da alma ao cérebro. é tão
louca a situação que eu não sei de quem é a autoria desse texto, se minha ou de
um deles e nem mesmo sei qual de nós digitou.. o mais paranoico de tudo é que
não é uma paranoia, existem e estão sempre vestindo roupas laranjas.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
predileção
eu gosto de beijos
mais que de sexo
o lance que o beijo toca minha alma
o sexo chega apenas ao meu pau
o sexo, finito
o beijo, etéreo, infinito
mais que de sexo
o lance que o beijo toca minha alma
o sexo chega apenas ao meu pau
o sexo, finito
o beijo, etéreo, infinito
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
o jardim
na
casca do poeta, dura e grosa
se esconde uma flor embebida no cipó
eu que não me caibo nessa viagem
terreno que sou
me encontro nesse seu vestido estampado
e nesses lábios que mesmo tão distantes,
hó deus, me prendem tão profundamente
não vou contigo nessas viagens
careta/mineiro cismado, fico aqui
olhando os seus ombros que me tesam
e te desejando para algum dia
mesmo que esse dia seja mais distante
que o chá que não me consome
nessas manhãs que sinto o seu cheiro
eu me sinto inteiro
se esconde uma flor embebida no cipó
eu que não me caibo nessa viagem
terreno que sou
me encontro nesse seu vestido estampado
e nesses lábios que mesmo tão distantes,
hó deus, me prendem tão profundamente
não vou contigo nessas viagens
careta/mineiro cismado, fico aqui
olhando os seus ombros que me tesam
e te desejando para algum dia
mesmo que esse dia seja mais distante
que o chá que não me consome
nessas manhãs que sinto o seu cheiro
eu me sinto inteiro
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
ipê amarelo
é solavanco
empurrão, é trancocoração desassossegado
no tino do descompasso
volta e meia
meia noite o ipê de frente para mim
nem negra, nem branca
amarela é a cor da minha sorte
no meio do caminho,
as pétalas
as pétalas,
no meio do caminho
não temo a morte,
sou um bravo do norte
não temo a sina
mais forte é o de cima
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
cores de hibiscos
(para letícia domingues)
um
coração torto
e
que até ontem era de tom cinza
hoje
abriga todos os sonhos
alimentado
por um jardim
que
resiste
só
aguardando alguém
que
cuide dele tão bem
aparecer.
então
hibernado
o
moço acorda, olha o sol
lembra
de como foi linda a noite
debaixo
de uma super lua.
em
360 graus,
horizontes
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
revelação
a arte é a materialização de Deus na terra
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sebo
terça-feira, 8 de novembro de 2016
sertanejo
(para Eduardo Madureira)
não
descansam
pegadas de tantas eras
terra seca e de esperançoso fértil
não desanima
nem quando debruçado sobre a janela
os olhos não avistam as nuvens.
pele tal qual o chão
traçada de rugas como a palma da mão
mãos cheia de relevos
relevos de lutas e enxadas
travadas debaixo do sol
não há ônibus que o leve
é feito de fé
riqueza maior do sertão
pegadas de tantas eras
terra seca e de esperançoso fértil
não desanima
nem quando debruçado sobre a janela
os olhos não avistam as nuvens.
pele tal qual o chão
traçada de rugas como a palma da mão
mãos cheia de relevos
relevos de lutas e enxadas
travadas debaixo do sol
não há ônibus que o leve
é feito de fé
riqueza maior do sertão
biografia II
(para Georgino Jorge Souza Neto - Gino)
catrumano composto de sonhos
nascido no alto de um morro
concebido no mais lindo sertão
sou
pedaço do chão vermellho
do
norte de minha Minas Geraiscatrumano composto de sonhos
nascido no alto de um morro
concebido no mais lindo sertão
hino 18
meu
chão é feito de homens
e são dessas mulheres
todas as glórias do meu sertão.
passarinho canta arretado
tem no silvo o sotaque nordestino
foi esse povo quem construiu
cada metro desse brasil
minas gerais minha amante mais linda
ensina o que é ser gente
para esse povo que o mundo
é um shopping ou um cinema
e são dessas mulheres
todas as glórias do meu sertão.
