domingo, 24 de março de 2019

com esses pés algema nenhuma me prende. corda nenhuma me amarra. veneno nenhum me consome. olhar nenhum me derruba. escravidão nenhuma me toma. para esses pés só há tempo para descobrir, inventar, prosseguir e renovar. esqueci. não são pés. são recomeços


domingo, 17 de março de 2019

esse tempo para escrever

em noites em que não estou contigo
em dias que não lhe tenho
continuo a escrever
quando muitos já teriam desistido.
qualquer papel em branco
traz a mim todo o seu perfume
a sua pele e o seu gosto.
sem premeditar, um poema surge.
vazio apenas quando caneta ou lápis
não se encontra em minha mão.
escrevo e,
sinto o meu nariz, língua e lábios
entre os seus seios
seus mamilos a me roçar o rosto
ou a brincar entre os meus dentes.
caneta e papel qualquer, fértil
oportunidade de fazer amor,
de novo, contigo.
oportunidade de ter o seu sexo
devorando o meu sexo.
quando e enquanto escrevo
não estou só. não sinto frio
a saudade cede lugar para a sua presença.
egoísta sim e tranquilo pois,
quando escrevo tenho você para mim
só para mim, de novo.
enquanto escrevo olho o espelho
vejo a sua cara feliz e assustada
com esse poeta tarado
por você. e apenas por você.
enquanto escrevo,
desenho os momentos que vivemos
os momentos que não tivemos.
desenho você pela eternidade ao meu lado.
enquanto a caneta é o par do papel
não sou o seu herói. somos o par
entre o divino e o profano.
meu amor, é por isso que escrevo

terça-feira, 12 de março de 2019

a curva

para lúcia barbosa


retas nunca me excitam, seja na vida ou em rodovias. retas me remetem as mesmice e logo meus olhos cansam e pouca coisa descubro ou aprendo. tenho por curvas o carinho que tinha pelas professoras do primário, quando a mesmice nunca existia. as curvas são escolas. são professoras. o que vem depois da curva? depois da curva vem todas as oportunidades, todas as aprendizagens. depois da curva vem sorrisos, vem amigos, vem um novo filme num novo cinema. depois da curva vem aquela carta que o carteiro esqueceu perdida em sua sacola e não te entregou na data prevista mas que te faz um bem enorme receber e ler, mesmo depois de tantos dias corridos. depois da curva eu descubro uma nova samambaia e uma outra borboleta. depois da curva vem sempre um sol amarelo ou uma garoa que amansa as dores. depois da curva, se me canso, sento, olho o céu azul e outra possibilidade de me levantar surge com outras mãos me reerguendo. depois da curva tem sempre deus me esperando com aquele sorriso de orelha a orelha, generoso e gratuito que só ele tem. depois da curva descubro outras cores e outros tons de laranja que tão bem me faz. depois da curva sempre me renovo, pois descubro os meus fracos acontecidos pelas retas. depois da curva minha alma cresce, mesmo que as retas tenham sido nubladas e chorosas. depois das curvas, me torno um aluno melhor da vida. a curva não me assusta, não me amedronta e não me faz perder a fé. curvas são novos eus. mais bonito, mais inteiro e mais humano.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

ingenuidade

eu sou quase assim,
romântico
só um pouco mais vagabundo
quero estar escrito no seu olhar
inserido em sua pele negra
e criança sem infância que sou
de nulas lembranças
brincar nestas curvas e vulva
percurso de 1.60
hoje, seus cabelos me conduzem

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

frente a casa onde você nunca morou

(para márcia regina flor)

nesse nosso cinema mudo
eu falando português, você alemão
passei hoje próximo a sua casa
não te vi debruçada sobre a janela
me esqueci. você mora na alemanha
enquanto, do lado de cá
me perco de mim mesmo.
é claro que eu te busco por aqui
em outros rostos, em outros corpos
em outras vozes mesmo que agudas
saudade dessa sua voz rouca.
saudade desse seu corpo grande
sobre o meu. o meu encanto
eu suspirando ouvindo tim maia
me esperançando naquela esquina
onde ainda não nos encontramos.
posso te esperar lá, amanhã, às 22 horas?
pena que a alemanha fica tão longe
pena que você não fala português
que eu não fale alemão
ficamos assim então;
ouvimos tim maia, entrelaçadas as mãos

domingo, 24 de fevereiro de 2019

o calabouço

(para marília martins)


o teatro tatuado na sola do pé
primeiro me fez correr, não era medo
meu deus, não era medo
é que não me dizia nada
ela achando que aquilo dizia tudo
sem solução. sim? não?
cabe tudo numa mão em concha
tudo que havia dentro dela.
havia um grito na esquina, ela surda
havia um grito na esquina, ela surda
nenhuma cama era muito. ou pouco
era nada
a tatuagem em sua sola não dizia nada
simples assim. como sua alma
ou sua cara de desdém na feira da madrugada
foi testemunhado na placa da esquina
“ali ninguém se completa
em seus olhos, umbigo
em seus seios, umbigo
em sua bunda quadrada, umbigo
em sua vagina seca, umbigo
nas palmas de suas mãos, umbigo”
tem uma cobra no meu telhado.
os seus cabelos não me levarão a lugar nenhum

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

biografia

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recado

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alma siamesa

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saudade nº1

desinteresse

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saudade nº2

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sebo

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saudade nº3

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para manter aceso o amor

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

inquietudes e outras porras

(para idalécio ferreira)


para os cigarros que não fumei
para as transas que não aconteceram
para as alucinações alcoólicas
e os seus comas
que nunca me acompanharam
01 primeiro poema por um vinho
poderia ser as transas, ou as tramas
ou as moças nuas nessa cama
mas não/ tinha que ser o vinho
bukowski era o gozo feminino
o efeito do porre antes,
durante e depois dos poemas
(já sinto o rosto queimando)
eu/bukouski, em comum
frye’s
nenhum outro tema
frye’s frye’s frye’s
ou o 5º dos infernus?
01 outro copo de vinho
(já vejo a minha cara vermelha)
01 drinque a morte da bezerra
e choro. e choro. e choro
bukowski – um ex pau duro
01 lenço ao lado, sujo
(vejo o meu irmão gêmeo no espelho)
não estou em são paulo
estou nesse poema de paraquedas
para falar de bukowski
já que não me resta mais vinho
nem tabaco, nem bocetas
(já sinto o corpo tremer – não é gozo)
pena

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

parapeito

deixa eu te falar,
estou aqui, rente a janela
segundo andar, olhando o céu
estranhamente não vejo estrelas
também não vejo nuvens
calçado com os velhos chinelos
de couro, franciscanas, tomando café
num velho copo de plástico amarelo
ouvindo tim maia, sozinho.
deixa eu te falar,
sem sina, sem rumo
prumo é o que me queria tereza
sem chance... sem chances
e os sonhos nas mãos em concha?
sem estrela cadente nesse céu pelado
nem a merda de um pedido iludido
nem a garrafa de um vinho vagabundo.
deixa eu te falar, não sei quem é você
não sei onde você está. se existe
não sei porque esse tempo perdido
não lhe escrevo mais nada
se o meu grito é para ninguém

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

coisas de estradas

sinto saudade daqueles beijos
daquele ônibus
destino que não lembro qual era
lembro apenas da ultima poltrona
ao lado do banheiro
que rangeu algumas vezes
madrugada adentro
sinto saudade de são paulo
sinto saudade de guarulhos
sinto saudade de goiânia
sinto saudades de montes claros
o destino não lembro qual era
a minha mão em concha
na concha
enquanto meu lóbulo entre dentes
amanhã outro ônibus me espera

coisas do vinho

sei lá... queria estar apaixonado. saudade de estar casado. de ter uma moça que me abrace silenciosamente enquanto choro de saudade de dona tereza. que me acorde toda manhã e, muito doce e firme me diga; vai trabalhar vagabundo. mas que antes me beije muito. sou dependente de beijos. saudade daqueles beijos inteiros. alguém que esteja do meu lado em todos as tempestades. alguém que me acolha e me resguarde. alguém para ouvir tim maia, zé geraldo e led zeppelin.

