sábado, 14 de outubro de 2017

nesse meu universo feminino

nasci de uma mulher, tenho 04 irmãs, por ora 04 filhas, duas netas, 02 dezenas de sobrinhas, centenas de amigas e tive 05 ex companheiras... sou mesmo um homem abençoado. de nenhuma nada a reclamar. só agradecer!”

e diante essa pandemia do feminicídio que assola nossa riqueza maior, me recordo dona tereza minha mãe, que frígida nunca gozou. que mesmo tendo me concebido sem um gozo, dela, me amou tão intensamente.
brava, determinada e destemida, foi uma das precursoras na ação de abandonar marido de casamento arranjado e forçada nos seus 13 anos para o bel e ignorante grado dos seus pais. essa foi a dona tereza de meados dos anos 1960.
e como a força da mulher que me pariu, anseio que sejam as mulheres que eu pari. fortes, decididas e determinadas senhoras dos seus sonhos, dos seus corpos e dos seus prazeres. que sejam delas o “sim” ou o “não” e como eu, o pai, sejam intensas em suas escolhas e respeitadas quando “sim” ou quando “não”.
tive filhos porque acredito na humanidade. tive filhos porque amei na totalidade do sentimento e sejam elas, senhoras das suas escolhas e consequências. sem imposição.
e como eu e as suas mães, em seus tempos e em seus juízos, sejam delas a palavra final quando a referência forem os seus corpos e sejam respeitadas as suas vontades.
...e estarei aqui. amando, respeitando e compreendendo todas as escolhas delas

 para ana clara, ana victória, ana flor, camila, gracielly, emanuelly, maria tereza e milene

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

SÓ UM RECALCADO E FRACASSADO POLITIQUEIRO

Eu posso não gostar de determinada pessoa mas eu jamais desrespeitarei a sua história e as suas conquistas. Eu posso não simpatizar com tal pessoa mas eu jamais me tornarei covarde numa tentativa de faze-lo menor. Eu posso não comungar com citada pessoa mas respeitarei sempre a sua existência, a sua dignidade, as suas lágrimas, o seu suor e a divindade que nele existe


           Eu Jurandir, conhecedor profundo de Aroldo Pereira posso com todas as propriedades falar de Aroldo Pereira e dessa amizade de quase 30 anos. Muitas lutas, muitas luas, muitas lágrimas, muito suor e toda uma doação em prol de uma aldeia e de um povo. Falo com profundidade do Aroldo pai, do Aroldo filho, do Aroldo irmão, do Aroldo companheiro (de Mirna), do Aroldo cidadão, do Aroldo militante, do Aroldo poeta e de tantos outros Aroldos porque o Aroldo são muitos. Aroldo é herói. Aroldo é vilão. Aroldo é o doce de leite que quase sempre queremos depois do almoço. Um cidadão de quem tenho muito orgulho de chamar de irmão e de quem guardo muitos dos meus melhores beijos. E momentos das lágrimas mais doloridas, pois estava ao meu lado. Falar de Aroldo é fácil, difícil é ser o Aroldo. Difícil até mesmo para quem vive a longa data como pseudo-guru de partidos mais escusos, como PL que não sobreviveu nem a uma tempestade e mudou de nome numa fusão promíscua com outra sigla pois os seus elementos eram frágeis, medíocres e impopulares. Ser Aroldo senhor luciano meira (propositalmente escrevo em minúsculo pois minúsculos são todos os covardes), assim como as vestes do poeta, ser Aroldo não lhe cabe. Não lhe cabe porque o senhor é pequeno dos pés a cabeça e, incrivelmente, consegue ser menor ainda da cabeça ao infinito. Aroldo Pereira é história, é mito vivo, é referência, é uma luta em prol do acredita que faça bem pra ele e pro próximo. Defeitos? Tem sim. Muitos. Eu poderia preencher uma página A4 citando-os mas escreveria um livro falando dos méritos.
E do senhor? Qual e como seria a sua biografia? Na capa uma suástica?
Quase 30 anos de amizade senhor luciano meira, muitas alegrias e também decepções com o próprio Aroldo mas assim como eu e você, um dia erra e no outro melhora. Aroldo não namorou nenhuma professora de história de sobrenome Barbosa e que não era minha parente e, não é da TFP e ou faz desses discursos de falsa moral. Aroldo é só um moço solidificando os seus sonhos sem fazer mal a quem quer que seja e nesses seus quase 60 anos, faz e fez mais dos que nós dois juntos que somamos mais de 120 anos. Eu, Aroldo, Marli Fróes, Mirna Mendes, Jorge Mautner, Kedma Oliver, Adélia Prado, Nicolas Behr, Mavot Sirc e outros milhões de crianças sonhadoras, somos só crianças sonhando com um mundo melhor. E sonhamos também com um mundo melhor pro senhor, pros filhos, pros seus netos, pra sua geração futura... Não se irrite ou se incomode com os nossos sonhos pois quando o senhor se levanta contra o Aroldo, movido por um ciúmes bobo, o senhor violenta os nossos sonhos.