passarinho canta arretado
tem no silvo o sotaque nordestino
foi esse povo quem construiu
cada metro desse brasil
minas gerais minha amante mais linda
ensina o que é ser gente
para esse povo que o mundo
é um shopping ou um cinema
domingo, 6 de novembro de 2016
são paulo;
ontem fui a feira comprar folhas e
frutas
olhava as frutas. olhava os nativos.
olhava as frutas.
como se identificam esses nativos e essas frutas...
a maçã, insossa. a mexerica, sem cheiro...
____
Deus, até o famoso pastel me lembra os nativos.
oco
olhava as frutas. olhava os nativos.
olhava as frutas.
como se identificam esses nativos e essas frutas...
o abacate é branco. a laranja sem
caldo.
a manga meu Deus, sem sabor. a maçã, insossa. a mexerica, sem cheiro...
____
Deus, até o famoso pastel me lembra os nativos.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
terça-feira, 30 de agosto de 2016
uma carta para cristovam buarque
carta que enviei ao senador cristovam buarque. por ora,
sem resposta
att,
jurandir barbosa
senhor cristovam buarque, quase
vinte anos atrás eu li a sua fala numa universidade nos estados unidos e me
emocionou muito aquela fala. do seu patriotismo e da honra em ser brasileiro.
me orgulhou quando respondeu a um presente que lhe perguntou o que senhor
pensava da internacionalização da amazônia. a sua resposta foi a fala e o texto
mais lindo que um brasileiro poderia fazer. a sua resposta foi digna de ser tida
como uma composição maior que qualquer uma que o chico buarque tenha escrito. a
sua resposta ao presente que lhe fez a pergunta foi mais patriota, profunda e
rica que o hino nacional. de 2009/2010 para cá tenho acompanhado as suas falas
e atos. decepcionante. se rendeu ao PSDB, masturbou o psdb. se ofereceu ao
psdb.
voltando à sua fala-resposta
ao presente na universidade norte-americana, vejo que ela foi hipócrita, pois a
sua ação nos últimos 8 anos não honra a grandeza da sua fala. o senhor, depois
de uma resposta daquela (que me levou a uma crise de choro), se contradiz ao
render-se ao michel temer, ao psdb, à fiesp e aos senhorios dos casarões. de
higienóplis. todos esses com o seu apoio estão entregando o nosso patrimônio e
estando a serviço do FMI, dos escravocratas e do imperialismo norte-americano.
fique claro, não sou militante petista. não votei na dilma em 2010. não votei
no lula em 2006. votei na dilma no segundo turno em 2014 por falta de opção. e
na time line das minhas redes sociais pode-se verificar que entre 2003 e 2016
eu critiquei com muita propriedade todos os desmazelos (muitos) do PT e sua
corja. ainda assim, defendo o governo dilma. primeiro, pela democracia.
segundo, pela falta de crime. terceiro, por saber do real interesse desse
impitiman. lastimável saber que um homem com a sua trajetória se rendeu ao
nefasto do político. termino dizendo que não sou um intelectual como o senhor.
não sei escrever e pensar com tamanha grandeza gramatical, etimológica e sou
todo coloquial, mas conheço e entendo de caráter. de valores. de compromissos e
de amor.
o senhor despossui esses valores quando se rende a esse "acordo de calhordas" quando tentam derrubar um governo legítimo, democrático e sem crimes.
se fosse outro político fazendo o que o senhor faz nesse momento (desde 2009) eu nem observaria, mas sendo um senhor que eu tinha como alguém da mesma linhagem do darcy ribeiro e do paulo freire, é só decepção.
o senhor despossui esses valores quando se rende a esse "acordo de calhordas" quando tentam derrubar um governo legítimo, democrático e sem crimes.
se fosse outro político fazendo o que o senhor faz nesse momento (desde 2009) eu nem observaria, mas sendo um senhor que eu tinha como alguém da mesma linhagem do darcy ribeiro e do paulo freire, é só decepção.