tenho cansado de estar só. quase dois anos

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

fato n.7


fato n.2


fato n.4


hipocrética 28

joão trepava com maria
que transava com a renata
que era amante do samuel
que tinha um romance com o paulo
que saía com a simone
que aos sábados era só do marcos
que punhetava todos os dias pra laís
que vivia de siririca nas redes sociais.
joão, maria, renata, samuel, paulo,
simone, marcos e laís
hoje moram juntos, lá no tatuapé
família grande, unida
fundaram uma igreja
abriram um consultório de psiquiatria
ovelhas no prato principal
pacientes para tira-gosto

domingo, 9 de setembro de 2018

pela janela do carro

não estou em são paulo
não estou em montes claros
não estou em lugar nenhum
quando queria mesmo
era estar no reflexo dos seus olhos
não estou em são paulo
não estou em montes claros
estou preso nesse dilema
com o banco recostado do meu carro
não estou em são paulo
não estou em montes claros
estou aqui, ensaiando o que dizer
quando acidentalmente nos encontrar-mos
não estou em são paulo
não estou em montes claros
estou inquieto nas músicas do tim maia
não estou em são paulo
não estou em montes claros
estou aprendendo a ler a palma da mão
para descobrir se iremos nos encontrar
não estou em são paulo
não estou em montes claros
estou preso em algum lugar

sábado, 8 de setembro de 2018

abobalhado

sabe daquele poema bobo
babado, melado, preguento
que depois de alguns anos
você o encontra por acaso
lê, se envergonha e diz;
eu escrevi essa abobrinha?
então…
estou quase escrevendo um

qualidade

o ser humano está igual os alimentos dos mercados.
melhoram a embalagem mas vem com menos conteúdo e menos qualidade

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

hipocrética 44

eu não sei fazer acordos
fechar os olhos, continuar
eu não sei perdoar
porque o alzaimer não me ganhou
ainda
esquecer não sei, nem quero
nem sei porque
tenho memória de elefante
e para foder tudo, de vez
gosto de ser assim
língua afiada, impaciente
sorriso a conta gota, por merecimento
não faço acordos
não tenho alzaimer
gosto de brincar na cama
no dia a dia, de verdades

terça-feira, 4 de setembro de 2018

dia a dia

(canto de dor)


me lembro do índio queimado
o índio era eu
me lembro "dos museus queimados"
o museu era eu
me lembro do índio e do morador de rua
queimados
o morador era eu
me lembro da favela queimada
a favela era eu
me lembro da fauna e da flora queimada
metade minha é a fauna
a outra metade, a flora
me lembro da mulher queimada
a mulher era eu
me lembro do negro queimado
o negro sou eu
queimei sete vezes vezes muitas
agonizei.
esquecido. ignorado. largado
não choraram comigo e nem por mim
mas choraram quando sete
foi a derrota numa partida de futebol

segunda-feira, 16 de julho de 2018

circunstância 302

ela descia a rua augusta. era uma bailarina anônima nos anos 70. ainda assim, carregava o sex appeal que lotaria qualquer macho de desejos. eu a seguindo sempre de seis a oito metros de distância para que não me percebesse. por três vezes parou frente a vitrine de lojas de sex shops. ela viajava nas peças no interior da loja e eu viajava nela, tentando imaginar qual daquelas peças mais lhe interessava, mais lhe caia bem. a despi trinta e duas vezes naqueles três momentos. números de peças que me atraíram, expostas nas vitrines. todas as peças parecem ter sido confeccionada sob medidas para ela pois, tudo lhe caia divinamente bem. um volume grande se mostrava atrás da braguilha da minha calça. incomodando até a mim mesmo. natural esse acontecimento pois a poucos passos a minha frente estava a mulher mais linda que já vi nesses quarenta e oito horas de são paulo. e se eu lhe desse um bom dia? e se eu lhe fizesse um elogio? cadê coragem... assim entre desejos e receios ela vira, me encara, sorri e fala comigo;

_tudo bem meu amor? quer fazer um programa?
meu deus, ela tem gogó. meu deus, ela tem a voz mais grave que a minha
_bom dia moça. eu sou tímido para aparecer em programa de tv. um bom dia

segunda-feira, 9 de julho de 2018

cálice

daquela manhã, na praça da matriz
guardo o gosto do remorso
do beijo que neguei
não que eu à deseje hoje
não que hoje me fariam bem, seus lábios
seria uma história a contar aos meus netos
já são tão poucas
que eu não escreveria um diário
no máximo, um bloco de notas
Deus, preciso de mais trinta segundos
e materializarei essa enciclopédia
que carrego nas sedes dos meus lábios

fotografia 104


agora 301

hoje amanheci triste
carência de não sei quem
um conhaque
uma punheta
outro corpo qualquer
não mais me satisfaz
criarei coragem para atravessar a rua e,
descobrir o que existe do lado de lá
alguém do lado esquerdo da esquina
para completar
a margem esquerda da minha poesia

sexta-feira, 6 de julho de 2018

memória 503

aquela mulher dos cabelos negros
e anelados
que dominou esse 1,90 de insanidade
durante vinho, queijo e rock n roll
morreu na madrugada de maio
num dia frio e que não me lembro
de um ano esquecido por mim
creio também, que por Deus
de herança,
imagens que realmente contam
calcinhas caleçons brancas, transparentes
ai Deus, como era bom
e depois da mais gostosa surra matinal
toda feminina e sacana em meu ouvido
sussurrava junto a ultima gota do gozo;
_vai trabalhar vagabundo

domingo, 1 de julho de 2018

LZ para anular LSD

(para sinval júnior)


não estou em são paulo
não estou em brasília
não estou em montes claros
estou dentro de 01 dilema
sem paredes, sem teto
sem olhares, sem direção
cotovelos sobre uma mesa
a mão esquerda sustentando o queixo
numa busca contra as angústias
que dominam o coração
não há tereza para salvação
vitrola sem agulha
“in through the out door”
noite sem salvação

terça-feira, 5 de junho de 2018

hipocrética 171

quando a casa cai;
gardenal
quando a máscara cai;
dissimulação
quando a cara é de pau;
peroba
quando a mentira se prova;
os traumas e abusos
quando acuada;
teatro
quando contradita;
a ira
quando morde a língua;
o suicídio
quando pede desculpas;
noutras encarnações
>pra tudo; desculpas

sexta-feira, 11 de maio de 2018

segunda-feira, 2 de abril de 2018

inté+ braxília

braxília nem é tão canibal assim
só me comeu do meio pra cabeça
braxília tem pouco apetite
“para carnes boas”
são paulo não
são paulo me comia todos os dia
e doía
e era bom
braxília é linda
tem uma árvore em cada metro
braxília faz rock n roll
é rock n roll
mesmo que só ouçamos sertanejos
entre seus bares e pessoas
braxília é um poema que insola
o pau
a testa
os sonhos
queima ou queima
não deixa dúvidas
braxília, que fique claro;
amei o seu bandeirante
suas árvores
seus poemas
e suas moças.
volto em outras primaveras
levo boas recordações

sábado, 31 de março de 2018

profetizo

vida cigana
pássaro sem anilha
um encontro aguardado
lp's reservado
para um trilha sonora
sem hora
senhora
uma hora acontece