Sendo o senhor cristão como prega ser, tenha uma dignidade ao menos; reconheça o seu fascismo e o seu escárnio pelas minorias.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

insone

o sol ensaia sobre o leste
o balé de segunda feira
que nunca foi tímida
guerreira nunca se rendeu as mesmices
de domingo
desapeia… desapeia… desapeia…
em qual esquina ficou o que era o meu sono?
praga de alguma roseira de quem roubei
a rosa amarela que nem foi entregue?
em qual dessas fotografias recortadas
e tão velhas que apenas eu enxergo?
em qual dos meus passados ficou?
em qual das camas ficou mais que o meu gozo?
sem sentido foi ter esquecido o meu sono
desapeia… desapeia… desapeia…
em qual dessas canções esqueci ou perdi,
o meu sono?
mineiro não perdi o trem. perdi o sono
ou terei perdido em algum dos meu temores?
já que os meus anseios não me tira o sono
me traz sonhos
mesmo tão aceso
desapeia… desapeia… desapeia…
ficou em montes claros? ficou em goiânia?
ficou em guarulhos? ficou em são paulo?
desapeia… desapeia… desapeia…
ficará onde eu não esquecer o poema

sábado, 7 de outubro de 2017

os seus olhos como tema


(para jerusa barbosa)

sou do instante passado
instável/estável/mutável
no seus olhos vejo o meu mapa
que não me roga o seu passado
disparada e distante d’uma atriz
essa transparência tão rara
essas desconveniências tão claras
…e fico a fazer aula com os seus olhos,
o meu laboratório.
os seus olhos enquanto tomo o açaí
assa aqui
brasa em mim…
01 poeta perdido no metrô
com os seus olhos nos meus olhos

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

janaúba

"quando uma criança morre, diminui a possibilidade de um futuro melhor para a humanidade"

eu que já enterrei a minha mãe, também enterrei a minha filha maíni. o seu velório aconteceu no dia 01 de julho de 2001, portanto, há mais de 16 anos e, tragédias como essa de janaúba me remete ao passado e me vejo diante o seu caixão, outra vez.
conheço na pele e na alma o que existe de mais intenso no sentimento "dor".  conheço o gosto do sal da saudade, pelas tantas lágrimas caídas de mim. conheço da falta de ar, do cansaço e da dor no peito provocados pelo choro que nunca consigo segurar e me toma inteiro. também conheço Deus. conheço o seu amparo, o seu colo e o seu amor. é para Deus a minha vela laranja que acendo todos os dias e não por barganha ou pedidos, sim, por gratidão. pela oportunidade de ter sido parido por dona tereza e ter parido a maíni... por todos os beijos de uma e da outra e, todos os instantes em que estivemos juntos. quero abraçar cada mãe e pai de janaúba, vítimas maiores dessa tragédia. quero abraçar cada mãe e pai desses países que vem chacinando as nossas crianças por crenças doentias e seitas nefastas. quero abraçar todas as mães e pais da mãe áfrica que enterram todos os dias os seus filhos, vitimas da fome e da guerra... e abraço à cada oração que faço e a cada pedido a Deus para que janaúba não se repita em outras cidades...
Pai criador, vem do Senhor todo o conforto!

sábado, 30 de setembro de 2017

a coisa

a coisa tem 1,50 de altura
3 metros de vazio
não sei se é bicho
ou um saco preto, vazio
meu deus, a coisa tem uma cabeça grande
lembra o espantalho da colheita maldita
é menina
é menino
meu deus, parece um reservatório
in tietê
hora penso que é uma escultura de césio
não é 137... 1968
meu deus, a coisa não tem dentes
é carma
meu deus, a coisa não tem cama
camas
sutras

terça-feira, 26 de setembro de 2017

essas malditas calcinhas cor da pele

(bem assim amigo carlos cledson)

eu sou assim; poeta carente e menino fogoso, moço de um único amor. Nasci para ser par, puto e monogâmico. Nessa tarde, solteiro, comecei a relembrar as calcinhas das mulheres que amei. Nenhuma outra peça de roupa possui tantas variedades e opções em cores, tecidos, design e acabamento como as calcinhas. Cada corpo tem a sua combinação. Corpo e personalidade se encaixam e se combinam com tal modelo.

as tangas já me propiciaram altos delírios. Hoje, as caleçon’s, hot pant e string com rendas são as que me dominam. Me pira aquela renda delicada e cheia de maldades. Lindas e crueis, as calcinhas bikinis em renda me enche de fogo e faz minha fértil mente, trabalhar na inspiração e, dá-lhe surra de hormônios.