peço a Deus que, nessas últimas horas, o senhor reflita e
se tome de toda a moral que eu sempre julguei o senhor como tendo.
deixo um beijo desesperançado.
att,
jurandir barbosa
terça-feira, 23 de agosto de 2016
apetecimento
me apetece o que me promove para a
eternidade...
o contracheque fica. o carro fica. os
títulos ficam. os bens nenhum irão junto. as conversas rasas serão esquecidas.
as superficialidades também se apagarão. todos os que acompanham nesses
momentos ocos serão os primeiros a abandonarem o navio durante as tempestades.
farei 40 anos. meia dúzia de amigos na essência. meia dúzia de filhos. toda uma
solidão, fruto dos meus tiros no escuro e que acertaram os meus pés. tenho dois
relógios.
um relógio que conta o tempo
regressivamente. o outro relógio, progressivamente. infelizmente e em
decorrência das minhas ansiedades, neuroses e tantos medos, me ative até hoje
apenas ao relógio regressivo. era o tal medo de morrer e a sede de viver. fiz
todas as merdas possíveis. era um prazer em cutucar feridas. era um gosto pelo
suicídio mesmo com medo de morrer e querendo ser imortal. vá entender... construí
as pontes mais erradas e achando que construía pontes para o futuro. numa sede
sem limites acabei tendo concepção errada da felicidade, da completude e do
próprio amor. reservei lealdade para quem no máximo, merecia um bom dia. dei
secos "bom dia" para quem merecia toda a minha lealdade.
40 anos. o outro relógio.
esse plano tão passageiro não
corresponde aos meus anseios. eu e os meus sapatos de bicos finos, rumo a tudo
que vai contra o efêmero...
sábado, 30 de julho de 2016
inacabado
no
poema inacabado
01 amor tranquilo não realizado
chove no sertão, o sertão vira mar
01 pasto seco nesse coração
naquela esquina tem um bosque
onde não te encontrei depois da última árvore
rasteiras não são as gramas
são as tantas tentativas
de deixar para trás,
tudo
menos esses chinelos gastos
essa calça cerzida
nem tudo puído
resta essa vista cansada,
essa testa franzida
olhando ao longe
01 amor tranquilo não realizado
chove no sertão, o sertão vira mar
01 pasto seco nesse coração
naquela esquina tem um bosque
onde não te encontrei depois da última árvore
rasteiras não são as gramas
são as tantas tentativas
de deixar para trás,
tudo
menos esses chinelos gastos
essa calça cerzida
nem tudo puído
resta essa vista cansada,
essa testa franzida
olhando ao longe
sábado, 23 de julho de 2016
nadaestima
esse
vazio que pesa mais que 88 quilos
mede
mais que 1.88
e
come sem se lambuzar
de
toda essa carne branca
parece
não ter data marcada
para
desembarcar.
a
sina do azar no corpo-sodoma
que
vez ou outra
vejo
chegar, ou sair
num
puta azar do andar número 10
onde
morreu a autoestima.
ressuscita
coração de poeta
quinta-feira, 30 de junho de 2016
albina nº14
...albina
continua com suas indagações que sempre acabam em um grande momento filosófico
e convidativo para uma reflexão. com seus olhos recém-saídos dos meus, olha
agora mais longe do que antes e diz;
_não
mudamos por pessoas pueta, mudamos por nós. as pessoas mudam por elas. mudamos
para o nosso conforto e consciência, qualquer que seja a relação, social ou
familiar... o triste pueta é o apego ao imediato que nunca constrói pontes.
raramente pensamos nos janeiros á frente mesmo tendo tantos janeiros passados,
ruins, como exemplo.
nada mais me resta além de soltar um meio sorriso diante essa faca afiada que cabe tão bem em mim.
nada mais me resta além de soltar um meio sorriso diante essa faca afiada que cabe tão bem em mim.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
albina nº2
sem
olhar nos meus olhos e depois de algum tempo silenciosa, olhando vagamente para
algum lugar, albina me pergunta com aquela doçura que ninguém mais tem:
_pueta, se você pudesse voltar lá no passado você mudaria alguma coisa?
sinto que albina está triste, o que é muito raro. nos poucos momentos em que vi a albina triste foi sempre quando falava dos filhos que não teve. albina certa vez até desenhou uma de suas vontades retratando uma mãe fazendo tranças no cabelo de sua filha. era ela e a criança que não pariu. nesses raros momentos os seus olhos sempre se cobriam de lágrimas que, com muita força, não rolava pela face.