domingo, 18 de março de 2018

cigano ao fim da linha

vida cigana tem seus encantos, seus sabores e suas mágicas mas há dias em que acordamos e, sozinhos, olhamos para o lado e o silêncio impera na cama, nas paredes e aos arredores. uma vontade enorme de maínha me toma mas maínha morreu faz anos. sinto saudade da lesse mas lesse minha cadela pastor alemão morreu já faz 14 anos. lembro do seu chico da pamonha que me contava causos da sua infância e sempre alegrava as minhas manhãs. seu chico morreu e junto morreram as suas pamonhas a mais de 20 anos. viro o rosto para o outro lado da cama e um espaço maior ainda que me faz lembrar tantos outros momentos. o que será que aconteceu com a natália, minha paixão dos sete anos de idade? júnia marise, meu amor dos 09 anos de idade e a garota mais linda da turma da quarta série da escola zinha prates no ano de 1987, como estará júnia marise? casada? avó? com seis filhos assim como eu? waldir cdf o meu protegido que ninguém podia tocar ou apanharia de mim, onde andará o waldir? por onde andará tia solange, tia pretinha, tinha graça e tia adeir, professoras do meu primário? será se ainda se lembram do meu rosto ou do meu nome? das mulheres que amei, uma ou duas pensam em mim vez ou outra? o cigano que não tem canto, nem rumo e nem ninguém, relembra todos os dias as ruas de montes claros, do major prates ao independência, do maracanã ao eldorado, da vila oliveira ao jardim primavera. e daquele banco da praça da matriz onde aconteceram os beijos mais inteiros.

sábado, 17 de março de 2018

21:21

cabe em mim todos os sonhos
ainda não realizados, os inteiros
pois as metades
deixei para trás
já que não me deixaram marcas,
desconstruir
o contentamento com o pequeno
o vício com o imediato
o fácil do arreganho
fácil veio
fácil vai
só assim;
um vinho
um beijo inteiro
uma jornada
em seus cabelos anelados

sexta-feira, 9 de março de 2018

nostalgia 31

no tédio candango
01 tema para o meu poema
em branco
uma vela laranja que não me salva
parece não me levar a nada
a lugar nenhum
nem as pedras, só elas
além do meio do caminho
uma pausa;
tem uma senhora cabelos brancos
banguela
me olhando
através da garrafa que atravessou o atlântico
senhorinha, o seu rosto atravessa
o vidro escuro e o vinho. como consegue?
mais sadio retornar ao tédio
♪whole lotta love
para salvar a noite, o poema
o poeta



terça-feira, 6 de março de 2018

reflexão 44

ser inteiro. ser intenso; quanto mais velho fico, mais descubro o quanto a vida é curta e o quanto a vida é perfeita. curta demais para se perder tempo com situações pequenas e perfeita demais para se compartilhar com pessoas inteiras e intensas. certezas temos duas; nascemos e morremos. de onde vimos ou para onde iremos, suposições e achismos seja qual for a nossa crença. a vida alheia não me cabe. a inveja não me cabe. a cobiça não me cabe. a usura não me cabe. a maledicência não me cabe. o egoísmo não me cabe. a indiferença não me cabe. o que me cabe são as pessoas inteiras e intensas e as situações inteiras e intensas que elas me proporcionam

sábado, 3 de março de 2018

recomeçar sempre

recomeça-se do zero; recomeçar é sempre cruel e nunca é fácil. apega-se ao sólido, ao material, ao imaterial, a presença e até mesmo a própria imagem e presença. apega-se ao timbre da voz, ao perfume que usava, a cor preferida das roupas, aos filmes que assistiam juntos, as músicas que ouviam juntos, as drogas que usavam juntos, as merdas que faziam juntos e alguns se apegam até mesmo as coisas boas que faziam juntos. há os que se apegam as recordações ruins. outros se alimentam, perpetuam e sobrevivem do que não viveram. seria esse o pior desapego? desapegar-se do beijo não dado? “dos remorsos/ que trago no peito/ os que mais me machucam/ são os dos beijos negados/ lábios em remorso”. os dias passam, as noites se alongam e o tempo não se repete. as pessoas não se repetem. o fracasso se repete se permitirmos. o que vem fácil vai fácil. conquistar pede suor e tudo que é raro e ímpar, é cavacado. debruçar tem dois sentidos, um te permite o novo e o outro, te mantem refém com os cotovelos na janela. hoje eu deletei mais de 720 fotos da memória. da cabeça, do celular, do notebook e do álbum envelhecido escondido na última gaveta do armário. hoje eu me sinto pronto para recomeçar. para recomeçar inteiro, sem os vícios e sem medos. o meu coração é muito grande e muito humano para viver de passados acinzentados. já a minha alma se alimenta é para o futuro

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

reflexão 103

ruim? não! tudo vira escola; a vida vai moldando o nosso caráter, os nossos valores e a nossa própria essência. feliz ou infelizmente vivemos em grupos sociais (não falo de internet), harmonia é o que deve reger todos os meios. para que essa harmonia exista e nenhuma das partes se contrarie, o importante é chegar sem se incomodar com os vícios já existentes e se esse incômodo existir, você que chegou então, a coerência é que você se retire. vícios do padrão de vida, dos hábitos do dia a dia, da relação pessoal... essas não se renovam ou quando se renovam é por atitude própria. vontade própria. não gaste o seu tempo, não estresse o seu emocional falando do que você pensa daquilo que te incomoda pois todos os vícios, sendo errados aos seus olhos ou não é sim uma opção e direito da outra pessoa. o ser humano é consciente de cada vício seu, de cada atitude sua e não são impulsos ou instintos, são atos pensados e que os aprazem. toda a sua fala e manifestação será um desgaste apenas para você pois a outra pessoa, ou as outras pessoas, já estão incrustados naqueles vícios e atos. todo erro é consciente. todo acerto é uma escolha. se te faz mal ou vai contra os seus princípios, se afaste.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

aos cabelos de elisa lucinda

puta dor de cabeça,
insônia sem fim
nem sonhar posso
papel em branco
lápis sem ponta
um poema inacabado
01 poeta inacabado
elisa, retrato perdido
pelas ruas de são paulo
nem sonhar posso
com os seus cabelos anelados
nada aprendi com maquiavel
pássaro não voa com anilha
pensa que voa sem sair do chão
canjiquinha de milho bolorado
nem sonhar posso
ou sentir seus cabelos anelados
mão em concha que carrega sonhos
e sementes pela estrada
insônia
nem sonhar posso, por hoje

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

horti-braxília

A imagem pode conter: fruta e comida
braxília e os seus encantos, braxília e as suas cores, braxília e os seus sabores, braxília e a moça linda que me acalma a alma todos as manhãs... braxília e as suas frutas por todas as ruas e avenidas (apesar que esses porras cagaram em batiza-las em consoantes e números)... hoje terei suco de acerola no almoço, colhido direto da árvore da quadra de cima. já teve manga, jaca e até pequi anêmico e insosso... braxília, nem tudo aqui fede. tem a moça de 1.62 e esses poetas



control C + control V

control c + control v - a arte imita a vida e a vida imita o raso, o vazio, o oco; pensar não provoca tesão, a cautela não provoca tesão, a sensibilidade não provoca tesão, a coerência não provoca tesão, o pudor não provoca tesão, o moral não provoca tesão, a poesia não provoca tesão, a mensagem não provoca tesão. o que soma e agrega não excita... a facilidade provoca o tesão. o que é ruim se copia. o imediatismo se copia. a vida alheia provoca o tesão. o tesão é o agora. olhamos o outro e copiamos do outro tudo que nada nos agrega mas que trás o prazer imediato. olhamos, nos enchemos de tesão. copiamos e colamos em nós. tudo muito rápido. tudo sem olharmos para o amanhã. uma apropriação sem nenhum cuidado e nenhum remorso. um vício tão grande esse de querer o imediato, o fácil e o já entregue que não perdemos um segundo para refletirmos; vale a pena? o que somará em mim? quem e o que serei depois dessa apropriação? a maior defesa dos que se apegam ao imediatismo é o velho e pobre pensamento de que “a vida é curta”. pode ser que sim mas a vida também é longeva e o que seremos e como estaremos na longevidade? quem estará conosco?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

pensamento 203

eu sou da transparência. eu sou do perder se preciso for mas que eu não me perda de mim. eu sou nu no pensar, no agir e no existir. eu muito tranquilamente perco pessoas ao longo da estrada mas me recuso a me perder de mim. se eu me perder de mim, de quem sou, de onde sou e para onde eu quero ir, aí sim a minha vida não terá valido a pena...


