sábado, 19 de novembro de 2011

cabe tudo numa mão em concha

e de repente descubro que não tenho mais vinte e um anos, que não tenho como reverter o quadro fator tempo e corrigir os erros que até então me eram de prazeres. não que deseje hoje deixar de ser torto, mas nessa manhã em que o sol não apareceu, senti saudade das luzes que não colori. não necessariamente precisava ter prismas, apenas queria que tivessem existidos esses instantes. debruçado sobre a janela do porão da minha cabeça, vou olhando ao longe  lugares e pessoas onde não cheguei, onde não vivi e onde não deixei marcas. não desenho uma frustração, apenas um esboço para pensar no que perdi. cabe tudo numa mão em concha. as realizações e o saldo. o meu sapato de bico quadrado quase virgem em ser feliz deixou por essas avenidas, tão pouco pó quantas tão poucas lembranças, deles. cabe tudo numa mão em concha. apenas queria conseguir dormir sem precisar deixar a tv ligada em alto volume.