segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

manhãs de agosto sem modéstia

(para kedma o’liver)

agosto cabe em todos os gostos
em todos os abraços
cabe nos encontros do clube da esquina
nas rodas de praças
na pele negra que caminha a minha frente
na mesma calçada
agosto é das festas
marujos, caboclos, catopês
cabe no poema não concluído
que antecede a primavera
cabe no meio de um sorriso
ou no mais inteiro dos meios beijos
agosto que não é de agouro
receita de tantos louros
manhãs de sol alto, solto
amarelo como ouro
agosto são as coisas boas, quentes
quase tão quente quanto colo de mãe
agosto não é tímido como o virgem
é fogo que queima sem pudor
despudoramente vagal e sedutor
agosto é assim; eu perdido nessas passarelas