_albina segunda mãe, teria tanta coisa para mudar que uma única mudança em nada refletiria no que já existi. teria dado aquele beijo que neguei para aquela negra linda na praça da matriz, só por pirraça. não teria ralhado com a maíni só porque ela saiu do tapete e foi rastejar pelo chão naquela manhã fria de junho. teria beijado mais os meus amigos. teria casado numa igreja católica com algumas das mulheres que amei mesmo eu tendo asco por igrejas, é tão lindo aquele ritual né albina? tantas coisas...
me olha e sem nenhuma expressão em seu rosto que possa identificar qual o seu humor, diz:
_ainda há tempo, mude o seu gênio e temperamento. guarde a sua língua bem guardadinha...
sexta-feira, 17 de junho de 2016
albina nº27
albina
não bate na porta, entra sem cerimônia. nunca leu manoel de barros e se
espalhando pelo banco vai logo me perguntando;
_pueta, qual a sensação de ser pai de seis filhos? eu nunca nem peguei barriga e olha que o finado era danado... (pensa, olha ao longe) ...e filhos por algum motivo deus não me deu. muitas vezes me deito triste, acordo triste, por não por não ter tido essa oportunidade.
_pueta, qual a sensação de ser pai de seis filhos? eu nunca nem peguei barriga e olha que o finado era danado... (pensa, olha ao longe) ...e filhos por algum motivo deus não me deu. muitas vezes me deito triste, acordo triste, por não por não ter tido essa oportunidade.
_ô albina, tem tristeza maior que essa. dor maior é você ter seis filhos e
nenhum ao teu lado no café da manhã.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
albina nº22
...olho
albina ao longe. ela não conheceu seus pais, ficou viúva aos 27 anos, não teve
filhos e nasceu em coração de jesus-mg. não bebe, não fuma e nem palavrão fala.
também não me censura em nenhuma das muitas vezes que falo durante o dia.
albina é incrível, divide tudo com todos. divide até o que não tem. albina só
me contraria quando diz que as rosas brancas são as mais lindas. albina nunca
ouviu falar sobre yoga mas é mais zen que o renilson. isso me irrita em ambos.
quando conheci albina ela usava uns chinelos pretos da marca tiutiu e ria muito
quando eu estalava os dedos e dizia: _tiu tiu tiu tiu... não tinha um dente mas
carregava o sol em sua boca. sorriso mais luminoso não existe. certa vez albina
me perguntou;
_pueta, de quem você herdou essa calva tão brilhante?
me
perguntou assim, na lata, nem preparou o meu estado de espírito.
_além da hipertireoide, isso é herança de quem não trago boas lembranças. de um tal de tanto fez e de sobrenome tanto faz. de quem não gosto de recordar. cantador boêmio que não representa nada.
albina me olha. com aquela doçura que só nós nordestinos temos, diz:
_de que vale ser pueta se não sabe perdoar? Dê-lhe graças e lhe seja grato, pois se não fosse ele quem você não teria encontrado?
me resta engolir a saliva, baixar a cabeça e ficar calado.
algumas lágrimas
segunda-feira, 13 de junho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
albina nº8
...então
albina, após atravessar todo o quintal em passos apressados para seus quase 80
anos, para diante mim e pergunta;
_ora
pois moço pueta bunito e triste, lembra-se de seu último surriso?