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

manhãs de agosto sem modéstia

(para kedma o’liver)

agosto cabe em todos os gostos
em todos os abraços
cabe nos encontros do clube da esquina
nas rodas de praças
na pele negra que caminha a minha frente
na mesma calçada
agosto é das festas
marujos, caboclos, catopês
cabe no poema não concluído
que antecede a primavera
cabe no meio de um sorriso
ou no mais inteiro dos meios beijos
agosto que não é de agouro
receita de tantos louros
manhãs de sol alto, solto
amarelo como ouro
agosto são as coisas boas, quentes
quase tão quente quanto colo de mãe
agosto não é tímido como o virgem
é fogo que queima sem pudor
despudoramente vagal e sedutor
agosto é assim; eu perdido nessas passarelas




sábado, 10 de fevereiro de 2018

reinventar-se

reinventar-se é urgente no existir; muitas pessoas são como eu, nômades e inquietos. um dia aqui, outro dia ali. almas andarilhas e pernas ligeiras. porquê de ser assim eu não sei. talvez seja a alma insatisfeita, incompleta e buscando uma completude. ou outra coisa. quanto a mim, necessidade de sempre estar buscando algo que me complete. ou alguém. ou coisa nenhuma. ou sei lá. ou nem quero saber por ter medo de descobrir. a única certeza que tenho é o vazio deixado por dona tereza e a paixão pela cor laranja, ocre. cada alma, cada canto, cada aceno, cada oi, cada bom dia, cada por favor, cada cama, cada olhar, cada dia, cada noite, cada encontro, cada desencontro, cada desencanto… reinventar-se é urgente. cada pessoa é um novo mundo. cada sorriso é um novo porto. cada abraço é um novo dia. cada colo é uma outra mãe. cada momento é uma nova oportunidade. cada manhã é novamente deus te recebendo. reinventar-se é urgente. reinventar-se mantendo a essência, a transparência. reinventar-se e manter a gratidão por todos e tudo que já viveu. reinventar-se e alimentar o que existe de melhor no outro e em você. reinventar-se sem se perder.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

tédio 304

(para Fernando Salomon Bezerra)

como alimentar sonhos
encontros e acasos
ou casos/ ou tudo/ ou nada
se não existe esquinas em braxília?
em braxília existe tesourinhas
tesouras cortam tudo, e sonhos
em minha estrada cigana e vagal
sou torto de esquinas, são delas
os meus encontros e desencontros
também alguns poemas, e gozos
os que mais cabem em mim
são paulo me comia todos os dias
sem cuspe e sem dó
braxília me broxa, se broxa, nos broxa
mesmo com tantos poetas grandes
e rock
(mesmo o breganejo dominando rádios
e suas cabeças)
braxília por favor; me estupre
sem cuspe, também, me coma sem dó
me violente por todos os poros
me coma literalmente. toda a minha carne
nada de antropofagia ou gemidos ensaiados
me violente dos pés a cabeça, sem cafuné
da cabeça ao infinito você não me toca
minha alma e a minha luz tem um canto
me esperam em montes claros
ou façamos um acordo
ou me coma logo e cru
ou me deixe invadir as suas entranhas
sou só amor braxília
é o que quero, bukowskiar

domingo, 4 de fevereiro de 2018

desmemoria

movidos por conveniência, a humanidade caminha sordidamente em passos largos para a total cara de pau. tivemos vários períodos durante a evolução humana. homo sapiens neanderthalensis, homo sapiens, homo erectus, homo habilis, australopiteco e o homo atual, o homo dissimuladus. espécie essa que teve o seu período de tempo de evolução mais rápido. nociva para a sua própria consanguinidade pelo grau de meticulosidade e talentos cênicos que ele tem em interagir socialmente. a sua evolução biológica, intelectual, cultural e física-emocional propiciou a ele talentos mais significativos que a descoberta do fogo e a invenção da roda. o talento de “teatralizar. de encenar. de fingir dor, valor e moral”. movidos pelo imediatismo, se desgarraram da naturalidade e do etéreo. do ético e do divino. do conteúdo e da sua própria história e formação.
essa espécie andante atual (graças ao maravilhoso Deus criador não aprenderam a voar pois iria ser uma competição doentia de um querendo voar mais alto que o outro para cagar no outro de baixo). entre as suas estratégias para a socialização, “vamos esquecer o passado. quem vive de passado é museu. o que importa é o agora e o futuro”. uma observação; vamos esquecer não o passado e sim o que fiz de ruim no passado pois das coisas boas eles não querem que o outro, esqueça. ao contrário, alimenta o outro com as boas memórias que viveu ou produziu. classificar isso como hipocrisia é pouco. eu particularmente chamo isso de total crueldade humana. nunca nos pedem ou pedimos para que esqueçam as boas ações, os bons acontecimentos, as boas realizações... Deus deve ter crise de vômitos a cada milésimo de segundo quando olha para uma de suas criações. criaturas. humanos.
eu só quero e me policio; o que de ruim existe ou existiu em minha história faz sim parte de mim e do que sou agora, só não quero que seja esquecido e nem esquecerei pois assim me cuidarei para que não seja parte da construção que quero ser.
Deus existe, é amor. é justo. e cobra.

aos amigos eu desejo um dia de muita interação com o amor e com a essência divina que existe dentro de cada humano.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

para ontem

(para vanessa candido)

em braxília, em algum lugar
além da carne, além de aqui
além de vidas, além de sonhos
por quais meios
em quais rumos
em quais esquinas e ruas
em quais rimas
em quais muros
nos acharemos pós desencontros?
diante uma samambaia?
numa igrejinha no alto de um morro?
morramos então de gozos & urros
feitos animais esquecidos das dores
te aguardo segurando um hibisco amarelo
roubado lá em montes claros
te aguardo dentro de um livro
dentro de um filme
dentro da voz do tim maia
te aguardo inteira, sem medo
os meus se foram na primavera passada



segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

lealdade X fidelidade

lealdade X fidelidade, a nada sutil diferença; venho por algum tempo observando os relacionamentos (em especial, os meus) e sinto que quando uma relação começa, em seu início explosivo e apaixonado, a promessa mais feita ou a mais cobrada é a fidelidade. nessa caminhada de coloca aliança e tira aliança, cheguei a conclusão que a fidelidade não é promessa ou pedido. sim, obrigação e espontaneidade. não é a fidelidade a maior honra numa relação. lealdade é de fato a nobreza de caráter, humanismo, respeito e dedicação. nem todo fiel é leal mas todo leal é fiel. estar junto nos momentos de tropeços, de instabilidades emocionais ou financeiras, na saúde e na doença… isso é a lealdade. a lealdade é o que nos faz guardar gratidão por determinada pessoa após o fim da relação. a fidelidade é esquecida, a infidelidade vira mágoa. a lealdade torna a pessoa inesquecível para a outra e personagem presente em suas orações e conversas com Deus. eu sou da lealdade. da lealdade a pessoa amada, a família, aos amigos.

