domingo, 4 de novembro de 2012

calhamaço


se o meu corpo aguentar
amanhã estarei à mesa com o olhar de hoje
cansado
e dos ontens.
deixo aberto sobre a mesa o livro sagrado
o álbum com retratos dos meus dias
pedras, pedras, pedras
sonhos de cavaleiro sobre cabo de vassoura
peão sem cavalo
solitário grafite sem papel.
coração de toá, terra rachada
sem alforria, confesso do anseio do colo
rebuscado no silêncio dos meus sonhos