sábado, 14 de outubro de 2017

nesse meu universo feminino

nasci de uma mulher, tenho 04 irmãs, por ora 04 filhas, duas netas, 02 dezenas de sobrinhas, centenas de amigas e tive 05 ex companheiras... sou mesmo um homem abençoado. de nenhuma nada a reclamar. só agradecer!”

e diante essa pandemia do feminicídio que assola nossa riqueza maior, me recordo dona tereza minha mãe, que frígida nunca gozou. que mesmo tendo me concebido sem um gozo, dela, me amou tão intensamente.
brava, determinada e destemida, foi uma das precursoras na ação de abandonar marido de casamento arranjado e forçada nos seus 13 anos para o bel e ignorante grado dos seus pais. essa foi a dona tereza de meados dos anos 1960.
e como a força da mulher que me pariu, anseio que sejam as mulheres que eu pari. fortes, decididas e determinadas senhoras dos seus sonhos, dos seus corpos e dos seus prazeres. que sejam delas o “sim” ou o “não” e como eu, o pai, sejam intensas em suas escolhas e respeitadas quando “sim” ou quando “não”.
tive filhos porque acredito na humanidade. tive filhos porque amei na totalidade do sentimento e sejam elas, senhoras das suas escolhas e consequências. sem imposição.
e como eu e as suas mães, em seus tempos e em seus juízos, sejam delas a palavra final quando a referência forem os seus corpos e sejam respeitadas as suas vontades.
...e estarei aqui. amando, respeitando e compreendendo todas as escolhas delas

 para ana clara, ana victória, ana flor, camila, gracielly, emanuelly, maria tereza e milene

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

SÓ UM RECALCADO E FRACASSADO POLITIQUEIRO

Eu posso não gostar de determinada pessoa mas eu jamais desrespeitarei a sua história e as suas conquistas. Eu posso não simpatizar com tal pessoa mas eu jamais me tornarei covarde numa tentativa de faze-lo menor. Eu posso não comungar com citada pessoa mas respeitarei sempre a sua existência, a sua dignidade, as suas lágrimas, o seu suor e a divindade que nele existe


           Eu Jurandir, conhecedor profundo de Aroldo Pereira posso com todas as propriedades falar de Aroldo Pereira e dessa amizade de quase 30 anos. Muitas lutas, muitas luas, muitas lágrimas, muito suor e toda uma doação em prol de uma aldeia e de um povo. Falo com profundidade do Aroldo pai, do Aroldo filho, do Aroldo irmão, do Aroldo companheiro (de Mirna), do Aroldo cidadão, do Aroldo militante, do Aroldo poeta e de tantos outros Aroldos porque o Aroldo são muitos. Aroldo é herói. Aroldo é vilão. Aroldo é o doce de leite que quase sempre queremos depois do almoço. Um cidadão de quem tenho muito orgulho de chamar de irmão e de quem guardo muitos dos meus melhores beijos. E momentos das lágrimas mais doloridas, pois estava ao meu lado. Falar de Aroldo é fácil, difícil é ser o Aroldo. Difícil até mesmo para quem vive a longa data como pseudo-guru de partidos mais escusos, como PL que não sobreviveu nem a uma tempestade e mudou de nome numa fusão promíscua com outra sigla pois os seus elementos eram frágeis, medíocres e impopulares. Ser Aroldo senhor luciano meira (propositalmente escrevo em minúsculo pois minúsculos são todos os covardes), assim como as vestes do poeta, ser Aroldo não lhe cabe. Não lhe cabe porque o senhor é pequeno dos pés a cabeça e, incrivelmente, consegue ser menor ainda da cabeça ao infinito. Aroldo Pereira é história, é mito vivo, é referência, é uma luta em prol do acredita que faça bem pra ele e pro próximo. Defeitos? Tem sim. Muitos. Eu poderia preencher uma página A4 citando-os mas escreveria um livro falando dos méritos.
E do senhor? Qual e como seria a sua biografia? Na capa uma suástica?
Quase 30 anos de amizade senhor luciano meira, muitas alegrias e também decepções com o próprio Aroldo mas assim como eu e você, um dia erra e no outro melhora. Aroldo não namorou nenhuma professora de história de sobrenome Barbosa e que não era minha parente e, não é da TFP e ou faz desses discursos de falsa moral. Aroldo é só um moço solidificando os seus sonhos sem fazer mal a quem quer que seja e nesses seus quase 60 anos, faz e fez mais dos que nós dois juntos que somamos mais de 120 anos. Eu, Aroldo, Marli Fróes, Mirna Mendes, Jorge Mautner, Kedma Oliver, Adélia Prado, Nicolas Behr, Mavot Sirc e outros milhões de crianças sonhadoras, somos só crianças sonhando com um mundo melhor. E sonhamos também com um mundo melhor pro senhor, pros filhos, pros seus netos, pra sua geração futura... Não se irrite ou se incomode com os nossos sonhos pois quando o senhor se levanta contra o Aroldo, movido por um ciúmes bobo, o senhor violenta os nossos sonhos.

