terça-feira, 8 de novembro de 2016

sertanejo

(para Eduardo Madureira)

 
não descansam
pegadas de tantas eras
terra seca e de esperançoso fértil
não desanima
nem quando debruçado sobre a janela
os olhos não avistam as nuvens.
pele tal qual o chão
traçada de rugas como a palma da mão
mãos cheia de relevos
relevos de lutas e enxadas
travadas debaixo do sol
não há ônibus que o leve
é feito de fé
riqueza maior do sertão