_ora pois albina que tanto parece uma mãe de santo nesse seu vestido branco, deve fazer muito tempo pois não me lembro dessa data mas ouve sim, muitos, seis quando nasceram os meus filhos, outros tantos com eles e outros tantos quando dona tereza me buscava na escola. _você não surri nem quando imbebeda, consegue ficá ainda mais longe e mais triste. meu finado marido quando bebia só ficava surrindo.
_seu eu tivesse tido a sorte do seu finado marido e um dia tivesse tido, uma única albina, sorriso seria o meu sobrenome
sexta-feira, 10 de junho de 2016
angústia
sou
resistente para levantar o punho
sou
resistente para receber pancadas
sou
resistente para escalar morros
sou
resistente para ir a pé daqui até montes claros
só
não sou resistente para essas angústias que o coração traz...
terça-feira, 7 de junho de 2016
eu te chamo tereza
(para luzinete)
dos beijos, dos gemidos, dos berros
de nenhum me recordo
não é uma opção
não é o instinto de defesa
em nenhum aconteceu a construção.
agora não, moça negra de olhos azuis embaçados
minha respiração é fruto da sua luta
a minha letra é fruto das suas lágrimas ao pé do leito
é claro que eu te amo
te amava também tereza
que lá de onde está, lá de cima ou ao meu lado
lhe é toda gratidão.
da entrada à saída
quando os médicos acreditavam que eu não sairia
dia e noite, você estava lá
meus pulmões parados, todo entubado
mas o coração sempre pulsava,
era a sua força ao meu lado
eu que sempre fui um poeta odioso das rimas
poeta das dores, dos anseios e das lutas
digo apenas
isso que bate em meu peito não se chama coração
se chama, amor e gratidão
que transcende toda a carne
mesmo quando fecho a porta
de
montes claros a são paulo
dos passados que deixei
recordação
nenhuma me acompanhoudos passados que deixei
dos beijos, dos gemidos, dos berros
de nenhum me recordo
não é uma opção
não é o instinto de defesa
em nenhum aconteceu a construção.
agora não, moça negra de olhos azuis embaçados
minha respiração é fruto da sua luta
a minha letra é fruto das suas lágrimas ao pé do leito
é claro que eu te amo
te amava também tereza
que lá de onde está, lá de cima ou ao meu lado
lhe é toda gratidão.
da entrada à saída
quando os médicos acreditavam que eu não sairia
dia e noite, você estava lá
meus pulmões parados, todo entubado
mas o coração sempre pulsava,
era a sua força ao meu lado
eu que sempre fui um poeta odioso das rimas
poeta das dores, dos anseios e das lutas
digo apenas
isso que bate em meu peito não se chama coração
se chama, amor e gratidão
que transcende toda a carne
mesmo quando fecho a porta
segunda-feira, 6 de junho de 2016
pedido nº 04
quando te encontrar
me ensine a não te perder
ainda guardo a rosa amarela
que resiste como os meus anseios,
o tempo não desidratou
me ensine a não te perder
ainda guardo a rosa amarela
que resiste como os meus anseios,
o tempo não desidratou
terça-feira, 31 de maio de 2016
cabe tudo numa mão em concha
...e cai a ficha que não tenho mais vinte
e um anos. e cai a ficha que não tenho mais dona tereza ao meu lado. e cai a
ficha que meus filhos cresceram e que meu netos nasceram. e cai a ficha que a flor
ainda botão não verei desabrochar. e cai
a ficha que não tenho como reverter o fator tempo e corrigir os erros que até
então me eram de prazeres. não que deseje hoje deixar de ser torto, mas nessa
manhã em que o sol não apareceu, senti saudade das luzes que não colori. e cai
a ficha e sinto falta agora dos sorrisos que economizei. aquele beijo que lhe
neguei na praça da matriz me faz muita falta nessa noite... queria que tivessem
existidos esses instantes. debruçado no baú das minhas lembranças, vou olhando
ao longe lugares e pessoas onde não
cheguei. onde não vivi. onde não deixei marcas. não desenho uma frustração,
apenas um esboço para pensar no que perdi. cabe tudo numa mão em concha. as
realizações e o saldo. o meu sapato de bico quadrado quase virgem em ser feliz
deixou por essas avenidas tão pouco pó quantas tão poucas lembranças, deles.