Sendo o senhor cristão como prega ser, tenha uma dignidade ao menos; reconheça o seu fascismo e o seu escárnio pelas minorias.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

insone

o sol ensaia sobre o leste
o balé de segunda feira
que nunca foi tímida
guerreira nunca se rendeu as mesmices
de domingo
desapeia… desapeia… desapeia…
em qual esquina ficou o que era o meu sono?
praga de alguma roseira de quem roubei
a rosa amarela que nem foi entregue?
em qual dessas fotografias recortadas
e tão velhas que apenas eu enxergo?
em qual dos meus passados ficou?
em qual das camas ficou mais que o meu gozo?
sem sentido foi ter esquecido o meu sono
desapeia… desapeia… desapeia…
em qual dessas canções esqueci ou perdi,
o meu sono?
mineiro não perdi o trem. perdi o sono
ou terei perdido em algum dos meu temores?
já que os meus anseios não me tira o sono
me traz sonhos
mesmo tão aceso
desapeia… desapeia… desapeia…
ficou em montes claros? ficou em goiânia?
ficou em guarulhos? ficou em são paulo?
desapeia… desapeia… desapeia…
ficará onde eu não esquecer o poema

sábado, 7 de outubro de 2017

os seus olhos como tema


(para jerusa barbosa)

sou do instante passado
instável/estável/mutável
no seus olhos vejo o meu mapa
que não me roga o seu passado
disparada e distante d’uma atriz
essa transparência tão rara
essas desconveniências tão claras
…e fico a fazer aula com os seus olhos,
o meu laboratório.
os seus olhos enquanto tomo o açaí
assa aqui
brasa em mim…
01 poeta perdido no metrô
com os seus olhos nos meus olhos

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

janaúba

"quando uma criança morre, diminui a possibilidade de um futuro melhor para a humanidade"

eu que já enterrei a minha mãe, também enterrei a minha filha maíni. o seu velório aconteceu no dia 01 de julho de 2001, portanto, há mais de 16 anos e, tragédias como essa de janaúba me remete ao passado e me vejo diante o seu caixão, outra vez.
conheço na pele e na alma o que existe de mais intenso no sentimento "dor".  conheço o gosto do sal da saudade, pelas tantas lágrimas caídas de mim. conheço da falta de ar, do cansaço e da dor no peito provocados pelo choro que nunca consigo segurar e me toma inteiro. também conheço Deus. conheço o seu amparo, o seu colo e o seu amor. é para Deus a minha vela laranja que acendo todos os dias e não por barganha ou pedidos, sim, por gratidão. pela oportunidade de ter sido parido por dona tereza e ter parido a maíni... por todos os beijos de uma e da outra e, todos os instantes em que estivemos juntos. quero abraçar cada mãe e pai de janaúba, vítimas maiores dessa tragédia. quero abraçar cada mãe e pai desses países que vem chacinando as nossas crianças por crenças doentias e seitas nefastas. quero abraçar todas as mães e pais da mãe áfrica que enterram todos os dias os seus filhos, vitimas da fome e da guerra... e abraço à cada oração que faço e a cada pedido a Deus para que janaúba não se repita em outras cidades...
Pai criador, vem do Senhor todo o conforto!

