terça-feira, 7 de junho de 2016

eu te chamo tereza

(para luzinete)

de montes claros a são paulo
dos passados que deixei
recordação nenhuma me acompanhou
dos beijos, dos gemidos, dos berros
de nenhum me recordo
não é uma opção
não é o instinto de defesa
em nenhum aconteceu a construção.
agora não, moça negra de olhos azuis embaçados

minha respiração é fruto da sua luta
a minha letra é fruto das suas lágrimas ao pé do leito

é claro que eu te amo
te amava também tereza
que lá de onde está, lá de cima ou ao meu lado
lhe é toda gratidão.
da entrada à saída
quando os médicos acreditavam que eu não sairia
dia e noite, você estava lá
meus pulmões parados, todo entubado
mas o coração sempre pulsava,

era a sua força ao meu lado
eu que sempre fui um poeta odioso das rimas

poeta das dores, dos anseios e das lutas
digo apenas
isso que bate em meu peito não se chama coração

se chama, amor e gratidão
que transcende toda a carne
mesmo quando fecho a porta