segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

vagabundamente

                                     para ju rodrigues


sem muita pressa
nessa avenida de descompassos
zig-zag em calçadas tão largas
tantas cores e todos fuscos
há um velório em cada rosto.
adereços e adornos
vitrine na pele
e
discursos vazios
de gente bamba
por isso sou gauche.
vagabundamente imortal.
distante dos alvos. e das culpas.
o que me prende
são apenas as moças de vestidos floridos
estampados como diz dona tereza.
não há números não há cifras
o que me apetece
são os sorrisos
e vagabundamente os gozos.
sou torto
sem chances
assim como desentortar o meu pau
não há chances.
caminhando pela avenida paulista
lá vai o vagabundo.