sábado, 30 de setembro de 2017

a coisa

a coisa tem 1,50 de altura
3 metros de vazio
não sei se é bicho
ou um saco preto, vazio
meu deus, a coisa tem uma cabeça grande
lembra o espantalho da colheita maldita
é menina
é menino
meu deus, parece um reservatório
in tietê
hora penso que é uma escultura de césio
não é 137... 1968
meu deus, a coisa não tem dentes
é carma
meu deus, a coisa não tem cama
camas
sutras

terça-feira, 26 de setembro de 2017

essas malditas calcinhas cor da pele

(bem assim amigo carlos cledson)

eu sou assim; poeta carente e menino fogoso, moço de um único amor. Nasci para ser par, puto e monogâmico. Nessa tarde, solteiro, comecei a relembrar as calcinhas das mulheres que amei. Nenhuma outra peça de roupa possui tantas variedades e opções em cores, tecidos, design e acabamento como as calcinhas. Cada corpo tem a sua combinação. Corpo e personalidade se encaixam e se combinam com tal modelo.

as tangas já me propiciaram altos delírios. Hoje, as caleçon’s, hot pant e string com rendas são as que me dominam. Me pira aquela renda delicada e cheia de maldades. Lindas e crueis, as calcinhas bikinis em renda me enche de fogo e faz minha fértil mente, trabalhar na inspiração e, dá-lhe surra de hormônios.

e, diante tantas opções, cada uma mais provocativa e instigante que a outra, aparece aquelas malditas calcinhas cor de pele. Nada é mais broxante do que as malditas calcinhas cor da pele. Todo casamento acaba por causa de uma calcinha cor da pele. As malditas calcinhas cor da pele são o aviso que a sua amante/esposa/namorada perdeu o tesão e quer que você perca também. Calcinha cor da pele e o seu maldito efeito é tão forte que, até expostas em vitrines, quando vejo, me broxa pro resto da semana.

diga não as malditas calcinhas cor da pele.

sábado, 23 de setembro de 2017

querer querer

querer querer

é um querer desembestado
feito criança que come o seu doce
com papel e tudo
e sem medo se lambuza feliz, satifeito.
é um querer, tão afoito
que nem medo rola
pois não há tempo para me amedrontar
já que tão bem conheço
o caminho do seu sorriso e,
a dimensão do seu colo.
é um querer bem querer que vc me queira
porque cabe em mim
tudo que existe em você
e eu, você querendo
caberei tão bem em você.
é um querer tão pulsante, latejante
que pulsa mais do que qualquer tesão,
desses que já senti
desses que você já sentiu
que arrebanha todo o corpo
e termina lá não sei onde
mas que fica depois do arco iris
e vale mais que o pote de ouro.
é um querer tão intenso
tão imenso
maior dos meus sonhos.
é um querer tão puro e santo
que me sinto o bebê se alimentando
se esperançando com o amanhã

sábado, 22 de julho de 2017

caminhares


são paulo me come; me ensina também
(para minha filha ana victória)


tenho por são paulo uma tremenda gratidão. me trouxe oportunidades e muitos momentos bons que estarão comigo independente de onde eu esteja. me oportunizou em ampliar meu leque de amigos maravilhosos e, quase todos, de outros sertões desse brasil e que aqui também buscam oportunidades. são paulo me ensinou a respirar depois de muitos anos de angústias nessa cidade de muitos habitantes e poucos humanos. com são paulo e em são paulo, aprendi que tenho que dedicar o meu tempo com pessoas que fazem questão de mim, que queiram dividir comigo o instante de um abraço. com são paulo e em são paulo aprendi que o meu tempo é curto e necessito seguir sem armazenar mágoas e rancores causados por pessoas ocas pois com esse tempo perdido, pessoas inteiras de almas e valores passarão ao meu lado e cego por sentimentos pequenos, não perceberei. com são paulo e em são paulo aprendi que caminhar é preciso e sempre olhando pra frente pois, o tempo que perco olhando para trás é tempo suficiente para eu perder os sorrisos de quem caminha comigo. com são paulo e em são paulo aprendi que dona tereza tinha razão que as pessoas podem mudar. eu mudei. eu melhorei como ser divino em essência. que se trata apenas de querer. com são paulo e em são paulo aprendi que eu sou as minhas escolhas e a outra pessoa, suas escolhas. o importante é que eu me deite e acorde com a consciência em estado completo de paz. com são paulo e em são paulo eu aprendi que o problema da minha tristeza aqui não era são paulo e sim, caminhar sozinho.


