quarta-feira, 7 de outubro de 2009

a carta p/ a única mulher que soube/sabe me amar

[p/ dona Tereza, minha mãe]



“a 19 anos venho travando uma luta
com a caneta e o papel
em tentativas vãs de fazer nascer o poema
que deixe claro o que sinto por ti”



é dona Tereza, a tantos anos a Senhora não canta mais uma canção de ninar para mim, mas Deus, perfeito, traz-me aos ouvidos todas as noites, Sua voz cansada e quase abatida mas sempre com aquele universo de amor.
e sinto Seu cheiro.
e sinto a Sua pele.
e sinto o Seu calor.
e sei que vivo na Senhora assim como a Senhora vive em mim. dona Tereza, é tudo tão nítido nas minhas lembranças dos momentos que passamos. vivemos tantos filmes lindos e tantos tristes. eu e minhas crises de febres na infância e a senhora noite toda me medicando com seu amor e atenção. a vida que a senhora abdicou para poder me ter quando os outros não me queriam e eu criança sem entender. e quantas vezes a senhora se desfez do almoço ou jantar para me ver cheio e corado, necessidades que passou quando poderia ter uma vida boa e confortável. quando eu encontrar com Deus, vou pedir a Ele para ser da Senhora de novo. tive poucos momentos felizes nessa vida mas a oportunidade de ter crescido ao seu lado, mesmo tendo feito eu tantas coisas erradas, será sempre minha maior felicidade. um dia saí do Seu lado e fui vadiar pelo mundo. andarilho, fuçador... mesmo com tantos encontros e acontecimentos por essas estradas jamais encontrei um sentimento como o da Senhora. nada real e puro. nada natural e santo. não me formei doutor e nem me formei em nada como a Senhora sonhava, porém, jamais diminuiu seu encanto, amor e admiração por mim. cresci ciente de que, o que tenho de mais belo e divino de mim, herdei da Senhora; meu senso de justiça. foi minha melhor escola ter crescido ao seu lado e presenciado sempre seu senso de justiça, de nunca ser conivente com “a ou b” e sempre de portas e braços aberto para receber aqueles que a procuravam. mesmo com o Seu amor e proteção, Sua mão sempre pesava sobre mim quando eu cometia algum deslize. milhares de deslizes cometi. a criança reta que fui e o adulto torto que me transformei não a afastou de mim nem por um breve piscar de olhos. os momentos mais dolorosos que passei se deu quando me afastei da senhora tomado pelo mundo. tive algumas mulheres dona Tereza. belas. jovens. nenhuma, em nenhum momento, me fez dormir com o calor e a certeza do amor como o que emanava da senhora nas noites tempestuosas e nas noites de brandura. retornando a sua divindade, são tantos os momentos santos da Senhora que guardo comigo, seu coração do tamanho do mundo querendo abraçar a todos mesmo com tantas limitações que possuía. Sua lealdade amiga. Seu companheirismo a todos em todos os momentos. e a Sua fé sempre acompanhada de muitas obras. Suas constantes defesas em favor das noras mesmo quando elas estavam erradas e o seu argumento que elas não tinham familiares próximos ou que elas haviam abdicado das famílias delas por nós. é dona Tereza, cadê essas noras agora? cadê nós, Seus filhos agora?

cadê Teu filho frouxo e poeta que nunca conseguiu Lhe escrever um poema?
mãe, não sei e nem consigo escrever poemas divinos. minha limitação do conhecimento me inibe em escrever algo para alguém com tamanha grandiosidade como a senhora.
poucas foras as vezes em que Lhe fiz sentir orgulho de mim mas a senhora será sempre o meu referencial de honestidade, caráter, honradez, humanismo, pureza, lealdade e humildade e peço a deus que eu possa passar ainda muitas primaveras ao Teu lado pois, esse filho torto ainda precisa aprender muito com a Senhora e ser feliz.

te amo dona Tereza

te amo mãe.