e, diante tantas opções, cada uma mais provocativa e instigante que a outra, aparece aquelas malditas calcinhas cor de pele. Nada é mais broxante do que as malditas calcinhas cor da pele. Todo casamento acaba por causa de uma calcinha cor da pele. As malditas calcinhas cor da pele são o aviso que a sua amante/esposa/namorada perdeu o tesão e quer que você perca também. Calcinha cor da pele e o seu maldito efeito é tão forte que, até expostas em vitrines, quando vejo, me broxa pro resto da semana.

diga não as malditas calcinhas cor da pele.

sábado, 23 de setembro de 2017

querer querer

querer querer

é um querer desembestado
feito criança que come o seu doce
com papel e tudo
e sem medo se lambuza feliz, satifeito.
é um querer, tão afoito
que nem medo rola
pois não há tempo para me amedrontar
já que tão bem conheço
o caminho do seu sorriso e,
a dimensão do seu colo.
é um querer bem querer que vc me queira
porque cabe em mim
tudo que existe em você
e eu, você querendo
caberei tão bem em você.
é um querer tão pulsante, latejante
que pulsa mais do que qualquer tesão,
desses que já senti
desses que você já sentiu
que arrebanha todo o corpo
e termina lá não sei onde
mas que fica depois do arco iris
e vale mais que o pote de ouro.
é um querer tão intenso
tão imenso
maior dos meus sonhos.
é um querer tão puro e santo
que me sinto o bebê se alimentando
se esperançando com o amanhã

sábado, 22 de julho de 2017

caminhares


são paulo me come; me ensina também
(para minha filha ana victória)


tenho por são paulo uma tremenda gratidão. me trouxe oportunidades e muitos momentos bons que estarão comigo independente de onde eu esteja. me oportunizou em ampliar meu leque de amigos maravilhosos e, quase todos, de outros sertões desse brasil e que aqui também buscam oportunidades. são paulo me ensinou a respirar depois de muitos anos de angústias nessa cidade de muitos habitantes e poucos humanos. com são paulo e em são paulo, aprendi que tenho que dedicar o meu tempo com pessoas que fazem questão de mim, que queiram dividir comigo o instante de um abraço. com são paulo e em são paulo aprendi que o meu tempo é curto e necessito seguir sem armazenar mágoas e rancores causados por pessoas ocas pois com esse tempo perdido, pessoas inteiras de almas e valores passarão ao meu lado e cego por sentimentos pequenos, não perceberei. com são paulo e em são paulo aprendi que caminhar é preciso e sempre olhando pra frente pois, o tempo que perco olhando para trás é tempo suficiente para eu perder os sorrisos de quem caminha comigo. com são paulo e em são paulo aprendi que dona tereza tinha razão que as pessoas podem mudar. eu mudei. eu melhorei como ser divino em essência. que se trata apenas de querer. com são paulo e em são paulo aprendi que eu sou as minhas escolhas e a outra pessoa, suas escolhas. o importante é que eu me deite e acorde com a consciência em estado completo de paz. com são paulo e em são paulo eu aprendi que o problema da minha tristeza aqui não era são paulo e sim, caminhar sozinho.


eu nasci para ser par e plural

domingo, 25 de junho de 2017

sábado, 22 de abril de 2017

solidânsia


eu não tenho preconceito com rivotril como a maioria das pessoas. eu tenho asco é de gente hipócrita, vulgar, promíscua, oca e sem escrúpulos. com rivotril eu tenho uma grande sensação de paz mesmo que por tempo determinado. a minha tristeza dá um tempo, a minha solidão descansa por algum tempo e até esqueço que vivo sozinho numa cidade com mais de 11 milhões de habitantes. quando eu tomo rivotril, aquela moça vem preencher o lado vazio da cama. quando não tomo rivotril, e não tomo à muito tempo, o que existe em mim é só solidão...

sexta-feira, 14 de abril de 2017

revoada

entre a massa
sem massa
cinzentas nuvens agouram o sol
enquanto o poema vence o cinismo
vil contracheque
tão ou mais sujo
que as varas dos chiqueiros
enquanto o poema vence as escrotices
passado, presente e futuro;
no poema não tem ratos
dissimula o lamaçal
enquanto o poema é maior que todos os males
dissimula o lamaçal
enquanto o poema é maior que todos os males

sexta-feira, 3 de março de 2017

aperto


a tristeza que há em mim
não é pelo que perdi,
nem tão pouco por aquela pele negra 
que me fazia tão bem,
minha tristeza é acordar 
todos os dias
sozinho
e tão distante dos amigos
que estão lá em minas
me recolho/encolho agora
para me expandir amanhã