eu nasci para ser par e plural

domingo, 25 de junho de 2017

sábado, 22 de abril de 2017

solidânsia


eu não tenho preconceito com rivotril como a maioria das pessoas. eu tenho asco é de gente hipócrita, vulgar, promíscua, oca e sem escrúpulos. com rivotril eu tenho uma grande sensação de paz mesmo que por tempo determinado. a minha tristeza dá um tempo, a minha solidão descansa por algum tempo e até esqueço que vivo sozinho numa cidade com mais de 11 milhões de habitantes. quando eu tomo rivotril, aquela moça vem preencher o lado vazio da cama. quando não tomo rivotril, e não tomo à muito tempo, o que existe em mim é só solidão...

sexta-feira, 14 de abril de 2017

revoada

entre a massa
sem massa
cinzentas nuvens agouram o sol
enquanto o poema vence o cinismo
vil contracheque
tão ou mais sujo
que as varas dos chiqueiros
enquanto o poema vence as escrotices
passado, presente e futuro;
no poema não tem ratos
dissimula o lamaçal
enquanto o poema é maior que todos os males
dissimula o lamaçal
enquanto o poema é maior que todos os males

sexta-feira, 3 de março de 2017

aperto


a tristeza que há em mim
não é pelo que perdi,
nem tão pouco por aquela pele negra 
que me fazia tão bem,
minha tristeza é acordar 
todos os dias
sozinho
e tão distante dos amigos
que estão lá em minas
me recolho/encolho agora
para me expandir amanhã

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

putaria

nas relações de são paulo
acontece bem quando

dança se o mesmo bolero
o bolero de maquiavel

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

psicosehall


é tão confuso ser eu porque eu simplesmente não sou eu. sou nós. o meu cérebro são três seres. em comum só temos a paixão pela cor laranja e o encanto pelas gordinhas e também mulatas, fora isso, somos completamente distintos. eu sou o mais paranoico dos três e o mais punk de tudo, ouvir deles, conselhos. eu sou montesclarense, outro sertanopolense e outro, goiano. eu sou branco e os dois, negros. se alguma garota me liga e um deles, atende, fico puto de ciúmes. eu sou boca suja e os dois, só me reprimem. musicalmente eu sou raízes, agreste e led zeppelin e eles, tim maia e zeca baleiro. se estou feliz, eles comemoram mais do que eu. se estou deprê, me olham com aquelas caras de bunda tipo; vai ficar nessa até quando? a coisa é tão confusa que quando eles me dão uma folga eu sinto falta deles e nessas horas eu faço mais merda ainda. um é apaixonado por manuel bandeira, outro por fernando pessoa e eu, pra variar, não cheguei a conclusão se amo mais quintana ou kerouac. eu sou agnóstico teísta, um é candomblé e filho de obá e o outro, martinho lutero da alma ao cérebro. é tão louca a situação que eu não sei de quem é a autoria desse texto, se minha ou de um deles e nem mesmo sei qual de nós digitou.. o mais paranoico de tudo é que não é uma paranoia, existem e estão sempre vestindo roupas laranjas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

predileção

eu gosto de beijos
mais que de sexo
o lance que o beijo toca minha alma
o sexo chega apenas ao meu pau
o sexo, finito
o beijo, etéreo, infinito

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

o jardim

na casca do poeta, dura e grosa
se esconde uma flor embebida no cipó
eu que não me caibo nessa viagem
terreno que sou
me encontro nesse seu vestido estampado
e nesses lábios que mesmo tão distantes,
hó deus, me prendem tão profundamente
não vou contigo nessas viagens
careta/mineiro cismado, fico aqui
olhando os seus ombros que me tesam
e te desejando para algum dia
mesmo que esse dia seja mais distante
que o chá que não me consome
nessas manhãs que sinto o seu cheiro
eu me sinto inteiro

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ipê amarelo

(para benny almeida)

