quinta-feira, 16 de junho de 2016

albina nº22


...olho albina ao longe. ela não conheceu seus pais, ficou viúva aos 27 anos, não teve filhos e nasceu em coração de jesus-mg. não bebe, não fuma e nem palavrão fala. também não me censura em nenhuma das muitas vezes que falo durante o dia. albina é incrível, divide tudo com todos. divide até o que não tem. albina só me contraria quando diz que as rosas brancas são as mais lindas. albina nunca ouviu falar sobre yoga mas é mais zen que o renilson. isso me irrita em ambos. quando conheci albina ela usava uns chinelos pretos da marca tiutiu e ria muito quando eu estalava os dedos e dizia: _tiu tiu tiu tiu... não tinha um dente mas carregava o sol em sua boca. sorriso mais luminoso não existe. certa vez albina me perguntou;

_pueta, de quem você herdou essa calva tão brilhante?

me perguntou assim, na lata, nem preparou o meu estado de espírito.

_além da hipertireoide, isso é herança de quem não trago boas lembranças. de um tal de tanto fez e de sobrenome tanto faz. de quem não gosto de recordar. cantador boêmio que não representa nada.

albina me olha. com aquela doçura que só nós nordestinos temos, diz:

_de que vale ser pueta se não sabe perdoar? Dê-lhe graças e lhe seja grato, pois se não fosse ele quem você não teria encontrado?

me resta engolir a saliva, baixar a cabeça e ficar calado.
algumas lágrimas