cabe tudo numa mão em concha. apenas queria conseguir dormir sem precisar
deixar a tv ligada em alto volume. Cabe tudo em minhas mãos em concha.
sábado, 28 de maio de 2016
RESILIÊNCIA PUNK
o
silêncio
assusta/incomoda
mais que
05 anos de cama
vazia
o silêncio me
assusta/incomo
da
mais que joelho dobrado
sobre caroços de milho
o silêncio me assus
ta/incomo
da
mais que o
tempo perdido
o silêncio me assusta/
incomoda mais
que carrapato no saco
o si
lêncio me assusta/in
comoda
mais que
beber água com o estômago
vazio
o silêncio
o silêncio
o silêncio
silencia o ânimo
a fé
o fogo
assusta/incomoda
mais que
05 anos de cama
vazia
o silêncio me
assusta/incomo
da
mais que joelho dobrado
sobre caroços de milho
o silêncio me assus
ta/incomo
da
mais que o
tempo perdido
o silêncio me assusta/
incomoda mais
que carrapato no saco
o si
lêncio me assusta/in
comoda
mais que
beber água com o estômago
vazio
o silêncio
o silêncio
o silêncio
silencia o ânimo
a fé
o fogo
quinta-feira, 26 de maio de 2016
domingo, 22 de maio de 2016
quarta-feira, 27 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
tristeza de hoje, luta para sempre
estou
triste. assumo minha tristeza profunda por saber que “o mal, a ignorância, a
subserviência, a calhordice, o nefasto, a escrotice e interesses pessoais
sujos” derrotaram os meus sonhos, os meus anseios e por hora, as minhas lutas.
triste por saber que familiares também foram massa desse bolo podre, que amigos também foram massa desse bolo podre. essa tristeza profunda por hora não irá me silenciar, me cegar ou me fazer desistir do que acredito e vivo. me conforto e me consolo nessa certeza, na certeza do meu caráter e dos meus anseios para mim e para a humanidade.
continuarei a caminhar rente ao que era o descente e divino para dona tereza, o amor ao próximo. continuarei caminhando e sempre aberto e desejoso de amigos que compartilham e comungam dessa luta coletiva que é o bem de todos e para que todo irmão tenha o prato cheio, a universidade aberta, uma moradia e a possibilidade de existir com dignidade. quero me cercar de amigos que comungam o amor, a vida e as lutas por todos, pois, essa é a minha concepção, conceito e genealogia que ramifica o que é família.
a
solidão que percorro nessa selva de pedra, pedras cimento e pedras homens, só
me fortalecem pela busca do colo forte, do olhar encorajador, da palavra
estimulante, da mão estendida para lutas e coração coletivo para que eu possa
chamar de par.
nessa noite de insônia certeira pouco terei o que fazer, me resta orar e pedir à deus que apascente minha angústia.
nessa noite de insônia certeira pouco terei o que fazer, me resta orar e pedir à deus que apascente minha angústia.
domingo, 27 de março de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
terça-feira, 15 de março de 2016
sábado, 12 de março de 2016
interrogação
em
minhas esquinas
os vultos que antes surgiam vez ou outra
não mais me apetecem
o meu relógio não repete horas
ansiosos os meus olhos divergem
ora um ora outro
sem saber quem é aquela pessoa da esquina
que tinha pele negra, mãos macias
com quem me casei na igreja dos morrinhos
diante uma pequena flor amarela
os vultos que antes surgiam vez ou outra
não mais me apetecem
o meu relógio não repete horas
ansiosos os meus olhos divergem
ora um ora outro
sem saber quem é aquela pessoa da esquina
que tinha pele negra, mãos macias
com quem me casei na igreja dos morrinhos
diante uma pequena flor amarela
terça-feira, 8 de março de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
pra já
esse coração vazio
cabe tudo que não tive
cabe até a ousadia
de sentir a sua mão sobre a minha
não demora, vem depressa
porque a saudade é demais
mesmo porque eu nunca te vi
e essa demora só agonia
ansioso toda as noites e dias
é
muita vontade de ser feliz...