é solavanco
empurrão, é tranco
coração desassossegado
no tino do descompasso
volta e meia
meia noite o ipê de frente para mim
nem negra, nem branca
amarela é a cor da minha sorte
no meio do caminho,
as pétalas
as pétalas,
no meio do caminho
não temo a morte,

sou um bravo do norte
não temo a sina
mais forte é o de cima


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

cores de hibiscos

(para letícia domingues)


um coração torto
e que até ontem era de tom cinza
hoje abriga todos os sonhos
alimentado por um jardim
que resiste
só aguardando alguém
que cuide dele tão bem
aparecer.
então hibernado
o moço acorda, olha o sol
lembra de como foi linda a noite
debaixo de uma super lua.
em 360 graus,
horizontes

terça-feira, 8 de novembro de 2016


sertanejo

(para Eduardo Madureira)

 
não descansam
pegadas de tantas eras
terra seca e de esperançoso fértil
não desanima
nem quando debruçado sobre a janela
os olhos não avistam as nuvens.
pele tal qual o chão
traçada de rugas como a palma da mão
mãos cheia de relevos
relevos de lutas e enxadas
travadas debaixo do sol
não há ônibus que o leve
é feito de fé
riqueza maior do sertão

biografia II

(para Georgino Jorge Souza Neto - Gino)


sou pedaço do chão vermellho
do norte de minha Minas Gerais
catrumano composto  de sonhos
nascido no alto de um morro
concebido no mais lindo sertão

hino 18

meu chão é feito de homens
e são dessas mulheres
todas as glórias do meu sertão.
passarinho canta arretado
tem no silvo o sotaque nordestino
foi esse povo quem construiu
cada metro desse brasil
minas gerais minha amante mais linda
ensina o que é ser gente
para esse povo que o mundo
é um shopping ou um cinema

domingo, 6 de novembro de 2016

são paulo;

ontem fui a feira comprar folhas e frutas
olhava as frutas. olhava os nativos.
olhava as frutas.
como se identificam esses nativos e essas frutas...

o abacate é branco. a laranja sem caldo.
a manga meu Deus, sem sabor.
a maçã, insossa.  a mexerica, sem cheiro...
____
Deus, até o famoso pastel me lembra os nativos.
oco



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

terça-feira, 30 de agosto de 2016

uma carta para cristovam buarque

carta que enviei ao senador cristovam buarque. por ora, sem resposta

senhor cristovam buarque, quase vinte anos atrás eu li a sua fala numa universidade nos estados unidos e me emocionou muito aquela fala. do seu patriotismo e da honra em ser brasileiro. me orgulhou quando respondeu a um presente que lhe perguntou o que senhor pensava da internacionalização da amazônia. a sua resposta foi a fala e o texto mais lindo que um brasileiro poderia fazer. a sua resposta foi digna de ser tida como uma composição maior que qualquer uma que o chico buarque tenha escrito. a sua resposta ao presente que lhe fez a pergunta foi mais patriota, profunda e rica que o hino nacional. de 2009/2010 para cá tenho acompanhado as suas falas e atos. decepcionante. se rendeu ao PSDB, masturbou o psdb. se ofereceu ao psdb.

voltando à sua fala-resposta ao presente na universidade norte-americana, vejo que ela foi hipócrita, pois a sua ação nos últimos 8 anos não honra a grandeza da sua fala. o senhor, depois de uma resposta daquela (que me levou a uma crise de choro), se contradiz ao render-se ao michel temer, ao psdb, à fiesp e aos senhorios dos casarões. de higienóplis. todos esses com o seu apoio estão entregando o nosso patrimônio e estando a serviço do FMI, dos escravocratas e do imperialismo norte-americano. fique claro, não sou militante petista. não votei na dilma em 2010. não votei no lula em 2006. votei na dilma no segundo turno em 2014 por falta de opção. e na time line das minhas redes sociais pode-se verificar que entre 2003 e 2016 eu critiquei com muita propriedade todos os desmazelos (muitos) do PT e sua corja. ainda assim, defendo o governo dilma. primeiro, pela democracia. segundo, pela falta de crime. terceiro, por saber do real interesse desse impitiman. lastimável saber que um homem com a sua trajetória se rendeu ao nefasto do político. termino dizendo que não sou um intelectual como o senhor. não sei escrever e pensar com tamanha grandeza gramatical, etimológica e sou todo coloquial, mas conheço e entendo de caráter. de valores. de compromissos e de amor. 
o senhor despossui esses valores quando se rende a esse "acordo de calhordas" quando tentam derrubar um governo legítimo, democrático e sem crimes. 
se fosse outro político fazendo o que o senhor faz nesse momento (desde 2009) eu nem observaria, mas sendo um senhor que eu tinha como alguém da mesma linhagem do darcy ribeiro e do paulo freire, é só decepção.