domingo, 28 de janeiro de 2018

zelo;

zelo; o amor se diferencia dos demais sentimentos não por outra razão se não pelo zelo. o amor tem a mesma intensidade da paixão, o mesmo tesão, o mesmo estado de encantamento, de euforia, pulsação, calor, fogo, desejo. o amor é a completude dos sentimentos e desejos num estágio de serenidade, e serenos, olhamos o outro num olhar presente e futuro. a paixão é o agora. o amor é o sempre. o amor traz a preocupação e a necessidade de cuidar do outro. de zelar. o amor é o grau máximo da sensibilidade e o desejo de caminhar juntos, um projeto de vida, de cuidar e ser cuidado. a inteiritude! 

o amor é um cérebro de mãe, 1% cuida dele. os outros 99% cuida do outro

contra o raso

não existe mudanças quando a essência é torta e o prazer pelo raso é a soma do conteúdo humano”.

eu acredito na humanidade, acredito que pessoas boas existam em quantidades e em todos os lugares. mas são tão poucos se comparado aos 07 bilhões de habitantes… me relaciono socialmente com grande desenvoltura, respeito e carinho entre todas as tribos e grupos. cada vez que estou diante uma nova pessoa eu me vislumbro com a possibilidade de nascer ali uma relação espiritual e essência, liberto de sentimentos mesquinhos e nocivos. vejo cada novo acontecimento desse como uma nova oportunidade de ampliar o meu leque de amizade. de amizades! eu acredito sim que existam pessoas de um todo bom e em pessoas de um todo ruim. as ruins não me marcam e não possuem forças que ofusquem a minha esperança e fé no próximo. mas como humano que sou, me desanimo por algum instante e chego a desanimar em conhecer novos humanos. instantes depois me bate gilberto gil; *andar com fé eu vou/ que a fé não costuma faiá…*
o meu exercício do cotidiano; me policiar para não decepcionar o próximo e a mim. se sou transparente sou justo e permito ao outro a opção em querer ou não, caminhar comigo

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

cultivo

sou assim... sou o que cultivam de mim
se plantam o bem em mim, colherá bons frutos
se plantam o mal em mim,
colherá toda a minha toxidade...
sou flor que se colhe como se toca
minha textura sedosa e macia,
e o meu perfume primaveril, amadeirado
é colhido como se merece,
como me toca
os meus espinhos, também

+ 01 dia, gratidão

eu, conhecedor de quem sou; falo alto, grave e grosso muitas vezes mas com toda uma educação peculiar e que me foi transmitida por dona tereza. sou do 8 ou do 80. eu amo ou odeio. “nem fede e nem cheira” é uma frase que não existe em minha estrada. relativismo é ganha pão da psicologia. política da boa vizinhança é retrato da hipocrisia. tudo em mim é gratuito. apenas não subestimem a minha inteligência. sou da reciprocidade. se me amam, eu amo. se me odeiam, que um trator atropele e mate a desgraça. se morreu e era boa pessoa, que deus o tenha. se era má pessoa, que o satanás o carregue. dos mortos eu falo o que penso e o que sentia pelo defunto quando ele era vivo. perdoar é ação para deus, eu finjo que relevo… as vezes! seja qual for a relação que se vive, amizade, familiar, social, sexual, afetiva… se sou 10 eu exijo 10, não me contento ou me satisfaço com 9 ou menos. se eu for 9 me contento com o 9. sou da reciprocidade, apenas isso. há pessoas que pensam que a santidade é virar a outra face quando uma for esbofeteada. eu não, se me esbofeteiam a cara eu saio logo é procurando uma pedra ou um pedaço de pau para mandar mais um para o hospital. amor se paga com amor e ódio se paga com ódio²… eu puto, num dia puto, numa cidade de putas que destroem tudo e todos. cadê o stf?

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

aos seus cabelos

(para vanessa candido)

eu cigano
andarilho angustiado
menino inteiro
meio adulto
adulto errante
entre tereza
entre cep’s
moc minas
entre esquinas
sempre presente
entre sóis
entre luas
entre olhos
entre seios
entre púbis
entre entranhas
entre gozos
entre camas
entre kaos
entre vinhos
entre comas
entre lâminas
setor bandeirantes
moça, para onde me levará os seus cabelos
depois dos desencontros?

sábado, 13 de janeiro de 2018

dos tarôs, búzios e similares

no primeiro poste a placa; trago o seu amor de volta em 07 dias. noutro poste a menos de 500 metros, outra placa e essa mais the flash; trago o seu amor de volta em 03 dias… como virei a esquina seguinte, tenho certeza que num dos postes a frente teria outra placa; trago o seu amor de volta em 24h. genialidade e concorrência do marketing até entre os charlatões e picaretas. desço a ladeira rindo e relembrando dona tereza e uma de suas filosofias; em terra de burros malandros não andam a pé. velha tinhosa essa dona tereza. há quem acredite no golpe e nos golpistas e juram de pé junto que funcionam. me vem uma curiosidade; será se eles fazem o inverso com as sogras? despachamos a sua sua sogra em 3 minutos. para a terra dos pés juntos. brincadeiras a parte (desejoso que fosse possível) eu relembro alguns desses picaretas que conheci (tarô, búzios, sei lá o que ciganas…) e não me lembro de ter conhecido algum deles que fosse feliz no amor. sei. trazem de volta… há quem acredite em psicografia, gnomos, druidas, elfos, unicórnios… sempre respeitando as suposições e crenças alheias. mas voltemos as cartas, tarôs e outros. há quem acredite que abrindo um buraco profundo no chão se chegará ao japão. e novamente a filósofa tereza de montes claros; em terra de cego quem tem um olho é rei. eu ainda fico naquela, para ter o amor de volta é melhor e mais confiável usar o cartão de crédito ou se consolar no whatsapp, facebook ou no puteiro mais próximo.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

braxília cor manga

braxília me assusta enormemente
mesmo quando nunca pensava em pousar aqui
braxília já me corroía os colhões
braxília me foi insolação 08 vezes
e cacetetes ameaçadores
braxília pega leve, judia pouco
porque nada é querer demais
sou só um mineiro teimoso de angústia cigana
coração errante
cheio de todos os sonhos
e ainda usando minhas meias vermelhas
braxília me olhe como um gato zebrado laranja
raro, me dá uma chance
boca suja, cheio de gauchezas, estranhezas
e o caralho à 4
pega leve e eu te apresento o meu amor
ela nasceu aqui, sabe alguns dos seus podres
sabe nada de nada de nada… de mim
mas tudo bem, nada para saber mesmo
ou queira
artimanhas que nem maquiável supunha
braxília, vamos interagir moça faceira
antes, durante e depois da cama
braxília, judia não. tem dó de mim
só tenha paciência,
ora dessa o medo passa
eu inteiro

outra manhã de gratidão


hoje acordei pensando nos anjos. não nos anjos imaginados, fictícios e supostos. acordei pensando nos anjos da terra, humanos… anjos sem asas inventadas que batem cartão, tem família pra cuidar, compromissos a cumprir e ainda assim, abrem mão de seus tempos para dedicar ao outro. conheci alguns desses em são paulo. por algum período sempre me senti só em são paulo. família, amigos distantes. anjos com nome, sobrenome e com suas lutas. josué, ivan, dona marice, luzinete, roberto, adilson, alemão. peço a deus que não tenha esquecido nenhum outro anjo. se hoje esse meu pulmão respira e trabalha (depois de uma dupla parada em 2014), muito devo a eles pelos seus carinhos, cuidados e atenções. foi preciso eu quase morrer para descobrir esses anjos (nenhum nativo de sp que fique claro)… são paulo valeu a pena mesmo se eu não tivesse produzido nada enquanto estivesse aí. são paulo valeu a pena! pena eu não ter guardado os nomes e os rostos de um casal que me apararam num cruzamento da avenida doutor arnaldo, frente ao hospital clínicas e onde estacionei o carro. tive um desmaio mas não caí ao chão. anjos antecipados, ela e ele me apararam antes. ela massageando o meu peito e ao mesmo tempo dizia; _respira, você vai ficar bem. ele anjo forte, me segurava e me levava. me deixaram dentro do hospital. nenhuma ficção nessa fala. real como os anjos… hoje outra vez acordei pensando nos meus anjos.

