domingo, 20 de setembro de 2015

avenida são paulo

(para Mara de Aquino)          


nessa resistência
em não escrever poema de amor
se há experiência vazia
há folhas sempre em branco
tão quão o pensamento
que me remete angustiado
esperançoso
para essa segunda feira.
avenida são paulo é uma fase
mesmo que escravo alforro
fecha os olhos  para a porta da senzala
aberta
mãe neguinha arrasta
mesmo estando distante, arrasta
dimensões não rompem o cordão
isauro clausurado a qualquer hora abre os olhos
Deus existe onde o sol não descansa
imaculado o chão
imaculado o chão
imaculado o chão
senhor de toda essa saudade.
avenida são paulo, teu rabo é sujo
avenida são paulo é fase
avenida são paulo é de fases
avenida são paulo já passou
avenida são paulo sempre cheia vai morrer sozinha
avenida são paulo não existe
avenida são paulo são pernas abertas,
onde todos entram e ninguém fica
avenida são paulo come todos
mas quem come não sente saudades.
ficam dois corações
um volta para o sol
arrebentado