peço a Deus que, nessas últimas horas, o senhor reflita e se tome de toda a moral que eu sempre julguei o senhor como tendo.

deixo um beijo desesperançado.

att,

jurandir barbosa


 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

apetecimento


me apetece o que me promove para a eternidade...

o contracheque fica. o carro fica. os títulos ficam. os bens nenhum irão junto. as conversas rasas serão esquecidas. as superficialidades também se apagarão. todos os que acompanham nesses momentos ocos serão os primeiros a abandonarem o navio durante as tempestades. farei 40 anos. meia dúzia de amigos na essência. meia dúzia de filhos. toda uma solidão, fruto dos meus tiros no escuro e que acertaram os meus pés. tenho dois relógios.

um relógio que conta o tempo regressivamente. o outro relógio, progressivamente. infelizmente e em decorrência das minhas ansiedades, neuroses e tantos medos, me ative até hoje apenas ao relógio regressivo. era o tal medo de morrer e a sede de viver. fiz todas as merdas possíveis. era um prazer em cutucar feridas. era um gosto pelo suicídio mesmo com medo de morrer e querendo ser imortal. vá entender... construí as pontes mais erradas e achando que construía pontes para o futuro. numa sede sem limites acabei tendo concepção errada da felicidade, da completude e do próprio amor. reservei lealdade para quem no máximo, merecia um bom dia. dei secos "bom dia" para quem merecia toda a minha lealdade.

40 anos. o outro relógio.

esse plano tão passageiro não corresponde aos meus anseios. eu e os meus sapatos de bicos finos, rumo a tudo que vai contra o efêmero...

 

sábado, 30 de julho de 2016

inacabado

no poema inacabado
01 amor tranquilo não realizado
chove no sertão, o sertão vira mar
01 pasto seco nesse coração
naquela esquina tem um bosque
onde não te encontrei depois da última árvore
rasteiras não são as gramas
são as tantas tentativas
de deixar para trás,
tudo
menos esses chinelos gastos
essa calça cerzida
nem tudo puído
resta essa vista cansada,
essa testa franzida
olhando ao longe

sábado, 23 de julho de 2016

nadaestima

esse vazio que pesa mais que 88 quilos
mede mais que 1.88
e come sem se lambuzar
de toda essa carne branca
parece não ter data marcada
para desembarcar.
a sina do azar no corpo-sodoma
que vez ou outra
vejo chegar, ou sair
num puta azar do andar número 10
onde morreu a autoestima.

ressuscita coração de poeta

quinta-feira, 30 de junho de 2016

albina nº14

...albina continua com suas indagações que sempre acabam em um grande momento filosófico e convidativo para uma reflexão. com seus olhos recém-saídos dos meus, olha agora mais longe do que antes e diz;

_não mudamos por pessoas pueta, mudamos por nós. as pessoas mudam por elas. mudamos para o nosso conforto e consciência, qualquer que seja a relação, social ou familiar... o triste pueta é o apego ao imediato que nunca constrói pontes. raramente pensamos nos janeiros á frente mesmo tendo tantos janeiros passados, ruins, como exemplo.

nada mais me resta além de soltar um meio sorriso diante essa faca afiada que cabe tão bem em mim.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

albina nº2


sem olhar nos meus olhos e depois de algum tempo silenciosa, olhando vagamente para algum lugar, albina me pergunta com aquela doçura que ninguém mais tem:

_pueta, se você pudesse voltar lá no passado você mudaria alguma coisa?

sinto que albina está triste, o que é muito raro. nos poucos momentos em que vi a albina triste foi sempre quando falava dos filhos que não teve. albina certa vez até desenhou uma de suas vontades retratando uma mãe fazendo tranças no cabelo de sua filha. era ela e a criança que não pariu. nesses raros momentos os seus olhos sempre se cobriam de lágrimas que, com muita força, não rolava pela face.