são paulo foi assim; cheia de anjos pra mim

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

irmão é assim;

para Marcio de Aguiar, Josué Oliveira (Cida Estevo) e Marli Fróes


irmão não é um designação de “colega de útero”. irmão é um estado de encontro de almas. irmão é bênção maior de Deus para a humanidade. é o achado maior que podemos encontrar, maior mesmo que o maior diamante encontrado por um garimpeiro. irmão… achado sem igual. irmão não tem que pensar igual, vestir igual, torcer para o mesmo time ou ter a mesma visão social, humana e política. irmãos só se amam, se respeitam e estão juntos em todos os momentos. irmãos não precisam nem abrir a boca para que possamos sentir sua alegria ou aflição ou, que possam nos sentir. irmãos divergem mas relevam no calor daquele abraço que acolhe inteiro. irmãos dizem não, não posso, sem chances ou quem sabe depois mas será sempre colo e ouvidos. colo quando o medo nos abraçar e ouvidos quando necessário for, lamentar nossas dores. irmão não é um condição de estarem juntos num mesmo espaço pois a vida muitas vezes nos manda para outros locais mas os irmãos, mesmo distantes, compartilham de nossas lutas, anseios e sonhos. ter u irmão é ter uma divindade que te abraça, te beija, te afaga e te diz muitas vezes todas as verdades necessárias e sempre sem receios pois a irmandade são para os verdadeiros e os verdadeiros nos elevam.
ter um irmão é ter a presença física de deus ao seu lado, além de dentro de você.

tenha um irmão. seja um irmão!

inquietude & outras porras

(para idalécio ferreira)

para os cigarros que não fumei
para as transas que não aconteceram
para as alucinações alcoólicas e os seus comas
que nunca me acompanharam
01 primeiro poema por um vinho
uma baita porra isso
poderia ser as transas, ou as tramas
ou as moças nuas nessa cama
mas não
tinha que ser o vinho
bukowski era o gosto do gozo feminino
o efeito do porre antes, durante e depois
dos poemas
(já sinto o rosto queimando)
eu-bukouski, em comum
frye’s
e nenhum outro tema
frye’s frye’s frye’s
sina? carma? darma?
ou o 5º dos infernos?
01 outro copo de vinho
(já vejo a minha cara vermelha)
01 drinque a morte da bezerra
e choro. e choro. e choro
bukowski – um ex pau duro
01 lenço ao lado, sujo
(vejo o meu irmão gêmeo no espelho)
eu não estou em montes claros
eu não estou em são paulo
eu não estou em brasília
estou nesse poema sem intensão
para falar de bukouski
já que não me resta mais vinho
mais tabaco
e mais bocetas
(já sinto o corpo tremer – não é gozo)
pena

sorte

crescemos ouvindo de muitos (como “conselhos”) amigos ou parentes nos dizerem; a sorte bate em sua porta uma vez. inverdade.
a sorte bate em nossas portas todos os dias quando acordamos, respiramos e agradecemos a deus por mais essa oportunidade de um novo dia pois, a sorte é o sobrenome da vida. se a vida pulsa a sorte acompanha no latejo. somos feitos de momentos, emoções, estabilidades e instabilidades emocionais e a batida na sua porta pode não ser ouvida numa dessas circunstâncias mas momentos ou dias seguintes a mesma batida retornará em sua porta. e retornará muitas vezes. a sorte não é acaso. a sorte é construída, idealizada, desejada, planejada e pede o maior dos tesões para a sua concretização. a sorte não é um repente. a sorte não é um caso de sorte e sim, um estado de busca. a sorte é a consequência da obstinação, da fé, da procura. a sorte é o fruto do querer. boas ou más sortes serão as colheitas do nosso estado de espírito, de ações, de quem somos ou do que somos.

reflexão 504

disse rui barbosa; não se mede um homem dos pés a cabeça e sim, da cabeça ao infinito. que momento iluminado do águia de haia. valoriza-se tudo que agregue algo ao humano, tudo que trave uma luta contra o imediato e o efêmero. li essa frase do rui barbosa aos meus 8/9 anos de idade e de lá para cá, se imortalizou em minha memória eterna… leio, releio e leio de novo essa frase quase todos os dias, num balé em minhas buscas pelas mensagens que armazeno para fins de crescimento espiritual, emocional, humano. com o tempo ganhei um outro olhar por esse pensamento barbosiano e penso hoje (ou ouso tentar complementar) assim; não se mede um homem dos pés a cabeça e sim da cabeça ao infinito mas, o que somos por fora pode ser o reflexo do que somos por dentro e a luminosidade de dentro nos propiciam ao infinito… para cada ambiente, momento, ocasião, situação ou momentos premeditados, cabe a reflexão do que queremos passar e de como poderemos chegar ao outro pois, se desejarmos ficar no próximo, seja coerente com todo o arredor.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

rumos

(para janaelle neri)

do outro lado,
uma rosa
do outro lado,
01 abismo
do outro lado,
01 poema
do outro lado,
01 esquema
do outro lado,
01 silêncio
do outro lado,
a canção
do outro lado,
a transparência
do outro lado,
a indiferença
do outro lado,
01 fora do armário
do outro lado,
o cenário
do outro lado,
01 aberto
do outro lado,
01 mercado
do
outro
lado
a
escolha
entre todos os lados a certeza
ainda tomaremos café
debaixo da gameleira

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

eu penso que; vanessear

o amor deva ser como uma lua cheia, iluminado.
que os amores deveriam ser um sol,
destemido e ousado.
todo amor tem que ter a paz de um fim de tarde.
o amor não deve pensar,
o amor se deve sentir,
e deixar a razão no mais fundo dos baús,
enterrado no mais longe fim de mundo.
eu penso que o amor é isso,
sem etiquetas, sem receios,
sem ensaios; in natura e cru
porque os temperos maiores do amor
são a naturalidade e a simplicidade.
o amor não usa maquiagem pois o amor
adora mostrar a cara e se orgulha dessa coragem.
o amor tem o tamanho daquele abraço inteiro,
o amor é abrigo, um colo de mãe
acolhe como o mais terno seio
para o amor o passado é momento que não existe
porque o amor vive mesmo é de agora e de amanhãs.
o amor é uma criança sem maldade,
sofre mas não desacredita e nem perde o brilho dos olhos.
o amor é aquele sertanejo teimoso,
sofre, se esperança, acredita e não arreda o pé.
não arreda um milímetro pois sabe que amar é isso,
é engolir a seco, ciente de que nada é fácil
é o que faz a existência valer a pena

reflexão 33

o que o futuro me reserva eu não sei. o que eu sei é o que eu exercito no dia de hoje para o meu futuro e os seus acontecimentos pois o meu dia de amanhã será a colheita do meu dia de hoje. não me preocupa o que me fazem, me preocupa sim as minhas ações a mim e ao próximo. a longevidade da vida é um desejo mas é a intensidade e como se vive que nos promovem para a eternidade…

que o seu dia seja intenso e justo

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

conselhos; pense antes de oferecer ou pedir

aconselhamentos são orientações delicadas e pede muita sensibilidade. um conselho mal dado pode destruir uma vida, uma relação e até mesmo, uma estrutura familiar e social. aconselhe consciente que a sua orientação terá apenas dois efeitos; o bom – que poderá ajudar, e o mal – que poderá destruir. ao dar ou pedir conselhos, certifique-se que a orientação tenha conhecimento da situação, das pessoas, dos fatos e da realidade que gerou o pedido ou a oferta do conselho. que o conselheiro e o conselho seja justo com todos os lados e fatos e, não seja parcial e tendencioso. elevando um ou diminuindo o outro. minimizando ou maximizando fatos. conselhos nunca devem ser “achismos” e sim, certezas. consciência é o pilar do conselho.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

