segunda-feira, 30 de outubro de 2017

rodopios

era para ser uma viagem de três horas até a casa da minha irmã eliana. são paulo meu ponto de saída, jacutinga-mg meu destino. porta mala vazio. bancos de passageiros vazios. vazio também o banco do motorista. por companhia apenas o meu cd estradeiro, 212 maravilhosas músicas dos anos 70 e 80 que levo por todas as viagens que faço. umas poucas músicas dos anos 60.
viagem que seria de três horas virou viagem de seis horas. chegando em brangança paulista uma certa moça me conquistou. depois de pouco mais de uma hora sozinho, ela preencheu todo o interior do meu carro. não direi que foi amor a primeira vista pois na ida, me apaixonei. na volta, já de quatro e caminhando em nuvens, estava mesmo era amando.
que mulher tão bem informada, pensava. essa voz tão segura e firme me prendia em imaginar coisas com sua boca. falava sem titubear e ainda assim, toda a simplicidade que os fortes tem. (é ela, pensava o tempo todo). penso que ela também percebeu esse meu estado de encantamento. penso que ela percebeu o meu estado de completa carência e maior abandonado depois de três longos anos e meio de completa solidão.
para quem duvidava de uma companheira perfeita, ali estava uma comigo em uma rodovia que eu nem conhecia. e ninguém para nos interromper ou velar o clima.
a minha dúvida era, chegando em jacutinga como á apresentarei a minha irmã? ela com certeza notará em meus olhos todo esse encantamento que tenho.  meu Deus, como direi a minha irmã que me apaixonei pela moça que passa as coordenadas do GPS?