cabe tudo que não tive
cabe até a ousadia
de sentir a sua mão sobre a minha
não demora, vem depressa
porque a saudade é demais
mesmo porque eu nunca te vi
e essa demora só agonia
ansioso toda as noites e dias
é
muita vontade de ser feliz...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
diferença
dona
tereza não pesava + que 44 quilos...
dona
tereza sempre suportou os meus + de 85 quilos, sorrindodona tereza não chegava à 1,50cm de altura...
dona tereza sempre aninhou os meus quase 1,90cm
dona tereza nunca teve nenhuma estabilidade financeira...
dona tereza sempre lutou pelo pão, para que eu dormisse sorrindo
dona tereza nunca foi a escola...
dona tereza me iniciou no bê-á-bá aos 04 anos de idade...
dona tereza teve 03 amantes na vida...
dona tereza foi fiel, leal e sem igual, à mim, até o seu último suspiro...
dona tereza foi o meu poema etéreo
as outras, poemas com a duração de um gozo
dona tereza tinha os olhos pra mim
as outras, tinham olhos para o mundo
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
anseio
“nessas contagens de tempo
66 foram os meses
em que foram nulas
as chances de te encontrar.
aconteceu assim,
hoje eu acordei
lembrei que não te encontrei
na roseira amarela da esquina
e nem no bosque onde era certeiro
o canto do sabiá,
retorno
meus olhos ainda buscam”
66 foram os meses
em que foram nulas
as chances de te encontrar.
aconteceu assim,
hoje eu acordei
lembrei que não te encontrei
na roseira amarela da esquina
e nem no bosque onde era certeiro
o canto do sabiá,
retorno
meus olhos ainda buscam”
sábado, 26 de dezembro de 2015
saudade nº 07
o
silêncio no meu corpo
só não é maior que a saudade
daquela moça do sertão
que me deixou a quase 03 anos
eu que nunca guardei datas e,
andarilho que sempre fui
depois disso, sim, fiquei só
a dor que tenho no peito
é a dor de não ter para quem voltar
e ninguém para me receber
homem triste que era, mais fiquei
vivo de recordações
te aguardando em meus sonhos
sempre as 05h da manhã
só não é maior que a saudade
daquela moça do sertão
que me deixou a quase 03 anos
eu que nunca guardei datas e,
andarilho que sempre fui
depois disso, sim, fiquei só
a dor que tenho no peito
é a dor de não ter para quem voltar
e ninguém para me receber
homem triste que era, mais fiquei
vivo de recordações
te aguardando em meus sonhos
sempre as 05h da manhã
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
terça-feira, 17 de novembro de 2015
o oco (dos pés a cabeça)
sua
bolsa importada
seu sapato tal grife
sua cueca transada
sua lingerie tão sensual
sua camisa com um bordado jacaré
seu tailer com o corte perfeito
esse vestido chiquérrimo
o seu carro zero e completo
suas excursões para londres e paris
seus botox a cada cinco anos
esses seus vinhos tão caros
essas suas taças de cristais
esse perfume nada barato
esses cremes absurdamente caros
que nada lhe rejuvenesce
...esse
...essa
...tudo isso
nada preenche o conteúdo que lhe falta
seu sapato tal grife
sua cueca transada
sua lingerie tão sensual
sua camisa com um bordado jacaré
seu tailer com o corte perfeito
esse vestido chiquérrimo
o seu carro zero e completo
suas excursões para londres e paris
seus botox a cada cinco anos
esses seus vinhos tão caros
essas suas taças de cristais
esse perfume nada barato
esses cremes absurdamente caros
que nada lhe rejuvenesce
...esse
...essa
...tudo isso
nada preenche o conteúdo que lhe falta
sábado, 7 de novembro de 2015
canção para tereza
quando eu te conheci
você já me conhecia
eu chegava, você sorria
não tinha tempo ruim
que te fazia desistir de mim
desistir de me fazer feliz,
você era assim
seu sorriso iluminava os meus dias