é só um lindo colar de conchas

a minha filha ana flor tem tudo para ser uma garota inteira mesmo que criada para vazia patricinha. inteirada de muita coisa e apegada as verves da arte e um brilho enorme em seus olhos quando toca led zeppelin e scorpion no meu som e sempre diz; _pai, nós vamos cantar rock n roll (fala olhando para o meu modesto palco e equipamento de som). minha filha caminha para uma garota alternativa e irei cultivar isso nela; o rock n roll, a literatura e a fé. estávamos indo ao metrô tomar café e ela viu um amigo hippie vendendo colares e se apaixonou por um colar de conchas. e me fez comprar. e fez questão de colocar em meu pescoço. e disse, ta lindo papai (eu confesso que, sendo eu de obá e feito em iansã, iemanjá naquela hora não fazia minha cabeça. mas atendi ao gosto dela). aí chega uma pessoa desagradável, dessas que estão dominando o planeta e oca e cética de toda e qualquer fé, diz; esse colar está travando a sua vida...??? hã??? qual o cu mais próximo fora o meu para mandar ela tomar? o dela!... a senhora ainda sob os efeitos da cocaína que tanto cheirou na juventude? o que tem haver essas conchas com as trancas que a senhora nem sabe o que significa? a sua boceta sempre em oferta tranca mais a sua vida que essas lindas conchas que nem sei de onde são. são só as minhas lindas conchas escolhidas pela minha filha ana flor. a senhora não é de fé, é de ferros e, enxerga cadeados em minhas conchas? quem é a sua mentora loira? me apresenta ela? quero brincar de pegar nas mãos dela e descobrirmos um ao outro e saberemos então quem tranca mais, minhas conchas brancas ou seus lençóis sujos...

boa noite

2018 na próxima esquina

2017 será um ano que levarei poucas recordações de momentos bons e muita aprendizagem, muitas lições para os anos que estão por vir. 2017 foi o ano que venci muitos dos meus fantasmas e fraquezas e 2018 me receberá mais inteiro, mais destemido e decidido. com objetivos traçados para o novo ano, com amigos inseridos em minha caminhada e o coração pulsando em sonhos, lutas e quereres, aguardo os acontecimentos de cabeça erguida e já sabendo que não será fácil como nunca foi mas ansioso pelas transformações que acontecerão em mim e ao meu redor. intensidade continuará sendo o meu sobrenome. caberá em mim tudo que seja pleno, intenso, completo e tudo que seja anti-quase, anti-mais-ou-menos. 2018 será o meu bebê. o meu xodó. 2018 será a minha negra linda que sorri de orelha á orelha. 2018 nasce mãe e poeta. que o nosso 2018 seja de completude. divina & humana.

feliz 2018 e que possamos estar juntos. abreijos

domingo, 17 de dezembro de 2017

janeiros

dona tereza dizia que com a idade chegando, eu ficaria mais maleável e flexível. que os janeiros me trariam a calmaria e o sossego na alma. que não teria como eu ser inquieto a vida toda. problemático a vida toda. insatisfeito a vida toda. cricri. dizia que um dia eu me cansaria dessa vida cigana e que o velho ranzinza que há em mim daria lugar ao menino, ao seu cabeça de fubá (cabeça de fubá como me chamava muitas vezes). não sei de onde ela tirava essas esperanças... até os 12 anos eu dormia com ela em sua cama, com o braço direito em volta do pescoço e aos 12 ela me disse que eu ia dormir só pois já estava rapaz. ela caiu do cavalo pois eu pegava o colchão do quarto que eu deveria dormir e arrastava até o quarto dela e colocava ao lado da cama dela, no chão. todas as noites. ela conversando com bia, minha irmã e eu fingia dormir. ela deitada e com a mão acariciando os meus cabelos, dizia; _quem esse mininu puxou? porque ele é tão desassossegado? (ela queria era dizer; porque ele é tão problemático? rsrs). sempre que eu aparecia com alguma namorada (cinco que tive) ela se enchia de esperança como se aquela fosse me apaziguar a alma, me ajudar a ser uma pessoa melhor e mais calma, feliz, em paz...

mais de 40 janeiros passaram. dona tereza morreu sem me ver melhor e organizado. equilibrado e tranquilo. eu continuo impaciente, inquieto, explosivo, mal humorado, ranzinza, desorganizado, irresponsável, explosivo... as porras dos janeiros melhora quase todo mundo. menos eu

domingo, 3 de dezembro de 2017

de hojes

quando eu morrer, espero que escrevam apenas uma frase em minha lápide, "aqui jaz o intenso".
nunca vivi com programações a média ou longa data, sempre vivo de hoje e os amanhãs são consequências e oportunidades de Deus. para o amanhã tenho carregado ao longo desses janeiros apenas a missão de aliviar a consciência para o aqui, se vier e para o lá, que irei precisar. para o hoje eu tenho aprendido que, para ser e fazer feliz tenho que antes de tudo, me permitir e me desejar feliz. se eu me permitir ser feliz, conseguirei então fazer os outros ao meu redor, felizes.
assim também é o amor e a sua completude que ele nos causa. serei amado quando eu me permitir ser amado e, eu me permitindo, amarei na totalidade que é esse sentimento. me doando e aceitando a doação da outra pessoa, sentimentos pequenos e passageiros já mais me abraçarão. situações rasas e efêmeras não me promovem ao etéreo. o imediato é um sorriso breve e sem retorno.
eu me permito e de forma muito pura e cristalina. o que arde em meus olhos arde também aos olhos dos outros e sou grato demais a Deus por todos os surgimentos que acontecem em minha breve história aqui.

estou me permitindo

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

da série; coisas que só acontecem comigo

(duas vezes numa mesma manhã e dia)

vizinha: _quanto mais eu rezo, mais loucura me aparece
jurandir: _ore ou reze com fé
vizinha: _verdade. Talvez eu tenha pouca fé no que não apalpo
jurandir: _isso se chama fé; crer sem ver. no que se apalpa não precisa de fé e sim de atitude

amanhã

(para sinval junior)

o meu passado pertence a
Deus e a minha consciência.
eu sou feito de futuros e de amanhãs.
o presente é um ourives de humanos
para amanhã ser uma essência melhor
pois minha alma é a minha jóia
de valor

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

bolsonaro, nefasto igual não existe

ainda a pouco me perguntaram o que me fez o bolsonaro; há vários motivos do porque eu não votar no bolsonaro mas o primeiro e maior entre todos os motivos, não votaria em bolsonaro por dona tereza. foi permitida a mulher o direito de pedir a separação em seus casamentos em meados dos anos 70 (1973 quase certeza) e, dona tereza foi anterior a esse direito. ainda no início dos anos 60. infeliz em seu casamento arranjado e forçada pelos seus pais aos 13 anos de idade, à casaram. havia se casado com um bom homem mas sem amor, encantada por um vizinho chamado geraldo, casou-se e infeliz com malaquias, se libertou. liberdade que quase lhe custou a vida pois um dos seus irmãos disse que não teria irmã separada e atirou em direção a ela por duas vezes e um dos tiros, acertando a mão de um outro irmão. tereza foi linda, solta e livre para montes claros e com ela carregou apenas a coragem e o destemor. bolsonaro representa em sua curta existência nefasta e alimentado por nefastos, a destruição de direitos e conquistas que as mulheres conseguiram ao longo do século. bolsonaro representa a mulher de volta ao fogão, a submissão, o objeto... o objeto!