_albina segunda mãe, teria tanta coisa para mudar que uma única mudança em nada refletiria no que já existi. teria dado aquele beijo que neguei para aquela negra linda na praça da matriz, só por pirraça. não teria ralhado com a maíni só porque ela saiu do tapete e foi rastejar pelo chão naquela manhã fria de junho. teria beijado mais os meus amigos. teria casado numa igreja católica com algumas das mulheres que amei mesmo eu tendo asco por igrejas, é tão lindo aquele ritual né albina? tantas coisas...

me olha e sem nenhuma expressão em seu rosto que possa identificar qual o seu humor, diz:

_ainda há tempo, mude o seu gênio e temperamento. guarde a sua língua bem guardadinha...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

albina nº27


albina não bate na porta, entra sem cerimônia. nunca leu manoel de barros e se espalhando pelo banco vai logo me perguntando;

_pueta, qual a sensação de ser pai de seis filhos? eu nunca nem peguei barriga e olha que o finado era danado... (pensa, olha ao longe) ...e filhos por algum motivo deus não me deu. muitas vezes me deito triste, acordo triste, por não por não ter tido essa oportunidade.

_ô albina, tem tristeza maior que essa. dor maior é você ter seis filhos e nenhum ao teu lado no café da manhã.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

albina nº22


...olho albina ao longe. ela não conheceu seus pais, ficou viúva aos 27 anos, não teve filhos e nasceu em coração de jesus-mg. não bebe, não fuma e nem palavrão fala. também não me censura em nenhuma das muitas vezes que falo durante o dia. albina é incrível, divide tudo com todos. divide até o que não tem. albina só me contraria quando diz que as rosas brancas são as mais lindas. albina nunca ouviu falar sobre yoga mas é mais zen que o renilson. isso me irrita em ambos. quando conheci albina ela usava uns chinelos pretos da marca tiutiu e ria muito quando eu estalava os dedos e dizia: _tiu tiu tiu tiu... não tinha um dente mas carregava o sol em sua boca. sorriso mais luminoso não existe. certa vez albina me perguntou;

_pueta, de quem você herdou essa calva tão brilhante?

me perguntou assim, na lata, nem preparou o meu estado de espírito.

_além da hipertireoide, isso é herança de quem não trago boas lembranças. de um tal de tanto fez e de sobrenome tanto faz. de quem não gosto de recordar. cantador boêmio que não representa nada.

albina me olha. com aquela doçura que só nós nordestinos temos, diz:

_de que vale ser pueta se não sabe perdoar? Dê-lhe graças e lhe seja grato, pois se não fosse ele quem você não teria encontrado?

me resta engolir a saliva, baixar a cabeça e ficar calado.
algumas lágrimas

sábado, 11 de junho de 2016

albina nº8


...então albina, após atravessar todo o quintal em passos apressados para seus quase 80 anos, para diante mim e pergunta;

_ora pois moço pueta bunito e triste, lembra-se de seu último surriso?

_ora pois albina que tanto parece uma mãe de santo nesse seu vestido branco, deve fazer muito tempo pois não me lembro dessa data mas ouve sim, muitos, seis quando nasceram os meus filhos, outros tantos com eles e outros tantos quando dona tereza me buscava na escola. _você não surri nem quando imbebeda, consegue ficá ainda mais longe e mais triste. meu finado marido quando bebia só ficava surrindo.

_seu eu tivesse tido a sorte do seu finado marido e um dia tivesse tido, uma única albina, sorriso seria o meu sobrenome

sexta-feira, 10 de junho de 2016

angústia


sou resistente para levantar o punho
sou resistente para receber pancadas
sou resistente para escalar morros
sou resistente para ir a pé daqui até montes claros
só não sou resistente para essas angústias que o coração traz...

terça-feira, 7 de junho de 2016

eu te chamo tereza

(para luzinete)

de montes claros a são paulo
dos passados que deixei
recordação nenhuma me acompanhou
dos beijos, dos gemidos, dos berros
de nenhum me recordo
não é uma opção
não é o instinto de defesa
em nenhum aconteceu a construção.
agora não, moça negra de olhos azuis embaçados

minha respiração é fruto da sua luta
a minha letra é fruto das suas lágrimas ao pé do leito

é claro que eu te amo
te amava também tereza
que lá de onde está, lá de cima ou ao meu lado
lhe é toda gratidão.
da entrada à saída
quando os médicos acreditavam que eu não sairia
dia e noite, você estava lá
meus pulmões parados, todo entubado
mas o coração sempre pulsava,

era a sua força ao meu lado
eu que sempre fui um poeta odioso das rimas

poeta das dores, dos anseios e das lutas
digo apenas
isso que bate em meu peito não se chama coração

se chama, amor e gratidão
que transcende toda a carne
mesmo quando fecho a porta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

 