suas mãos aliviavam minhas dores
seu colo mantinha vivo os meus sonhos
seu carinho era o sentido da minha vida
quando os seus olhos se encontravam com os meus
era incondicional, verdadeiro e puro amor
a sua boca se privava do prato
para me ter corado e farto
é claro que eu choro todo dia
a saudade
a falta que você me faz é mais forte
bem mais forte que toda força que há em mim
você já me conhecia
eu chegava, você sorria
não tinha tempo ruim
que te fazia desistir de mim
desistir de me fazer feliz,
você era assim
seu sorriso iluminava os meus dias
suas mãos aliviavam minhas dores
seu colo mantinha vivo os meus sonhos
seu carinho era o sentido da minha vida
quando os seus olhos se encontravam com os meus
era incondicional, verdadeiro e puro amor
a sua boca se privava do prato
para me ter corado e farto
é claro que eu choro todo dia
a saudade
a falta que você me faz é mais forte
bem mais forte que toda força que há em mim
domingo, 20 de setembro de 2015
avenida são paulo
(para
Mara de Aquino)
se há experiência vazia
há folhas sempre em branco
tão quão o pensamento
que me remete angustiado
esperançoso
para essa segunda feira.
avenida são paulo é uma fase
mesmo que escravo alforro
fecha os olhos para a porta da senzala
aberta
mãe neguinha arrasta
mesmo estando distante, arrasta
dimensões não rompem o cordão
isauro clausurado a qualquer hora abre os olhos
Deus existe onde o sol não descansa
imaculado o chão
imaculado o chão
imaculado o chão
senhor de toda essa saudade.
avenida são paulo, teu rabo é sujo
avenida são paulo é fase
avenida são paulo é de fases
avenida são paulo já passou
avenida são paulo sempre cheia vai morrer sozinha
avenida são paulo não existe
avenida são paulo são pernas abertas,
onde todos entram e ninguém fica
avenida são paulo come todos
mas quem come não sente saudades.
ficam dois corações
um volta para o sol
arrebentado
nessa
resistência
em
não escrever poema de amorse há experiência vazia
há folhas sempre em branco
tão quão o pensamento
que me remete angustiado
esperançoso
para essa segunda feira.
avenida são paulo é uma fase
mesmo que escravo alforro
fecha os olhos para a porta da senzala
aberta
mãe neguinha arrasta
mesmo estando distante, arrasta
dimensões não rompem o cordão
isauro clausurado a qualquer hora abre os olhos
Deus existe onde o sol não descansa
imaculado o chão
imaculado o chão
imaculado o chão
senhor de toda essa saudade.
avenida são paulo, teu rabo é sujo
avenida são paulo é fase
avenida são paulo é de fases
avenida são paulo já passou
avenida são paulo sempre cheia vai morrer sozinha
avenida são paulo não existe
avenida são paulo são pernas abertas,
onde todos entram e ninguém fica
avenida são paulo come todos
mas quem come não sente saudades.
ficam dois corações
um volta para o sol
arrebentado
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
justificativa
eu sou desses que não acerta
que não conserta
que não tem conserto
se miro – erro
se não miro – erro do mesmo jeito
tiro no escuro é o certo tiro no pé.
não acredito em mitos
porra, nasci num mês de agosto
vai ser sortudo assim lá na bomfim
nasci do lado, parede com um puteiro
enquanto a maioria das crianças ouvia
“nana neném, que a cuca vai pegar...”
eu não, comigo era menos suave
“mais... mais... para não/para não... haaaaa”
como alguém pode esperar que eu seja santo?
nem num hospital tive o privilégio de nascer
dona tereza me pariu em casa
no último degrau de uma escada
que parecia não ter fim
minha vida seguiu assim, sem rima
ladeira para ir,
ladeira para vir
olha, desisto
é crueldade demais alguém ainda desejar
que eu seja normal
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