já que o bolsonaro considera os homens mais fortes, deveria então ter se casado com um homem mas ele é machista demais, o macho alfa, para assumir essa possibilidade se existisse... bolsonaro representa também o preconceito, o racismo, a xenofobia, a intolerância.

não conheço (felizmente) pessoalmente o bolsonaro e o que sei dele não me foi passado por outras bocas e sim por sua própria boca. e ele se orgulha das sandices e babaquices que a sua boca manifesta vindo diretamente da sua alma. negra.
de alma eu digo; o ser asqueroso bolsonaro não me incomoda. me incomoda é saber que a sua plateia é de um número grande de estúpidos e boçais. isso me preocupa e me entristece... bolsonaro jamais será um grande político pois um ser tão tacanho será um político tacanho. bolsonaro não é avanço. é retrocesso. retrocesso político, humano, social, cultural e de todas as conquistas que a humanidade vem conseguindo ao longo de árduas vitórias, muitas dessas, por pessoas que deram suas vidas pela dignidade e direitos humanos.

cada ser exerce o seu direito ao voto. cada ser é consciente do seu mal escolhido.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

diversindade

a diversidade é a divindade
a divindade vence a adversidade
a/diversidade brinca/ e bebe
na taça/ da divindade
tim tim/ tim tim
humanos celebram
entres brindes/
a diversidade
tim tim/ tim tim
para quem é/ de divindade

sábado, 18 de novembro de 2017

01 cavalo daltônico

sou do tudo claro, tudo simples
regido por esses olhos caídos
recheado de receios, medos e cismas
meu cavalo é laranja, de madeira
não tem rodinhas
com engrenagens sem graxa e dentes gastos
peão vestido com jeans velho,
puído.
sou cavalo velho, manco
esquecido pelo dono,
num desses cerrados de chão rachado
que poucas vezes consegue distinguir
o mau ou o bom pasto,
cavalo daltônico.
cavalo insistente
que caminha sobre o morro,
rente a ribanceira.
cavalo daltônico. paraguaio

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

clareando & clarice

poesia não salva vidas
não mata a fome; do corpo
ilumina a humanidade
traz sentido ao existir
maldição que nos salva

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

feito

para eduardo madureira
você é feito de morro
de cascalho e toá
tem a benção da mão calejada
e corpo tombado para ajudar.
você é feito de sol
tem olhos de telhas trincadas ao luar
tem o longo feixe de luz
traz para perto o infinito.
você é feito de sertão
seu patuá é a sua pele rachada como o meu chão
veio sob o signo do catrumano
não se acaba na primeira estação

biografia

nasci numa manhã de terça feira
a 10 metros da igreja dos morrinhos em montes claros
dia de são bartolomeu
tereza paria seu 9º em casa
enquanto juscelino era o centro do velório.
nasci torto
da coluna ao pau
olhos caídos de pobre pidão
tereza dos peitos murchos
com 6 meses foi feijão
assim forjado a ferro
do espírito aos colhões

segunda feira é o meu amor

entre as mãos e as pernas
01 coração perdido de poeta
modelo o retrato do meu dia.
não serei herói nem bandido
mas uma presença constante nesse filme.
a lápis, nanquim e porrada
as feridas vão sangrando
aos berros dos bolhas pedantes.
geme menina,
dê sentido a minha poesia
o dia ainda ta começando.
 
 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

eu, Deus & Deusa; um lance só nosso

(...e indizível)

 tenho tanta sintonia e intimidade com Deus que por algumas vezes brigo com ele. xingo. resmungo. grito. esparramo um monte sobre Ele e, Ele, por ser Deus, penso que deve sorrir e pensar; “que porra de coisa mais torta eu fiz”. Ele sabe que nesses mesmos momentos a minha fé em sua existência e o meu crer no seu amor maior, não se abala. igual era dona Tereza. eu me descompassava e poucas as vezes ela se magoava e, com aqueles seus olhos fechados e verdes, que nunca desbotaram diante as tantas intempéries, com um meio sorriso deveria pensar; “que porra de coisa mais torta eu pari”. Deus e o meu Deus mulher, juntos agora eu acredito, devem se entreolhar e majoritariamente pensarem; “que porra de coisa mais torta nós fizemos”.
então quando a angústia pesa, eu penso; “são dois os meus juízes, são dois os meus motivos para ser melhor, maior e agradecer”. o meu passado também é pau de galinheiro.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

tereza não se lembrou

as datas que nunca me prenderam
nunca me pegaram
essa noite me venceram
35 agostos com gosto 34.
hoje 35
com carinho, beijo e abraço
de tantos os amigos
pertos, distantes
coloridos
brancos, afros
tereza não ligou.
tereza não se deu conta
desse 24 de agosto
de leminski
de felix
de senne
de jurandir
tereza não se lembrou.
pela 1ª vez tereza não se lembrou.
tereza criança não ligou
não beijou
não deu colo esse dia
tereza não se lembrou.
alzaimer (alzaimer)
tereza não se lembrou.
24 de agosto e tereza não se lembrou.
maldito alzaimer
maldito alzaimer
tereza não se lembrou.
pergunto sobre o dia
tereza sorri banguela tão linda
não sabe responder
mas pergunta porque.
dia de te amar, tereza

província de aço e concreto

06h
o amante pula o muro da casa vizinha
07h
geme a porta da casa vizinha
08h
um salto alto se despede da casa vizinha
09h
um carro estaciona na casa vizinha
10h
o telefone toca na casa vizinha
11h
risadas ecoam na casa vizinha
12h
os malditos falam em voz baixa

hibiscos para marcílio maia

sou laranja
sou das cores quentes
sou nordestino e mineiro
pequizeiro de coração
que não vai a igreja
sou dos que se encontram com deus
num banco de praça
numa roda de amigos
e nos goles de vinho.
sou da laia do amor
dos que levam
dos que trazem
dos que buscam
assim exercitando deus,
e encontrando deusas.
no indizível,
amigos & irmãos
01 beijo laranja

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

por ora

por ora
te deixo ir, tereza
não por opção ou fraqueza
fica a consciência da saudade contínua
te deixo ir para que descanse e seja feliz
mesmo sabendo que não estarei feliz
essa escolha contrariada.
te liberto dessa minha tirania
da minha fraqueza em assumir que,
te faço mal te aprisionando aqui.
continuarei com o meu chinelo de couro
com os olhos de menino pidão
torcendo para que existam muitas esquinas
e serão suas desde sempre
todas as flores amarelas.
se já era pouco ser poeta torto, pagão
agora de vindas sem sentido
a caneta pede um tempo
a folha em branco pede férias
as mangueiras carregadas prometem
farta safra e, que me trará a senhora em seus frutos
nas sementes, recordações
na memória,
a boca, a cara e os seus olhos amarelos de manga

ave tereza

ave tereza que se lembrou
ave tereza,
que me ligou no dia seguinte e chorou
ave tereza que 36 anos antes
me levou 09 meses
no útero
no sorriso
nas dores
no seio
nos sonhos
ave tereza que,
me abraçou quando falei do meu amor
ave tereza nas suas mãos sempre estendidas
nos seus lábios sempre me oferecidos
ave tereza do olhar acolhedor
ave tereza que me fez dormir quente e sem medo
ave tereza quando me deixou ir
ave tereza que sempre me recebeu
ave tereza pelo prato suado
ave tereza que sempre me fez,
mesmo com o corpo muito cansado
ave tereza de aries, ranzinza e arisca
ave tereza do coração maior que as dores
ave tereza de montes claros