 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

pedido nº 04

quando te encontrar
me ensine a não te perder
ainda guardo a rosa amarela
que resiste como os meus anseios,
o tempo não desidratou

terça-feira, 31 de maio de 2016

cabe tudo numa mão em concha


...e cai a ficha que não tenho mais vinte e um anos. e cai a ficha que não tenho mais dona tereza ao meu lado. e cai a ficha que meus filhos cresceram e que meu netos nasceram. e cai a ficha que a flor ainda botão não verei desabrochar.  e cai a ficha que não tenho como reverter o fator tempo e corrigir os erros que até então me eram de prazeres. não que deseje hoje deixar de ser torto, mas nessa manhã em que o sol não apareceu, senti saudade das luzes que não colori. e cai a ficha e sinto falta agora dos sorrisos que economizei. aquele beijo que lhe neguei na praça da matriz me faz muita falta nessa noite... queria que tivessem existidos esses instantes. debruçado no baú das minhas lembranças, vou olhando ao longe  lugares e pessoas onde não cheguei. onde não vivi. onde não deixei marcas. não desenho uma frustração, apenas um esboço para pensar no que perdi. cabe tudo numa mão em concha. as realizações e o saldo. o meu sapato de bico quadrado quase virgem em ser feliz deixou por essas avenidas tão pouco pó quantas tão poucas lembranças, deles. cabe tudo numa mão em concha. apenas queria conseguir dormir sem precisar deixar a tv ligada em alto volume. Cabe tudo em minhas mãos em concha.

sábado, 28 de maio de 2016

RESILIÊNCIA PUNK

o silêncio
assusta/incomoda
mais que
05 anos de cama
vazia
o silêncio me
assusta/incomo
da
mais que joelho dobrado
sobre caroços de milho
o silêncio me assus
ta/incomo
da
mais que o
tempo perdido
o silêncio me assusta/
incomoda mais
que carrapato no saco
o si
lêncio me assusta/in
comoda
mais que
beber água com o estômago
vazio
o silêncio
o silêncio
o silêncio
silencia o ânimo
a fé
o fogo

domingo, 17 de abril de 2016

tristeza de hoje, luta para sempre


estou triste. assumo minha tristeza profunda por saber que “o mal, a ignorância, a subserviência, a calhordice, o nefasto, a escrotice e interesses pessoais sujos” derrotaram os meus sonhos, os meus anseios e por hora, as minhas lutas.

triste por saber que familiares também foram massa desse bolo podre, que amigos também foram massa desse bolo podre. essa tristeza profunda por hora não irá me silenciar, me cegar ou me fazer desistir do que acredito e vivo. me conforto e me consolo nessa certeza, na certeza do meu caráter e dos meus anseios para mim e para a humanidade.
continuarei a caminhar rente ao que era o descente e divino para dona tereza, o amor ao próximo. continuarei caminhando e sempre aberto e desejoso de amigos que compartilham e comungam dessa luta coletiva que é o bem de todos e para que todo irmão tenha o prato cheio, a universidade aberta, uma moradia e a possibilidade de existir com dignidade. quero me cercar de amigos que comungam o amor, a vida e as lutas por todos, pois, essa é a minha concepção, conceito e genealogia que ramifica o que é família.

a solidão que percorro nessa selva de pedra, pedras cimento e pedras homens, só me fortalecem pela busca do colo forte, do olhar encorajador, da palavra estimulante, da mão estendida para lutas e coração coletivo para que eu possa chamar de par.
nessa noite de insônia certeira pouco terei o que fazer, me resta orar e pedir à deus que apascente minha angústia.

sábado, 12 de março de 2016

o cofrinho

 


interrogação

em minhas esquinas
os vultos que antes surgiam vez ou outra
não mais me apetecem
o meu relógio não repete horas
ansiosos os meus olhos divergem
ora um ora outro
sem saber quem é aquela pessoa da esquina
que tinha pele negra, mãos macias
com quem me casei na igreja dos morrinhos
diante uma pequena flor amarela

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

pra já

esse coração vazio
cabe tudo que não tive
cabe até a ousadia
de sentir a sua mão sobre a minha
não demora, vem depressa
porque a saudade é demais
mesmo porque eu nunca te vi
e essa demora só agonia
ansioso toda as noites e dias
é
muita vontade de ser feliz...